Blast from the Past

O oceano de emoções, batalhas, e coisas pra se fazer, em Star Ocean: The Second Story (PS)

No final da década de 1990, já no âmago do grande sucesso dos JRPGs (ou simplesmente RPGs japoneses) iniciado nos consoles da Nintendo (NE... (por Pedro Vicente em 28/04/2013, via PlayStation Blast)

No final da década de 1990, já no âmago do grande sucesso dos JRPGs (ou simplesmente RPGs japoneses) iniciado nos consoles da Nintendo (NES, SNES, GAME BOY) e sedimentado pelo fenômeno Final Fantasy VII (1997), uma série de ótimos jogos do gênero invadiram o PlayStation. Enquanto a gigante Square já havia lançado o oitavo jogo de sua série principal - assim como obras primas da estirpe de Xenogears -a Enix, grande nome dos RPGS principalmente no Japão, não introduzira sua canônica série Dragon Quest naquela geração de consoles. Mas, através da Tri-Ace, a gigante nipônica lançou um excelente jogo de uma série, até então pouco conhecida fora da terra do sol nascente: Star Ocean: The Second Story.

A volta dos que nunca vieram

O primeiro título da série chegou ao Super Nintendo em 1996. Bem recebido pela crítica, vendeu cerca de 240 mil cópias. No entanto, não foi publicado no ocidente, sendo restrito ao mercado japonês. Cabe ressaltar que o game chegou ao lado ocidental do planeta em 2008, na forma do ramake Star Ocean: First Departure, lançado para PSP.

Muitos dos elementos presentes em Second Story já se encontravam no primeiro título. No que diz respeito ao sistema de batalha, Star Ocean se assamelhava ao fantástico Tales of Phantasia. Junto ao game Seiken Densetus 3, grandes "RPGS de ação" da geração dos 16 bits.


O(s) mundos(s), ou o oceano de estrelas, dos dois jogos é o mesmo. Sendo o segundo game uma continuação do primeiro, passado vinte anos após e tendo como um dos protagonistas o filho do herói de Star Ocean, Ronyx J. Kenni.

Dois protagonistas, dois mundos

Algo muito especial nos é introduzido logo no início de Star Ocean 2: a escolha entre Claude C. Kenni (o tal filho do herói espacial) e Rena Lanford (uma jovem garota de um planeta não desenvolvido tecnologicamente) para ser o protagonista do jogo, ou os olhos do jogador na aventura. Ambos estarão no grupo e farão parte da história, mas a escolha de cada um traz certas consequências, desde a óbvia mudança no ponto de vista das Private Actions (que tratarei adiante), até a mudança na possibilidade de se recrutar certos personagens ou não. 

Falando desses personagens, existe uma série deles, diferentes entre si tanto no estilo de batalha quanto na própria personalidade. São personagens energéticos como Precis F. Newman, engraçados como Ashton Anchors, fortes como Opera Vectra, enigmáticos como Dias Flac, e tantos outros. Os NPCs e antagonistas têm um papel interessante, com destaque para o temido e estiloso grupo Ten Wise Men (Dez Homens Sábios), os grandes inimigos do jogo.

Os treze companheiros (contando os dois dragões acoplados ao corpo de Ashton)
A história se desenvolve em dois mundos, começando em Expel com a chegada de Claude, acidentalmente trazido ao planeta. É interessante ver o protagonista ter que lidar com a situação de pertencer a um mundo avançado tecnologicamente e ter que se virar em um planeta não desenvolvido, do tipo "magia, dragão, capa e espada". A partir daí o rapaz conhece Rena e parte em uma viagem com a intenção inicial de retornar ao seu pai e à sua vida. Claro que muitos outros eventos acontecem e a jornada muda completamente, até o ponto em que o grupo tem de salvar o universo da destruição - algo muito comum em JRPGs.

Ação entre companheiros, amigos, amantes

Um aspecto extremamente feliz de Second Story é a existência das já mencionadas Private Actions (Ações privadas). Ora, imagine que um grupo viaja por mundos, conhece novas cidades e companheiros, e vive o tempo todo junto. Será que eles não iriam desenvolver relações e criar laços uns com os outros? Claro que sim. Essa é uma especificidade e sacada boa da Tri-Ace. Em cada cidade, em um ou mais momentos, o personagem principal escolhido pode participar, seja efetivamente ou apenas olhando, das PAs.

Além de serem momentos diversos (indo do cômico ao trágico), as PAs servem para ganhar certos itens, habilidades, e também dar pontos de relação entre os personagens, o que é fundamental para os diferentes finais de cada guerreiro. Cada um deles pode ter um final com qualquer outro, seja como amigo ou até mesmo formando um casal. O mais interessante é que o jogador pode guiar as relações, realizando ou não certas PAs.

As opções de fala também influenciam nos pontos de relação
Muitas vezes essas ações são disponibilizadas depois de algum evento, e às vezes só ficam possíveis até um outro. Assim, para fazer vários PAs o jogador deverá ficar atento e andar muito, indo e voltando pelo planeta.

É muita treta

Em relação ao primeiro jogo da série, Star Ocean 2 trouxe mais profundidade à batalha, inclusive no sentido dimensional mesmo. Ou seja, o personagem pode dar a volta no inimigo em um ambiente de luta 3D. Dito isto, o sistema de batalha é um show à parte, extremamente fluído e cheio de possibilidades. Cada guerreiro tem suas habilidades, desde físicas até mágicas (ofensivas ou de cura) e cada especial é poderoso e um colírio para os olhos.

O jogador controla um dos personagens (qualquer um do time), e o computador fica a cargo dos outros a partir de táticas definidas por quem está jogando. É possível trocar entre os personagens dentro da batalha. 

O efeito dos itens equipados e, principalmente, das habilidades escolhidas e treinadas pelo jogador é visível durante as batalhas, atuando como elementos importantes na estratégia não só do guerreiro, como do time inteiro. O próprio sistema de desenvolvimento dos guerreiros é vasto e recompensador, ao mesmo tempo em que a criação de armas e armaduras é vital para a criação de bons grupos de batalha.

Abaixo, uma batalha já em um momento avançado do jogo.

 

Navegando pelo oceano... de coisas para se fazer

Star Ocean 2 traz uma série de sidequestes, assim como inúmeras PAs disponíveis, muitas armas e habilidades e, ainda por cima, uma série de possibilidades de criação (ferraria, cozinha, alquimia etc.). Isso tudo em dois vastos planetas cheios de locais para se explorar.

O próprio recrutamento dos personagens pressupõe no mínimo duas incursões pelo jogo para que se jogue com todos, ou seja, nem todos os personagens podem ser recrutados em uma única partida.

Second Story vendeu cerca de 1,1 milhões de unidades, 700 mil apenas no Japão, consagrando de vez a série no país, assim como apresentando-a ao ocidente. Hoje a franquia conta com mais dois títulos: Star Ocean: Till the end of time e Star Ocean: The Last Hope, além disso foram publicadas versões dos dois primeiros títulos para PSP.

Um jogo competente, bonito e bem acabado, com um sistema de batalha e de opções recompensadores. Com personagens memoráveis interagindo através da narrativa e das PAs. Star Ocean: The Second Story merece ser lembrado e revivido pelos fãs do gênero.

Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Felipe Araujo
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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