Blast from the Past

Blast from the Past: Dragon Ball GT: Final Bout (PS)

Tenho certeza absoluta de que os jogos de luta da série Dragon Ball marcaram a infância de muitos gamers. Não importa em que console, você... (por Rayner Lacerda em 29/03/2013, via PlayStation Blast)

Tenho certeza absoluta de que os jogos de luta da série Dragon Ball marcaram a infância de muitos gamers. Não importa em que console, você provavelmente já se aventurou com os seus personagens favoritos quando era criança e se divertiu muito com isso. Dragon Ball GT: Final Bout é lembrado com carinho por muitos fãs e os motivos disso, como mostrarei a vocês ao decorrer da matéria, são bem convincentes. Se você também era daqueles que estragava o controle, mas não perdia a partida, confira a nossa matéria.

A minha história com Dragon Ball GT: Final Bout foi, em certos aspectos, similar à minha história com Dragon Ball Z: Legends: eu ainda não conhecia Dragon Ball quando joguei os dois jogos pela primeira vez. Para quem não se lembra, todos os títulos para o PlayStation foram lançados antes de 1998, época em que o desenho ainda não fazia sucesso por aqui.


Mas não tem jeito, Legends me fez ficar apaixonado pela pancadaria com “magias” e os guerreiros com cabelos que mudam de cor. A aquisição de Final Bout foi  apenas uma consequência disso. Confesso que fiquei com os olhos brilhando depois de ver a fantástica abertura do jogo. A música, as cenas, Goku e Vegeta sorrindo enquanto se socam, era lindo.

A pura e simples pancadaria

Ao menos para mim, o jogo contava com 18 personagens, dois deles obtidos apenas por “macetes”. Muitos que jogaram na década de 1990 devem ter estranhado um pouco aqueles guerreiros. Se nem a saga Z era conhecida por aqui, imagina então a GT? Que nem sequer faz parte da Saga oficial, sendo apenas um “filler”. Mas apesar da estranheza, aposto que muitos de vocês jogaram o título, seja porque já conheciam os outros jogos, ou porque gostaram do estilo de luta.

Final Bout não tinha um modo história tão bem amarrado quanto Legends. O objetivo aqui era derrotar os adversários e enfrentar o “macacão dourado” no final. Mas isso era irrelevante, afinal, o mais divertido era escolher o personagem e partir para a porrada. Era um bom título para chamar os amigos no fim de semana e fazer aquele torneio bacana.

Mesmo para a época, quando ainda éramos crianças, o jogo tinha falhas absurdas que todos nós percebíamos, mas muitas vezes ignorávamos. Ou vai me dizer que você nunca se irritou com a “lerdeza” dos personagens? Fala sério, a tartaruga do Mestre Kame era mais rápida que todos eles juntos!


Isso sem falar na dificuldade em executar alguns combos, o que fazia com que muitas lutas fossem ganhas nas “bolinhas de Ki”. Mas, sinceramente, nada disso importava muito. Todas essas falhas eram esquecidas quando você chamava um amigo para jogar e vocês descobriam juntos a melhor característica do jogo...

Estrago o controle, mas não perco a disputa

A principal diversão do jogo pode ser resumida em quatro palavras: disputa de golpes especiais. Até que era legal tentar fazer alguns combos mas, não adianta, o melhor mesmo era ver se o seu Kamehameha ganhava do Big Bang Attack. Porém, como todos nós percebemos, os controles do jogo não foram tão bem planejados, o que resultou em um épico esmaga botões que ficará para sempre em nossa memória (e também nos nossos dedos).


Funcionava assim: você estava lutando despreocupadamente contra alguém quando de repente, o adversário soltava aquele golpe especial sem aviso prévio. O que fazer? Bem, você também podia executar o golpe e disputar com o adversário. Se já era legal na época, imaginem quando vimos aquilo no desenho?


O “problema” é que a disputa exigia que você literalmente esmagasse os botões do seu controle. Enquanto alguns embates exigiam que você apertasse freneticamente algum botão, outros pediam que você ficasse girando descontroladamente o analógico. Como de praxe para a época, tudo o que você podia fazer era colocar a camisa por cima do controle e “mandar ver”.

Não sei vocês, mas aquilo era a coisa mais divertida de se fazer no jogo. Não importava se aquele seu amigo chato escolhesse o Goku SSJ4 (o personagem mais “apelão”), na hora da disputa, o que contava era a sua habilidade em esmagar os botões mais rápido que ele. E o esmagar é no sentido literal. Eu devo ter estragado três ou quatro controles só nessa brincadeira. Nunca saberei se os controles do PS é que eram frágeis ou se eu é que me recusava a perder.

Mitos que deixam saudades

Outra característica que cercava o jogo era a sua aura de mistério (ou invenções). Não sei se com vocês foi a mesma coisa, mas assim que o desenho começou a fazer sucesso, logo surgiram lendas sobre Final Bout: um amigo meu jurava de pé junto que um primo de segundo grau da sua tia conseguiu desbloquear o Vegeta SSJ4 terminando o jogo vinte vezes no modo Hard sem perder nenhuma luta.

Os mais invejosos vão dizer que é montagem!
Como todo bom garoto de locadora, eu comprei aquela ideia na hora, e desisti depois de terminar o jogo duas vezes. Se algumas batalhas já eram difíceis na dificuldade normal, imaginem terminar o jogo trocentas vezes no Hard sem perder? Ao menos para mim, foi impossível. Se algum de vocês conseguiu essa façanha, por favor, esclareçam uma dúvida que dura 13 anos e me digam o que aconteceu.

Brincadeiras à parte (ou não) o fato é que Dragon Ball GT: Final Bout estará sempre marcado em nossas memórias. Você vai lembrar com carinho daqueles torneios e da glória em vencê-los (ou apenas em estar junto com os seus amigos se divertindo). E também vai sempre lembrar que aquela diversão tinha um preço. Seus pais e o dono da loja que vendia controles que o digam.

Revisão: José Carlos Alves
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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