Vem aí

Prévia: God of War: Ascension (PS3)

God of War é possivelmente a franquia mais icônica da Sony. Afinal, desde os tempos do PlayStation 2, o pessoal da SCE Santa Monica Studio... (por Thomas Schulze em 11/03/2013, via PlayStation Blast)

God of War é possivelmente a franquia mais icônica da Sony. Afinal, desde os tempos do PlayStation 2, o pessoal da SCE Santa Monica Studio trabalhou duro para construir uma série de altíssima qualidade. Tanto empenho ajudou a transformar Kratos num dos principais mascotes da Sony (e, por que não, da indústria de videogames) e a tornar sua história trágica de vingança referência máxima quando se fala em jogos de ação. Só por isso God of War: Ascension, um dos últimos grandes blockbusters do PlayStation 3, já nasceria cercado da maior expectativa possível, mas parece que ainda temos muitos outros motivos para nos empolgar.

"Eu pago o preço de minhas ambições"

A frase dita por Kratos logo no início da demo revelada na E3 2012 dá o tom perfeito para God of War: Ascension, cuja trama se passa antes dos eventos vistos em God of War: Chains of Olympus. Depois do ardil de Ares que, como todos sabemos a essa altura do campeonato, fez Kratos assassinar sua mulher e sua filha, o general espartano desiste de continuar cumprindo seu acordo com o deus da guerra, o que faz com que Hades envie as Erínias para capturar Kratos e o prender para tortura e danação eterna, a punição aplicada a qualquer mortal que ouse desafiar um acordo selado com um deus.

Na mitologia grega, as Erínias (ou Fúrias para os romanos) eram personificações da vingança. Tisífone é a deusa do castigo, responsável pelo açoite dos culpados, Megera é a encarregada de gritar de forma ensurdecedora os seus pecados, enquanto Alecto, a infinitamente encolerizada, persegue eternamente o pecador. Então dá para ter uma boa noção do quanto a tortura de Kratos nas mãos dessas três foi enlouquecedora, não é? Após meses de uma dor excruciante e insuportável para qualquer ser humano, Kratos perde a cabeça e passa a receber constantes visões do dia em que perdeu tudo que lhe importava. Furioso e determinado a se vingar de Ares, Kratos usa sua raiva para tirar forças sobre-humanas e, num deslize das torturadoras, arranca suas correntes e escapa, determinado a assassinar as Erínias e, assim, tornar inconsequentes quaisquer atos de traição contra os deuses. Ou pelo menos é o que Kratos esperava. Nós, que jogamos a saga inteira, sabemos que as coisas não vão terminar nada bem, certo?

De certa forma, a história de God of War: Ascension acaba sendo vítima da mesma síndrome que afeta a maiorias das prequels: a previsibilidade. Qual a graça de uma história na qual você já sabe exatamente como vai ser o final? Cientes desse problema, nossos amigos do Santa Monica Studio tiveram a elegante ideia de tornar a trama mais pessoal, focando a narrativa pela primeira vez numa história mais intimista, que mergulha fundo na cabeça de Kratos, tentando fazer com que o jogador se identifique com suas dúvidas e questionamentos, fazendo o jogador entender e até mesmo simpatizar com os anseios de vingança de Kratos. Se me perguntar, essa é uma excelente ideia que já devia ter sido posta em prática há um bom tempo, já que Kratos, por mais legal, estiloso e carismático que seja, sempre foi um dos personagens mais rasos dos videogames, de modo que uma camada de profundidade vai ser muito bem vinda.

Já era hora de tornar Kratos um personagem mais profundo.

Aprimorando uma fórmula vencedora

Pra variar, Kratos vai ter que
enfrentar muitos deuses.
Se no departamento de roteiro parece que enfim ganharemos algumas novidades, o mesmo não se pode dizer do estilo de jogo. Como em time que está ganhando não se mexe, tanto a premissa da jogabilidade quanto o esquema de controles serão bem familares para qualquer fã da série God of War, o que não deixa de ser uma ótima notícia, já que veremos aquele mesmo bom e velho andar, trucidar alguns inimigos impiedosamente, resolver um ou outro puzzle engenhoso para quebrar a rotina e depois repetir o mesmo processo de novo, e de novo, e de novo... Mas por mais que todos nós gostemos bastante desse sistema de jogo, é inegável que ele já começa a apresentar alguns sinais de envelhecimento e cansaço, de modo que apenas clonar o clássico God of War III poderia se mostrar um grande tiro no próprio pé.

Felizmente uma série de pequenos aprimoramentos parecem garantir frescor suficiente para justificar uma nova aventura e trazer um bem-vindo ar de novidade para a vida de Kratos. Para começar, agora Kratos pode carregar as armas inimigas como itens secundários. Nos vídeos e demos disponibilizadas, é possível ver o fantasma de Esparta roubando as espadas e lanças de seus oponentes e as utilizando para dar cabo dos mesmos. Os famigerados QTEs, ou quick time events, aquelas ações automáticas desencadeadas com um simples apertar de botão na hora certa, também ficarão mais intuitivas e menos automatizadas. Além disso, pela primeira vez na série será possível lutar sem arma alguma, fazendo uso tão somente das mãos e pés de Kratos. No mundo da magia, a grande novidade é a relíquia Life Cycle, uma luz verde que manipula o tempo, permitindo a reconstrução de coisas quebradas, como pontes e plataformas. O encantamento pode também ser utilizado em combate para congelar os inimigos, no melhor estilo do relógio do bom e velho Castlevania para NES.

Deuses da guerra por todo o mundo

Por anos os jogadores clamaram por um novo modo de jogo capaz de estender a vida útil dos games da série God of War, que infelizmente não contavam com muitos incentivos para jogar de novo, limitando-se a uma razoavelmente simplória busca por colecionáveis. Você sabe, os chifres e penas escondidos nos baús que você encontrava sem maiores dificuldades, platinando os jogos com certa velocidade. Para resolver essa questão de uma vez por todas surge a maior reviravolta e inovação de Ascension: o multiplayer de God of War.

Será possível customizar
completamente seu soldado.
Os embates online de Ascension contam com arenas enormes nas quais os guerreiros lutam entre si pela sobrevivência do mais forte. Até oito jogadores se enfrentam divididos em times com o objetivo de tomar o controle do mapa e conseguir, assim, recompensas dos deuses. Logo no começo você deve vender sua alma para Zeus, Hades, Poseidon ou Ares, já que cada deus garante seus próprios benefícios para o jogador, como habilidades mágicas, armas e armaduras únicas. O jogador então faz parte de um exército e precisa conquistar mais pontos que o exército inimigo. Como você já deve ter imaginado, os pontos são adquiridos principalmente derrubando alguns litros de sangue pelo chão, mas também é possível ser um pouco mais zen e ajudar o time capturando altares e abrindo baús.

Em um dos cenários já revelados, um titã enorme aparece no mapa disposto a aniquilar todos os seus amigos e inimigos. O inimigo colossal adiciona uma variável tática muito interessante, já que é preciso escolher entre continuar massacrando o exército adversário para ganhar um punhado de pontos ou focar na destruição do gigante, o que dá muito mais trabalho, mas garante uma quantidade enorme de pontos. Aparentemente, cada arena do jogo vai contar com um obstáculo ou personagem diferente para tornar a experiência mais desafiadora e única, então não se surpreenda ao reencontrar o velho inimigo Hércules assistindo sua luta e depois resolvendo pular no campo de batalha para acabar com a festa dos jogadores. Ao que tudo indica, Ascension tratá uma das experiêcias online mais divertidas dos últimos ano e esse modo, por si só, parece pronto para consumir todas as horas livres do seu dia.


Hoje jantamos no inferno

Quem não gostaria de ver uma
luta entra Kratos e Leonidas?
A Sony acredita tanto no potencial de God of War: Ascension que um anúncio em live action do jogo foi transmitido no último Super Bowl (caso você não saiba, a tradicional final do campeonato de futebol americano e os segundos de publicidade televisiva mais caros do mundo). Para completar a festança de marketing, Ascencion será lançado na América do Norte em edição do colecionador com uma linda estatueta de Kratos, livro e código para download gratuito de futuros DLCs, trilha sonora original, experiência dobrada no multiplayer, além de avatar e um tema dinânimico para a XMB do seu PlayStation 3..Aqueles que comprarem o jogo em pré-venda ganham até mesmo a armadura e lança do Rei Leônidas, do HQ/filme 300! Desde Uncharted 3, nenhum jogo de PlayStation 3 era lançado com tanta pompa. Só nos resta torcer para que alguns desses belos brindes cheguem também na nossa terrinha, que receeberá uma versão do jogo com legendas e dublagem em português brasileiro.

Mas a verdade é que nem precisamos de nada disso para nos empolgar com Ascension. Todas as virtudes da série God of War já falam por si só e, ao longo de todos esses anos, a SCE Santa Monica Studio conseguiu estabelecer uma franquia que é sinônimo de PlayStation e de videogames de alta qualidade. Assim, quando o mais novo capítulo da nossa saga mitológica favorita for escrito, todos vamos adorar massacrar deuses mais uma vez. Agora aquele cheiro gostoso e nostálgico de fim de geração de consoles já dá as caras, pois sabemos que Ascension está chegando para levar o hardware do PlayStation 3 ao seu limite máximo! Então Kratos, chegue logo para que possamos curtir sua vingança uma última vez nessa geração!

God of War: Ascension - PS3
Desenvolvimento: SCE Santa Monica Studio
Gênero: Ação
Lançamento: 12 de março de 2013
Expectativa: 5/5

Revisão: Rafael Becker
Thomas Schulze é formado em Direito, mas passou mais tempo em locadoras do que no fórum. Carioca não praticante, é uma das seis pessoas no mundo que gostaram do final de Lost e Mass Effect 3. Você pode falar sobre o quanto ele está errado no Facebook e Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook