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Análise: Em busca da luz no fim do túnel em um futuro pós-apocalíptico na desolada Moscou de Metro: Last Light (PS3)

Metro: Last Light é a continuação direta do jogo Metro 2033, inspirado no romance de Dmitry Glukhovsky e lançado em 2010 para PC e Xbox 3... (por Samuel Coelho em 07/06/2013, via PlayStation Blast)

Metro: Last Light é a continuação direta do jogo Metro 2033, inspirado no romance de Dmitry Glukhovsky e lançado em 2010 para PC e Xbox 360.Nesta sequência da série, que agora dá as caras pela primeira vez no PS3, você continuará controlando o protagonista e herói do jogo anterior, Artyom, que na história de Metro é um dos últimos sobreviventes da raça humana, pertencente ao grupo de pessoas que, após uma cataclisma apocalíptico ocasionado por uma guerra, passou a viver nos interiores assombrados e perigosos dos túneis das malhas do metrô de Moscou.

A nova jornada

A aventura do protagonista Artyom desta vez está focada na busca pelo remanescente de uma raça de seres mutantes superiores, que em um dos finais de Metro 2033 foi sumariamente dizimada graças aos seus esforços. Mas em meio a isso, Artyom se verá dentro de um conflito que o colocará para ver seus últimos irmãos de espécie matando um ao outro em decorrência de uma nova guerra de interesses fomentada por facções políticas egoístas e sedentas de poder. Em muitos momentos, ao descrever o perfil psicológico desses humanos sobreviventes, o jogo coloca em foco um velho pensamento que nos diz que é nos momentos de desgraça que o ser humano se mostra mais selvagem, traiçoeiro e manipulável.

Enquanto a raça humana existir, sempre haverá em algum lugar sementes da opressão, da ganância e da massificação. 

Explorando as ruínas de uma Moscou pós-apocalíptica através de uma mecânica que mistura os gêneros FPS, RPG, survival horror e aventura, você viverá momentos de grande imersão atmosférica e narrativa enquanto percorre os cenários subterrâneos do metrô que são assombrados pelo passado e andar pela superfície da cidade de Moscou devastada e infestada de criaturas mutantes vagando pelo céu e pela terra, que narra, por si só, a história de um passado de glória que jaz destruído pela loucura e insensatez da raça humana.

Era uma vez a Civilização Moderna.

Metrópole subterrânea

Metro: Last Light não é um shooter genérico, do tipo onde você simplesmente sai atirando e matando tudo o que vê pela frente. Em alguns momentos ele até pode se mostrar dessa forma, mas claramente não é isso o que o define. Isso fica bem claro logo no decorrer das primeiras horas de gameplay, que são muito mais centradas em trazer o jogador para o contexto do universo do jogo do que em colocá-lo semi-descerebradamente no meio de tiroteios consecutivos. O processo de imersão e de elevação de tensão no game são geralmente criados por intermédio de uma combinação perfeita entre narrativa e atmosfera, rica de elementos críveis que fazem o jogo não só ganhar vida na tela de pixels como também nas várias redes neuronais da nossa mente.

Os interiores do metrô são realistas e vivos, tanto visualmente quanto conceitualmente.
Os habitantes dos abrigos subterrâneos, assim como os ambientes, são únicos e com um excelente nível de profundidade em comparação com o padrão de complexidade que normalmente é atribuído a NPCs. No mundo do jogo você encontrará ladrões, mercenários, músicos, domadores, caçadores de recompensa, crianças, donas de casa, engenheiros, soldados e afins. Cada um deles tem um propósito definido, algo a contar e a fazer no universo do game. Tais personagens podem até mesmo interagir um com o outro de formas inusitadas. O jogo chega a ser tão realista nessa robusteza entre NPCs, que é quase certo de que pelos menos uma parte do que acontecer a sua volta vai lhe passar despercebido.

Gostaria de assistir a um show dos mutantes, senhor?
Os projéteis fabricados no período anterior ao da catástrofe são a moeda corrente no jogo. Com eles você pode ir aos centros de venda e comprar armas, armaduras, kits medicinais, filtros, granadas e munição. Mas não pense que você terá um inventário muito farto. Esses projéteis usados como dinheiro são extremamente raros e você terá que buscar por eles em cada canto dos cenários se quiser obter suprimentos na próxima estação com postos de venda que você visitar.

Hordas mutantes na desolada Moscou

Em vários momentos do game você terá de lutar contra grupos de monstros mutantes, uma das maiores ameaças à perpetuidade da raça humana no mundo sombrio de Last Light. Como seres que provavelmente se originaram a partir de mutações ocorridas em animais, eles habitam tantos os escuros túneis do metrô quanto a superfície, que é luminosa, venenosa e impregnada de radiação.

Abra a boca e diga "Ahhh"
Os que são próprios das zonas subterrâneas, nas quais os humanos se refugiam, geralmente são bastante sensíveis à luz. Logo, contra este tipo de criatura, você poderá sempre fazer uso de sua lanterna.

Sempre que possível, as criaturas aladas tentarão lhe carregar para dar um passeio.
Na superfície, porém, os perigos costumam ser bem maiores, já que nessas zonas a ameaça mutante pode vir de qualquer lugar da terra e do céu. Além do mais, para caminhar por lugares assim, você precisa usar uma máscara de gás, que funciona através de uma unidade de filtragem que vai se consumindo com o tempo. Isso coloca você na situação de administrar bem até sua quantidade de oxigênio disponível quando precisar sair de um abrigo subterrâneo. Mas não se desespere por completo. Controlar o gasto desses filtros não é tão difícil quanto pode parecer, ainda mais que, espalhados por cantos abandonados de regiões próximas destas áreas, você ocasionalmente pode encontrar novas unidades de filtragem, que também podem ser adquiridas nos mercados do metrô.

Acomodando estilos para todos os gostos

Em grande parte das situações no gameplay, o jogo nos provê de recursos para agir tanto em modo "stealth" como em modo "fogo aberto". Essa liberdade de estilo se faz presente principalmente quando exploramos os interiores das estruturas subterrâneas do sistema de metrô e somos obrigados a ter de enfrentar outros humanos. 

Apagando as luzes em 3, 2, 1...
As mecânicas de camuflagem e aproximação silenciosa foram melhoradas em relação ao jogo anterior. Você poderá interagir e manipular fontes de luz elétrica (desligando circuitos, atirando em lâmpadas ou removendo-as de bocais), apagar lamparinas, utilizar um medidor de iluminação no seu relógio de pulso (que facilita saber se você está protegido pela escuridão ou não) e ainda poderá realizar estilosos ataques furtivos contra adversários desprevenidos. 

Luz e sombra podem ser usados contra ou a seu favor.
Com narrativa e ambientação primorosas e com uma jogabilidade equilibrada e refinada, mas cheia de tensão, Metro: Last Light consegue se destacar de forma muito positiva dentro das matizes de gêneros em que tenta se encaixar. Não fosse por alguns bugs e problemas com a IA do jogo, o título poderia, sem sombra de dúvidas, ficar marcado na história dos videogames como uma obra-prima. Contudo, ainda não é tarde para o lançamento de um patch corretivo.

Prós

  • Ambientação fantástica e imersiva;
  • Qualidade narrativa acima da média;
  • Jogabilidade agradável e refinada tenta se adaptar ao máximo ao perfil do jogador;               

Contras

  • Animação facial deixa a desejar;
  • Alguns bugs e problemas com a IA;
  • Framerate levemente instável, mas só em algumas situações.
Metro: Last Light - PlayStation 3 - Nota: 8,5
Revisão: Leandro Freire
Capa: Daniel Silva 
Samuel Coelho é apaixonado por literatura, música, filosofia e arte digital. Ex-aluno de Ciência da Computação na UFPa, ator amador e notívago inveterado, ele passa noites e noites em claro se afogando em tudo o que o fascina. Encontre-o no Facebook ou no Twitter.

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