Jogamos

Análise: A jornada de Ragna atinge seu clímax em BlazBlue: Continuum Shift Extend (PS3)

Se você ama a cultura oriental, suas animações e mangás, é possível que você já tenha conhecido a franquia BlazBlue. Mas talvez não saiba ... (por Jameson Sheen em 19/05/2013, via PlayStation Blast)

Se você ama a cultura oriental, suas animações e mangás, é possível que você já tenha conhecido a franquia BlazBlue. Mas talvez não saiba que já abordamos aqui o primeiro jogo da franquia, Calamity Trigger. Hoje vamos dar continuidade à história, a aventura de Ragna com o terceiro jogo do segundo episódio da franquia, Continuum Shift. Temos novos personagens, novos modos de jogo, e claro, um progresso na história. Então vamos juntos nos aventurar pelo mágico mundo futurista e regido de muito humor, ação e surpresas tramadas pelo vilão que conhecemos nesse episódio.


O que eu perdi?


Mês passado tivemos a oportunidade de conhecer o mundo em que a história de BlazBlue se passa. Um futuro situado em cerca de cem anos no futuro, onde uma criatura chamada de Black Beast simplesmente surgiu do desconhecido para destruir a humanidade. Depois de anos de pesquisas tentando combater a criatura, a humanidade teve o conhecimento de seis indivíduos que ensinaram uma forma de usar magia, que mesclada com a tecnologia da época, tornou-se acessível à vários humanos por meio de armas e equipamentos especiais. A guerra teve seu fim depois de alguns anos e aqueles ficaram conhecidos como Six Heroes (seis heróis).

Entretanto, Black Beast exalou uma substância enquanto destruía o planeta e respirar essa substância podia matar algumas pessoas ou realizar mutações em outras. Por seguranças, a humanidade migrou para pontos altos do planeta e criou cidades para continuar seu progresso. Uma organização foi criada para gerenciar a magia, controlar, monopolizando esse poder para não resultar em qualquer guerra ou conflito. A história de Calamity Trigger se passa alguns anos depois, quando um rebelde começa a destruir as ramificações da organização que gerencia a magia desse mundo e a história conclui em seu grande ataque em Kagutsuchi, uma das cidades mais importantes do mundo.

De novo, de novo e de novo


A história de Continuum Shift começa poucos dias após o fim de Calamity Trigger. Após o ataque em Kagutsuchi, Ragna, que já tinha a maior recompensa da história por sua cabeça, passa a ser visto como uma ameaça pelos civis também ao ganhar a fama de terrorista. Entretanto, Jin Kisaragi, seu irmão e general da Novus Orbis Librarium, está buscando por sua cabeça. Noel Vermilion, a tenente de Kisaragi, parte em uma jornada para acompanhar seu superior, mas acaba por se envolver com Ragna. Paralelo a esses acontecimentos, temos Rachel sendo punida por sua ação no fim de Calamity Trigger e Hazama, o capitão da divisão de inteligência da NOL, enviando Tsubaki Yayoi para executar Jin Kisaragi (seu amor de infância) e Noel Vermilion (sua melhor amiga) caso não queiram retornar para a base como ordens diretas do "Imperador" (personagem até então desconhecido, mas líder máximo por trás da NOL).

Com a punição de Rachel Alucard, somos apresentados ao Tamagahara System, que nada mais do que um sistema criado por humanos (em uma ocasião desconhecida) para reger as regras das realidades paralelas. E é em volta disso que a história gira, dando total contexto ao modo história. Basicamente, cada vez que você faz uma escolha entre sim e não, certo e errado, você cria dois caminhos, duas realidades paralelas. No momento em que a história do jogo assume esse contexto, isso dá todo sentido para o modo história e as escolhas que você faz durante ele. Um "caminho errado" é o que fica mais difícil de explicar na história de jogos que seguem o modelo das Visual Novels. Desse modo, a história corre muito bem e até a conclusão dela, o que resulta em um final totalmente fora do que estamos acostumados.

Mesmo jogo, novas atualizações


BlazBlue: Continuum Shift foi lançado para PlayStation 3 em 27 de julho de 2010, chegando no fim do ano anterior aos arcades japoneses. Assim como outros jogos de luta, BlazBlue é desenvolvido originalmente para arcades, apesar do modo história ser aproveitado apenas nos consoles. A diferença começa na hora de adicionar novos personagens aos jogos. Como os arcades não funcionam com sistema de DLC, é necessário criar um novo jogo (ou simplesmente trocar o velho pelo novo modelo, como aconteceu bastante em Street Fighter IV) e mesmo que o personagem seja lançado por DLC para consoles, uma nova mídia física pode ser lançada com a versão "atualizada" do jogo.

Em 17 de maio de 2011, o conteúdo extra, Continuum Shift II, já estava disponível para PlayStation 3. Além dos personagens que já conheciamos de Calamity Trigger, Continuum Shift nos trouxe Hazama (capitão da divisão de inteligência da NOL), Tsubaki Yayoi (enviada para eliminar Jin e Noel) e Lambda-11 (versão criada por Kokonoe com base na versão que era "personagem chefe" do jogo anterior). Com essa atualização nós ganhamos Makoto Nanaya (amiga de Tsubaki e Noel), Mu-12 (uma transformação de Noel, que acontece no fim da história), Valkenhayn R. Hellsing (servo da família Alucard e um dos Six Heroes) e Platinum the Trinity (um corpo de criança com três almas, também do grupo Six Heroes).


Em 14 de fevereiro de 2012, temos a conclusão desse episódio com Continuum Shift Extend, que nos traz apenas mais um personagem novo: Relius Clover, o pai de Carl Clover. Durante essas atualizações, não apenas personagens foram adicionados como também aconteceram mudanças na mecânica do jogo, como o sistema de defesa e combos. Quem participou de torneios aceitou essas mudanças para ajustes e elas foram bem recebidas pela maioria do público.

É hora de jogar!


Temos um design muito mais prático nesse segundo episódio da franquia. Apesar de bonito, o menu de Calamity Trigger não poderia ser chamado de prático. Dessa vez temos todas as opções visíveis e podemos navegar pelo menu sem precisar dar voltas e voltas para encontrar o modo de jogo desejado. Tutorial Mode, como o nome sugere, é um modo tutorial para aprender os conceitos básicos do jogo e ir avançando. Em minha opinião, é um dos modos de tutorial mais divertido dos jogos de luta, com a esnobe e prepotente Rachel Alucard te ensinando passo-a-passo como jogar, como combinar golpes e até técnicas mais complexas. Training Mode é uma parada obrigatória após aprender técnicas no tutorial. Os modos mais comuns de jogo são o Arcade Mode e Versus Mode que pelo nome já deixam bem claro como funcionam. Vale lembrar que existem os personagens Unlimited, assim como em Calamity Trigger, e apesar de não serem usados no modo convencional, podem ser usados em partidas de multiplayer local no Versus Mode. E claro, se você quer um multiplayer online, você tem o Network Mode. Em outros modos semelhantes você pode publicar sua pontuação online via PlayStation Network.


Deixando os combates de lado, nós temos o Gallery Mode, onde você pode ouvir a trilha sonora do jogo e as vozes dos dubladores, além de imagens e videos que são obtidos conforme você progride no jogo. Obviamente, não podemos esquecer do Story Mode que traz as histórias que já conhecemos (agora em uma versão mais completa) e as histórias dos novos personagens. É necessário conclui-las para abrir o "True Ending", uma história exclusiva que mescla todos as histórias individuais para o enredo canônico do jogo.
BlazBlue não é um jogo tão popular nas terras tupiniquins, mas a comunidade está crescendo e você pode encontrar geralmente jogadores de outros jogos de luta em 2D e apaixonados pela cultural oriental. Os personagens carismáticos, a história original, as diversas referências ao folclore oriental, apenas dão aquele charme ao jogo que tanto agrada os fãs de Visual Novel e fãs de jogo de luta em 2D.

Prós


  • História conseguiu continuar firme, sem se tornar cansativa ou remeter tanto ao primeiro episódio;
  • As novas mecânicas apenas fizeram aqueles que já eram fãs se apaixonar mais ainda pela franquia;
  • Todos os novos personagens estão bem contextualizados, tornaram-se jogáveis respeitando a história.


Contras


  • Para quem está acostumado com os jogos de luta mais populares, pode ser difícil acostumar-se aos comandos;
  • O single player é muito curto e, mesmo jogando-o com outros personagens, pode ser repetitivo;
  • Atualizações em vez de um único jogo (como o anterior) pode desmotivar desavisados.


BlazBlue: Continuum Shift Extend - PlayStation 3 - Nota: 8.0

Revisão: Alan Murilo
Capa: Vitor Nascimento
Jameson Sheen é programador e estuda Game Design. Investe seu tempo livre aprendendo novos idiomas e novos instrumentos musicais. Além de análises e outros artigos, escreve para coluna semanal Pokémon Blast. Você pode ler mais sobre Sheen em seu Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook