Blast from the Past

Com Syphon Filter (PS), o gênero third-person shooter passou a ganhar espaço entre os gamers!

No final da década de 1990, os jogos tridimensionais ainda estavam começando a amadurecer. Com exceção de clássicos atemporais como Meta... (por Gabriel Vlatkovic em 09/04/2013, via PlayStation Blast)



No final da década de 1990, os jogos tridimensionais ainda estavam começando a amadurecer. Com exceção de clássicos atemporais como Metal Gear Solid, Final Fantasy VII e The Legend ofZelda: Ocarina of Time, poucos eram os títulos que se destacavam entre um emaranhado de jogos de qualidade duvidosa. Contudo, em 1999, o até então desconhecido 989 Studios mostrou ao mundo o que iria se tornar não apenas uma das principais franquias do PlayStation, mas um marco do gênero third-person shooter: Syphon Filter, um jogo de ação que misturava intensos tiroteios com fases de espionagem de uma forma jamais vista. Confira agora os motivos pelos quais o jogo foi tão marcante para sua época!


Ameaça bioterrorista

Syphon Filter conta a história do agente Gabriel Logan, que ao lado de sua parceira, Lian Xing, trabalha para uma empresa que se auto denomina Agency. O início do jogo mostra uma missão em que os dois estavam encarregados de destruir um laboratório de armas químicas localizado na América Central. Apesar do sucesso na missão, um grupo terrorista antecipou o ataque e roubou boa parte das armas que estavam armazenadas no local. Na posse de armamentos capazes de dizimar a população estadunidense, o grupo terrorista começa a planejar sucessivos ataques ao país, e caberá a Gabe e Lian conter a ameaça.

Durante a aventura, o jogador fica encarregado de controlar Gabe, enquanto Lian se comunica via rádio com o agente, fornecendo-lhe informações sobre sua missão. As fases se passam nos mais variados pontos dos Estados Unidos, desde o Central Park, em uma eletrizante missão em que o agente deve ajudar uma equipe de policiais a desarmar bombas por lá espalhadas, até catacumbas que assustariam até Lara Croft no auge de sua forma. A história é contada através de briefings das missões e excelentes animações em FMV que se integram perfeitamente ao jogo.

A evolução do third-person shooter

Naquela época, os jogos de tiro em terceira pessoa possuíam uma série de limitações quanto à sua jogabilidade, principalmente quanto ao sistema de mira, já que as desenvolvedoras ainda não haviam encontrado um sistema adequado aos ambientes tridimensionais, que ainda eram quase uma novidade. Metal Gear Solid tentou resolver o problema com a câmera fixa, o que, apesar de funcional, não era confortável o bastante para os jogadores. Em Syphon Filter, com o toque de um botão, o jogador poderia travar a mira em seus inimigos, de forma que acertar o alvo se tornou algo muito mais simples, além de que tornava possível a movimentação livre do personagem sem que perdesse seus inimigos de vista. O sistema é bem parecido com o revolucionário Z-targeting, de Ocarina of Time, e se provou extremamente eficiente para jogos de tiro. Como se não bastasse, ainda era possível mirar em primeira pessoa, de forma que os tiros podiam ser dados com total precisão em diferentes partes do corpo do inimigos (que reagiam de acordo). Em uma época de Uncharted e Gears of War isso pode até parecer idiota, mas naquela época era algo completamente inovador e nunca antes visto ou imaginado.

Além dos tiroteios intensos, Syphon Filter exigia que o jogador utilizasse seu cérebro o tempo todo, já que as missões possuíam objetivos muitas vezes complexos em que a exploração e a sábia utilização de seus equipamentos eram elementos chave. Logan contava com um arsenal invejável, que ia desde um teaser extremamente útil (e sádico) até um lançador de granadas que dizimava hordas de terroristas sem dó ou piedade. O agente ainda podia utilizar óculos de visão noturna, uma lanterna e outras parafernálias que lhe auxiliassem em sua guerra ao terror. Claro que a vitória não seria possível se não fossem pelas próprias habilidades do agente, que era capaz de saltar, dar cambalhotas e se pendurar em todos os cantos possíveis dos locais por onde passava. Por falar em se pendurar, em muitas missões Gabe deve passar despercebido, dando outra forma ao jogo, que passa a apresentar seus elementos stealth.

Os segmentos stealth do jogo funcionam muito bem, o que se deve aos controles extremamente precisos e aos movimentos que Logan é capaz de executar. Mas não pense que a tarefa é das mais fáceis: a inteligência artificial dos inimigos era muito avançada, e ela podia surpreender até os mais habilidosos jogadores. Este fator fazia com que cada movimento tivesse que ser friamente calculado, já que um erro faria a missão ser reiniciada e os inimigos poderiam modificar todos os seus padrões de patrulha durante a nova tentativa.

Experiência cinematográfica

O primeiro Metal Gear Solid tridimensional, lançado um ano antes para o próprio PlayStation, introduziu ao mundo o conceito de jogos que não apenas proporcionavam diversão, mas funcionavam como filmes interativos. Syphon Filter seguiu a tendência de perto, e a experiência criada pela 989 Studios ia além do que os jogos tradicionais ofereciam na época. Com uma história envolvente, gráficos acima da média, cutscenes empolgantes e um trabalho de dublagem primoroso, o jogo tinha todo o clima de um excelente filme de ação, o que proporcionava um nível de imersão absurdo aos jogadores.

Não apenas a produção, como os eventos do enredo em si causavam tal imersão, já que as situações enfrentadas por Logan durante sua missão eram extremamente tensas e transmitiam uma sensação de urgência incrível. A experiência de jogar Syphon Filter era similar a de assistir um filme de ação frenética, com a diferença que dessa vez, o encarregado por livrar o mundo da terrível ameaça terrorista era o próprio jogador.

Divisor de águas

Syphon Filter é um daqueles jogos que redefiniu um gênero e o popularizou por torna-lo mais acessível a interessante. A franquia ainda recebeu dois novos jogos no PlayStation, um no PSP e um no PlayStation 2, sendo que todos (com exceção ao último) foram extremamente bem recebidos pela crítica e jogadores de todo o mundo. Infelizmente a franquia já não dá sinais de vida há um bom tempo, mas quem teve a chance de aproveitá-la em seu auge ainda não perdeu as esperanças quanto ao retorno triunfal de Gabriel Logan e sua fiel  parceira Lian Xing. Quem sabe no PlayStation 4?


Revisão: José Carlos Alves
Capa: Diego Migueis
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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