Jogamos

Análise: God of War: Ascension (PS3)

Lançado em 2010, God of War III foi um grande marco na série de mitologia grega da Sony, não só por ter uma grande história e gráficos revol... (por Rafael Becker em 24/03/2013, via PlayStation Blast)

Lançado em 2010, God of War III foi um grande marco na série de mitologia grega da Sony, não só por ter uma grande história e gráficos revolucionários, mas também por ter provado que o PlayStation 3 é outro console que pode receber ótimos títulos first-party. Agora, em 2013, God of War: Ascension teve a difícil tarefa de superar o final da primeira trilogia de Kratos, mesmo se tratando de um spin-off. Ainda assim, ele trouxe uma dificuldade vista somente no primeiro GoW, o que pode sugerir que a Santa Monica Studio visa resgatar as raízes de antigamente. Será que ela conseguiu? Confira na nossa análise.

O começo do pesadelo

A história de God of War: Ascension é a primeira na linha cronológica da franquia, o que é um bom ponto para aqueles que pretendem iniciar pela primeira vez uma aventura no controle de Kratos. Ela nós já conhecemos: o espartano cria um pacto de sangue com o Deus da Guerra, Ares, em troca de ajuda para poder vencer um exército bárbaro. A fim de criar o guerreiro perfeito para poder tomar o trono de Zeus, Ares obriga Kratos a matar a sua própria família. Odiando o deus por isso, Kratos jura vingança e quebra o pacto. E é aí que entram as primeiras rivais do protagonista: as Fúrias.

As Fúrias. Da esquerda para a direita: Alecto, Megera e Tisífone
Nem titã nem deus, nem mortal nem sombra, as Fúrias são guardiãs da honra e executoras da punição, de acordo com a introdução de Ascension. Como Kratos infringiu sua jura de sangue com o Deus da Guerra, era dever delas capturá-lo e torturá-lo por isso. Começamos o jogo na prisão de Briareu, o Hecatônquiro, o primeiro ser a romper um tratado com um deus (no caso, Zeus). Apesar da história principal se passar nesse cenário, boa parte dela são flashbacks, que explicam como Kratos foi capturado pelas Fúrias e como obteve alguns dos itens que são necessários no decorrer do jogo.

Kratos é preso e torturado pelas Fúrias por sua quebra de pacto com Ares
God of War: Ascension foi bom para explorar uma parte da mitologia grega que era desconhecida por muitos, até mesmo pelos fãs da série. Porém, com certeza God of War III é superior no quesito enredo, pois mostrou a vingança de Kratos que todos esperavam e de uma maneira muito brutal, a marca registrada do Fantasma de Esparta. Não estou dizendo que Ascension tem uma história ruim, mas às vezes a alternância de capítulos no presente e no passado pode confundir os jogadores.

Kratos, o Fantasma de Esparta

Combate complexo? Nem tanto

Todos sabem que God of War conquistou seu rápido legado no mundo dos videogames ao explorar, de forma genial, o combate hack 'n' slash, com vários inimigos sendo enfrentados de uma vez por armas de curto alcance. Desde o primeiro título da série, Kratos não conta somente com as suas lâminas, mas também com uma porção de outras armas, como martelos e espadas. Essa variedade de arsenal também é uma das características preferidas dos jogadores, mas que foi deixada de lado em Ascension.

Desta vez, Kratos pode usar somente as suas Lâminas do Caos, que contam com quatro variações: o fogo de Ares, o gelo de Poseidon, a eletricidade de Zeus e as almas de Hades. Esse sistema também é utilizado no modo multiplayer, do qual falaremos mais adiante. Cada variação possui diferentes tipos de golpes, mas que só podem ser usados com uma combinação (como R1 e quadrado), que consequentemente só podem ser liberadas usando órbitas vermelhas, no menu de upgrades. Também contamos com outros três itens que dão diferentes poderes ao protagonista nas batalhas, algo que não é novo e que já fora visto em God of War III (como a cabeça de Hélio ou as botas de Hermes).

Kratos usando o poder do fogo de Ares
Esse Elefantauro terá um triste fim
Alguns controles também foram mudados. Agora não podemos mais agarrar os inimigos com o círculo, mas sim com o R1. O botão comum para agarramentos foi aperfeiçoado para usar os punhos de Kratos, algo parecido com a arma Nemean Cestus, de Hércules. Também podemos usar o botão para usar as armas dos inimigos, que são adquiridas em combate, como espadas, lanças e escudos. Porém, essas armas secundárias muitas vezes acabam não sendo utilizadas pelos jogadores. Por fim, estávamos acostumados a usar a combinação de L3 com o R3 para despertar um modo invencível para Kratos, por um curto período de tempo. Agora, isso libera uma raiva que é como uma espécie de magia, algo que não tira muito dano dos inimigos e que também deve ser liberada via upgrade. Vamos esperar para que o próximo God of War não traga tantas mudanças na jogabilidade (no caso, estranhas aos fãs) quanto houve em Ascension.

Ainda é um God of War

Apesar dessas, talvez drásticas, mudanças no combate que citamos anteriormente, Ascension ainda é digno de ser chamado de God of War. A Sony fez bem em não abandonar algumas clássicas fórmulas da franquia, pois senão o jogo certamente seria um fiasco. O visual de God of War III foi herdado nesse novo jogo, com belíssimas cenas em que o espartano mata os inimigos e o sangue deles jorra em seu corpo. A trilha sonora, apesar de não ser tão empolgante quanto nos títulos anteriores, também aparece de forma convincente aqui.

Os Quick Time Events - aqueles momentos em que devemos apertar os botões para Kratos eliminar os inimigos de forma sangrenta - estão de volta e ainda melhores, com mais interação com os jogadores. Agora, além de simplesmente apertarmos a sequência que aparece na tela, podemos em alguns momentos cortar os chefes ou alguns outros inimigos mais fortes com o quadrado e/ou triângulo, além de desviarmos de seus golpes usando o analógico esquerdo. Outro sistema que está de volta é o deslocamento de uma parte do cenário para outra em um curto período. Vimos isso principalmente em God of War II e III, quando, por exemplo, Kratos tinha que rapidamente fugir de um local em desmoronamento. Agora, além de simplesmente apertamos R1 para usar as lâminas para nos prendermos em algum lugar, há diversos momentos em que o protagonista está deslizando por algum lugar e devemos usar o analógico esquerdo para movimentá-lo e o xis e R1 para pular/agarrar em alguma superfície.



Vale ainda dizer que God of War: Ascension é o jogo mais longo e difícil da série, muito bem comparável com o primeiro título. Há uma boa quantidade de quebra-cabeças e a história possui quase o dobro de tamanho se comparado com God of War III (e possivelmente o triplo comparado com os de PSP). Bem, quando você for jogar o seu, desejo-lhe boa sorte no Desafio de Arquimedes (aquele que receberá um patch para a diminuição de dificuldade em breve). Meu conselho é que você deixe a atualização para depois de tentar completá-lo diversas vezes, pelo menos no modo "Normal". Nas minhas duas primeiras tentativas eu falhei, mas na terceira eu abusei da defesa e da esquiva para poder vencê-lo (e ganhar um troféu de ouro).

Seja o campeão dos deuses

O multiplayer é a maior novidade
em God of War: Ascension
Para podermos terminar a nossa análise, vamos falar agora da maior novidade em um God of War: o modo multiplayer. Quando foi anunciado pela primeira vez, muitos questionaram como ele poderia ser e houve os que afirmavam com certeza que ele não prestaria, mesmo sem nem tê-lo visto. O fato é que o multiplayer de Ascension é muito bom e até mesmo viciante para alguns, não só pela grande customização do nosso personagem (como armas e armadura) mas também por podermos testar as nossas habilidades aprendidas no modo single player em outras pessoas.

Na história do multiplayer, controlamos um homem que recebeu uma nova chance dos deuses do Olimpo e que pode ser campeão de um deles, que são: Ares, Hades, Zeus e Poseidon. Cada um irá lhe dar uma habilidade diferente: força em combate, drenar vida dos adversários, magia e curar aliados, respectivamente. Eu me aliei a Ares por prezar por domínio na luta (espero que isso não me dê o mesmo destino de Kratos).

No Olimpo, escolha a qual deus você irá dobrar os joelhos
Os modos do multiplayer também são bastante diversificados:
  • Favor dos Deuses: Com uma equipe de quatro jogadores formada, aventure-se por três diferentes mapas ao abrir baús, conquistar altares, derrotar os adversários e realizar objetivos extras (como matar um titã ou dominar uma górgona).
    Partida de "Favor dos Deuses"
  • Partida de Campeões: Em uma arena, você deve ganhar pontos por matar adversários. Aquele que possuir o maior score final ganha. Durante a partida, haverá desafios do cenário, como ele se desmoronar.
  • Capture a Bandeira: O nome já diz tudo, e esse modo é conhecido em diversos outros jogos. Conquiste a bandeira do time adversário e leve-a para a sua base para ganhar pontos a seu favor.
  • Prova dos Deuses: Sozinho ou cooperativamente com outro jogador, derrote uma horda de inimigos em um clássico Survival.
God of War: Ascension é realmente um título muito bom, mas que para mim não conseguiu superar God of War III. Penso que ele poderia ser um título para o PlayStation Vita, pois assim levantaria muito as vendas do portátil. Enquanto isso, a Sony teria outra equipe focando-se em desenvolver God of War IV (quem viu a cena pós-créditos do game anterior viu que ela pode sugerir uma sequência). Gostaria de deixar claro que minha opinião nesta nota não afetou minha avaliação final: assim como vocês me ouviram (no caso, leram), também gostaria de saber a opinião de vocês através dos comentários desta matéria.

Prós

  • Pudemos conhecer o início da história do Fantasma de Esparta;
  • Modo single player longo e desafiante;
  • Retorno de sistemas clássicos com adição de novidades boas;
  • Modo multiplayer se encaixou bem com a franquia;
  • Dublagem e legendas em português do Brasil.

Contras

  • História não tão empolgante quanto a de God of War III;
  • Mudanças na jogabilidade que podem confundir os adeptos da série;
  • Falta de variedade do arsenal de Kratos;
  • Afastamento da câmera pode atrapalhar em diversos momentos.
God of War: Ascension - PlayStation 3 - Nota: 8.5 
Revisão: Vitor Tibério
E não perca, na edição deste mês da Revista PlayStation Blast, uma versão própria da análise de God of War: Ascension, além de muitos outros conteúdos exclusivos!
Rafael Becker é gaúcho de Porto Alegre e formado em Técnico de Informática pela Escola Alcides Maya. É super eclético em relação a músicas e videogames e é fã de Game of Thrones e sitcoms estadunidenses. Você pode contatá-lo acessando seu perfil no Facebook.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook