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Análise: A coletânea Chronicles of Mystara leva os jogadores de volta ao fliperama, em alta definição e com toda a magia do universo de Dungeons & Dragons (PSN/PS3)

Seguindo a estratégia bem sucedida de relançar jogos antigos para os consoles atuais, a Capcom trouxe mais uma coletânea de peso direto do... (por Alberto Canen em 30/07/2013, via PlayStation Blast)

Seguindo a estratégia bem sucedida de relançar jogos antigos para os consoles atuais, a Capcom trouxe mais uma coletânea de peso direto dos fliperamas para o PlayStation 3: Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara. Fazem parte do pacote os games "Tower of Doom" (1994) e "Shadows over Mystara" (1996), que nunca vieram para os consoles ocidentais, mas já estiveram anteriormente em outra coletânea ("Dungeons & Dragons Collection"), lançada para o Sega Saturn apenas no Japão.


A série teve a árdua, porém bem sucedida, tarefa de levar o universo do famoso RPG de mesa "Dungeons & Dragons" para os fliperamas, usando um gênero que já vinha fazendo muito sucesso desde o final da década passada, o beat 'em up. Não é difícil citar alguns games que fizeram muitos jogadores da época gastarem diversas fichas, como Cadillacs & Dinosaurs, Captain Commando e Final Fight. Dungeons & Dragons, entretanto, veio um pouco depois desses clássicos e foi mais refinado em diversos aspectos, inclusive acrescentando elementos de RPG, o que não era — nem é — nada comum em jogos arcade.

Iron Galaxy Studios, a desenvolvedora dos remakes

Provando que ganhou a confiança da Capcom, a desenvolvedora Iron Galaxy Studios — mesma de Marvel vs. Capcom Origins e Darkstalkers Resurrection — ficou encarregada de mais esse remake, que conta com o mesmo tratamento recebido nos jogos anteriores: filtros gráficos em alta definição (sendo possível manter o visual exatamente como era naquela época, com todos os serrilhados), modo cooperativo online e várias opções de visualização, inclusive a famosa visão Arcade Cabinet, que mostra uma máquina de arcade, com controles e tudo, que se não é muito boa para jogar, é excelente para bater aquela saudade e vontade de ir ao fliperama. É uma pena, porém, que os gráficos não tenham recebido um tratamento adequado para ficarem realmente em alta definição. Trata-se tão somente de suavização dos traços, adequando para os televisores atuais. Seria interessante ver o mesmo trabalho feito, por exemplo, em Super Street Fighter II Turbo HD Remix.

A visão Arcade Cabinet não é tão boa para jogar, mas é muito nostálgica

Crônicas de Mystara

Os dois jogos do pacote são muito parecidos, mas Shadows over Mystara, além de ser mais longo, é bem mais polido que o seu antecessor, Tower of Doom. Se no primeiro jogo da série contamos com apenas quatro classes (Fighter, Cleric, Dwarf e Elf), na sequência temos o acréscimo de outras duas bem distintas e com habilidades próprias (Magic User e Thief). Além disso, é possível alternar entre elas conforme se usa um continue (o que acontece bastante), ou seja, não é necessário jogar com o mesmo personagem do início ao fim do game.

Shadows of Mystara conta com 2 personagens a mais: Magic User e Thief
As diferenças entre as classes não são apenas cosméticas, mas também de mecânica de jogo e habilidades. O anão é bom no combate corpo a corpo, sendo bastante resistente, mas é lento; Magic User, por outro lado, é uma classe que não tem muita resistência física, mas possui magias muito poderosas e habilidade de teletransporte (um tipo de dash defensivo).

A forma de jogar de ambos também é muito parecida e fiél às suas versões arcade, com um botão para pulo, outro para ataque — bastante utilizado pelas classes que não usam magia para golpear com espadas ou machados — e um botão para desferir magias diversas, após selecioná-las em um quarto botão. Até mesmo a forma de fazer essa seleção ficou menos invasiva em Mystara do que em Doom, com uma espécie de roleta para escolher itens e magias.

O cenário, como não poderia deixar de ser, considerando que o jogo é inspirado em D&D, é medieval e conta com inimigos típicos da franquia, como goblins, trolls, quimeras e, claro, dragões — enfrentar o dragão vermelho é para quem tinha muitas fichas no bolso.

Este dragão vermelho dá trabalho
Desafios ficam aparecendo no canto da tela, como matar 1000 inimigos de qualquer tipo, ou eletrocutar 25 inimigos, e concedem Victory Points por cada um, que servem para desbloquear artworks ou House Rules. Eles fazem o jogo ganhar um bom valor de replay, na medida que muitos vão se sentir compelidos a terminar todos os desafios que o jogo oferece, ou ao menos uma boa parte.

Multiplayer cooperativo e Regras da casa

Vários estilos de jogos podem ser curtidos sozinho, mas o beat 'em up é um tipo que fica tão melhor se jogado cooperativamente que é obrigatória uma boa campanha multiplayer. Em Chronicles of Mystara é possível realizar partidas com até quatro jogadores ao mesmo tempo, tanto localmente quanto online. Neste caso, graças à tecnologia GGPO, que caiu definitivamente no gosto das produtoras de remakes de jogos de fliperama, que vêm sendo lançados com frequência para o PS3. A possibilidade de entrar e sair em uma partida em andamento é algo que facilita e muito na hora de marcar uma jogatina cooperativa com os amigos, sem deixar os demais esperando por causa de pequenas incompatibilidades de horário, e também não é necessário aguardar que uma partida acabe — podemos entrar até mesmo na luta final, sem problemas.

É mais fácil e divertido com companheiros para ajudar
A campanha multijogador é mais divertida, mas também tem lá os seus pequenos problemas, como as longas pausas pelo incessante uso das magias por partes dos jogadores, que obrigam todos os demais a aguardarem o seu término para poderem seguir na jogatina — claro que ninguém vai deixar de lançar magias por isso, mas com uma grande frequência, o jogo vai ficando um pouco travado. Outro porém, é a impossibilidade de misturar os modos online e local como bem entender, o que significa que os jogadores devem jogar todos na internet ou todos localmente, sem a possibilidade, por exemplo, de dois estarem no mesmo console e outros dois online — o que é bem estranho, convenhamos.

Ao criar uma partida nova, além de decidir o tipo de lobby (público ou privado), o número de jogadores (máximo de quatro), a dificuldade e o capítulo de onde o jogo se iniciará, também é possível aplicar as "Regras da Casa" (House Rules), que são configurações que podem deixar a jogatina mais fácil, como a regra "Unbreakable", na qual os itens têm infinita durabilidade; bem mais difícil, como no caso da "Elimination Mode", que o jogador só tem "uma ficha", não é possível usar continues e vence quem durar mais tempo; ou simplesmente diferenciada, como a "Hedgehog", na qual o personagem perde dinheiro no lugar de saúde — ficar sem dinheiro significa morte. Vale lembrar, entretanto, que as House Rules precisam ser desbloqueadas, o que acontece da mesma forma que as artworks, através da Victory Points, adquiridos durante as partidas.

House Rules servem para deixar a jogatina diferenciada

De volta ao fliperama

Nós jogadores somos exigentes, ao mesmo tempo que queremos excelentes lançamentos, cheios de novidades, também desejamos os grandes clássicos, que trazem o melhor dos velhos tempos e matam a nossa saudade de uma boa jogatina descomprometida. A Capcom tem contribuído em ambas as vertentes, sendo uma das principais empresas a relançar seus jogos (ao lado da Sega). Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara é um pacote para deixar os saudosistas da época dos fliperamas e amantes do estilo beat 'em up bem satisfeitos. Se a Capcom continuar essa postura de remakes, eu acredito que podemos até mesmo manter as esperanças de ver Cadillacs and Dinosaurs no PS3. Não seria nada mal.


Prós

  • Campanha cooperativa local e online para até quatro jogadores;
  • House Rules, que permite criar regras para personalizar a jogatina;
  • Diversas classes com habilidades e mecânica distintas;
  • Desafios que aumentam a longevidade do jogo.

Contras

  • Impossibilidade de misturar jogadores locais e online;
  • Gráficos não são em alta definição, apenas receberam filtros para suavizá-los e possibilitar que o jogo rode em tela cheia.
Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara — PS3 — Nota: 8.0
Revisão: Leonardo Nazareth

Capa: Stefano Ganachi
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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