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Análise: Assassin's Creed III (PS3)

Em 2007, a Ubisoft lançou Assassin's Creed , sem imaginar que ele se tornaria um grande sucesso e que levaria ela a produzir uma sequênc... (por Rafael Becker em 16/11/2012, via PlayStation Blast)

Em 2007, a Ubisoft lançou Assassin's Creed, sem imaginar que ele se tornaria um grande sucesso e que levaria ela a produzir uma sequência. O segundo jogo foi ainda melhor e um dos mais bem vendidos de 2009, trazendo Ezio Auditore como protagonista. Porém, a história do Assassino teria que ter fim uma hora, e isso levou a Ubisoft a lançar Assassin's Creed III, com um novo protagonista e uma nova época. O título era um dos mais aguardados de 2012 e está na disputa como melhor jogo do ano. Será que ele é um forte candidato ao título? Confira na nossa análise.

Um estranho no ninho


Após explorar as memórias do Mentor dos Assassinos da Itália, Desmond Miles teve que abandoná-las e sair a procura de outras para achar um jeito de impedir o fim do mundo. A Animus, agora em sua versão 3.0, automaticamente o leva a Ratonhnhaké:ton, um Assassino indígena que nasceu pouco antes da Revolução Americana. Como era difícil de pronunciar seu nome, os seus amigos colonos preferiam chamá-lo de Connor Kenway. Ele teve que lider uma difícil parte da sua infância ao assistir britânicos da Ordem dos Templários queimarem o vilarejo de sua tribo. Buscando justiça e indo ao encontro de seu destino, Connor se mostrou determinado a entrar para a Ordem dos Assassinos.


Como eu mesmo disse, Connor é um justiceiro, e não vingativo. Claramente percebemos isso ao decorrer de Assassin's Creed III, quando ele sente a sua alma um pouco pesada após matar inimigos importantes para a trama. Mesmo assim, ele se alia a George Washington e ao seu sonho de libertar os Estados Unidos do controle britânico. Posteriormente, ele acaba por descobrir que há muito mais debaixo do tapete e que o desejo de lutar contra os rebeldes está devidamente relacionado aos Templários.


O Assassino com certeza é bem mais habilidoso do que seus ancestrais Altaïr e Ezio e dispõe de um arsenal muito mais variado. Além da famosa lâmina oculta, arma principal da Ordem, também podemos escolher entre facas, machadinhas, espadas, pistolas, dardos envenenados, arco e flecha, minas, bombas de fumaça e as novíssimas cordas-gancho, que permitem que matemos inimigos silenciosamente - geralmente pendurados em árvores. E tudo isso fica muito bem organizado no menu, que os separa em armas e ferramentas.

A profundidade do mundo aberto


Assassin's Creed III traz o mapa mais complexo e ambicioso que a Ubisoft já criou; a liberdade de exploração é algo surpreendente. Basicamente, ele é dividido em três partes: a Fronteira, Boston e Nova Iorque.

A Fronteira com certeza é a parte mais interessante, já que permite mostrar um lado mais selvagem do protagonista. Nela os cenários são de deixar a boca aberta. As águas são cristalinas, as montanhas apresentam belas vistas e os animais da floresta se comportam de maneira tal como vemos na vida real. Nessa parte do mundo de AC3 já podemos notar diversas melhoras e adições em relação às outras versões da franquia. É possível escalar árvores (e pular de uma para outra, como ocorre com os prédios) e partes rochosas, examinar pistas para facilitar a caça por animais (para em seguida esfolá-los e vender a sua pele), esconder-se de inimigos em arbustos, preparar armadilhas para atacar e saquear comboios britânicos e muito mais. No inverno, a neve irá retardar o deslocamento de Connor e de qualquer outra pessoa, e outras estratégias deverão ser feitas a fim de melhorar isso. Há ainda a Fazenda, a qual podemos melhorar em diversos aspectos ao ajudarmos colonos em algumas tarefas, que ainda podem forjar alguns itens para vendermos no comércio.



Boston e Nova Iorque não apresentam muitas diferenças entre si. Ambas possuem construções com aspecto colonial e bastante movimento populacional. Por falar nisso, o povo poderá ajudar a reprimir tropas inimigas e com certeza fará uma plateia ao ver você assassinando Casacos-Vermelhos em plena luz do dia. Se você é do tipo fujão, poderá despistar adversários fugindo por dentro de prédios, através de portas e janelas abertas. Os seus recrutas Assassinos (o sistema deles está idêntico ao dos outros jogos, porém podemos acessar rapidamente as missões deles segurando o L2) também poderão  ajudar, seja matando ou distraindo alguém. Para terminarmos de falar das cidades, saiba que elas têm túneis (em que dessa vez podemos controlar o personagem no subterrâneo), fortes para conquistar e lojas dentro de prédios, e não mais a céu aberto (porém, não se vendem mais remédios; Connor possui uma barra de energia regenerável).

Capitão Connor Sparrow


Um dos itens mais aguardados de Assassin's Creed III certamente era a batalha naval. Ela traz inéditas sequências em que devemos livrar a costa leste dos Estados Unidos de navios britânicos. Connor comanda tudo no Áquila (nome do navio), seja o leme, as velas ou os canhões. Antes de irmos para a primeira memória em alto-mar, somos apresentados a um breve tutorial em que praticamos tiros contra navios afundados. Após isso, o resto não é muito difícil. Podemos aperfeiçoar o Áquila a fim de deixá-lo como um Pérola Negra (o navio de Piratas do Caribe), mas há três tipos principais de armas: a bola de canhão tradicional, a arma giratória e as correntes, que servem para destruir as velas dos adversários, para invadir seus navios ou só deixá-los em desvantagem mesmo. A Ubisoft acertou em cheio ao investir nessa modalidade naval.


Bugs, pra que te quero?

Chegamos agora ao desastre de Assassin's Creed III, o seu maior ponto fraco: a infinitividade de bugs e glitches. Não pense que estou exagerando: ele tem mais erros de programação do que Skyrim quando foi lançado (e eu pensei que nenhum seria capaz de superá-lo). É impossível você ter zerado a campanha principal e não ter se deparado com algo anormal mais de uma vez. Para não pensarem que estou mentindo, irei listar algumas atividades paranormais que presenciei e, a seguir, um vídeo (que vale mais do que mil palavras).
  • Iniciei uma memória e, do nada, quando estava correndo, Connor caiu para debaixo do chão e ficou flutuando em um espaço em branco. Tive que reiniciar do último checkpoint;
  • Quando estava lutando com um urso à beira de um precipício, o animal caiu, mas ficou indo e voltando para cima, que nem um elevador;
  • Em uma ocasião, a machadinha do Connor simplesmente desapareceu do inventário;
  • Sou incapaz de perder a notoriedade em uma parte da Fronteira;
  • Quando um inimigo foi atirar em mim, usei outro como escudo humano, mas o que ia atirar mirou para outro lado e mesmo assim matou o que estava sendo feito de refém;
  • Em várias vezes em que eu vou escalar um prédio, Connor o atravessa.

Impedindo o fim do mundo

Desmond Miles, o principal protagonista da franquia da Ubisoft, pode finalmente ter ganho um papel de destaque. Só que não. Quando eu soube que poderíamos controlá-lo que nem fazíamos com os Assassinos do passado, fiquei muito empolgado, pois gosto muito do Desmond e o acho de extrema importância. No final, o que aconteceu? Ele só pode ser controlado em três missões chatas: uma devemos só escalar, a outra só fugir e a outra só lutar. Que coisa sem graça, hein? Além do mais, não contamos com uma barra de energia, radar ou o símbolo de quando o inimigo vai atacar, que nem com Connor. Isso só mostra a desvalorização que a própria Ubisoft deu para o personagem em "simplesmente" todos os jogos de Assassin's Creed. E agora não tem mais do que reclamar, pois a própria empresa comentou que esse foi o último jogo em que ele aparece como mocinho. Rezemos para que, quem quer que seja que Desmond tenha passado o bastão, que deem o valor e destaque que ele merece. Pelo menos uma coisa foi boa em tudo isso: o final de Assassin's Creed III é extraordinário, algo inesperado; nunca esperei tanto por um jogo quanto estou por AC IV.

Multiplayer

Novamente, não tenho muito do que falar do multiplayer de Assassin's Creed. Desde o de Brotherhood ele tem se tornado muito monótono, mas a Ubisoft decidiu se esforçar um pouquinho mais em AC III. Contamos agora com uma boa variedade de personagens e itens customizáveis; além disso, esse modo possui uma trama própria e que revela histórias interessantes dos Templários. Mas, para mim (não que isso sirva para outras pessoas, por isso que nas considerações finais fui imparcial), o multiplayer não passa de um extra para ajudar na longevidade do título.


Prós

  • Visual e mecânica completamente novos;
  • Mundo aberto excelente;
  • Adição de batalhas navais;
  • Recrutas Assassinos com novas habilidades;
  • Melhor combate da série;
  • Diversos aspectos em relação aos jogos anteriores foram aperfeiçoados;
  • Modo multiplayer mais complexo.

Contras

  • Uma porção enorme de bugs e glitches;
  • Legendas muitas vezes atrasadas ou adiantadas;
  • Poucas sequências com Desmond (e elas poderiam ser melhores);
  • Prólogo um tanto comprido e chato;
  • Final de Connor fraquíssimo.
Assassin's Creed III - PlayStation 3 - Nota final: 9.5
Visual: 10  |   Som: 9.5  |  Jogabilidade: 9.5  |  Diversão: 10
Revisão: Felipe Biavo 
Rafael Becker é gaúcho de Porto Alegre e formado em Técnico de Informática pela Escola Alcides Maya. É super eclético em relação a músicas e videogames e é fã de Game of Thrones e sitcoms estadunidenses. Você pode contatá-lo acessando seu perfil no Facebook.

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