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Análise: Viaje pelo Espaço-Tempo e salve o universo usando uma gravata borboleta em Doctor Who: The Eternity Clock (PSN/PSVita)

Pra quem não conhece, Doctor Who é um cult britânico. O protagonista, The Doctor, é um dos personagens mais conhecidos do Reino Unido, ... (por Rodrigo Estevam em 08/08/2013, via PlayStation Blast)

Pra quem não conhece, Doctor Who é um cult britânico. O protagonista, The Doctor, é um dos personagens mais conhecidos do Reino Unido, e recentemente sua série se tornou um fenômeno mundial: além dos países europeus, outros como Estados Unidos, Austrália e até mesmo o Brasil abraçaram o carisma do simpático Doctor.


Doctor Who: The Eternity Clock não é o primeiro jogo inspirado na série, mas com certeza é o que recebeu mais atenção e investimento. Criado para ser o primeiro de uma trilogia (informações sobre as possíveis continuações foram prometidas para este ano), Doctor Who: The Eternity Clock traz Matt Smith como a 11ª incarnação do Doctor e Alex Kingston como River Song em uma aventura cânone: para River, a história se passa logo após os eventos vistos no episódio “Silence in the Library”, enquanto para o Doctor não fica claro exatamente o ponto (mas especula-se que seja entre a sexta e sétima temporadas).

O Relógio da Eternidade

"Será que secou o carburador?"
Em The Eternity Clock uma tempestade temporal atinge a espaçonave do Doctor, a TARDIS, fazendo com que ela caia na Terra. Ele resolve então sair para investigar o que pode ter causado a queda de sua nave, que simplesmente desaparece deixando-o preso em Londres no ano de 2012. E é aí que o jogo começa: é preciso explorar cenários no passado, presente e futuro, inclusive podendo uma mesma localidade ser visitada em diferentes eras (como por exemplo a Londres vitoriana e nos dias atuais). Alguns desses puzzles precisam ser resolvidos em diferentes períodos do tempo: uma porta selada no presente pode ser aberta no passado, permitindo o avanço pela fase e assim por diante.

Como nem sempre a TARDIS está ao seu alcance, o Doctor pode contar com River Song, que também pode viajar no tempo e... “shhh, spoilers!”. A dupla descobre que precisa viajar pelo espaço-tempo para encontrar os pedaços do Eternity Clock, um artefato que armazena informações sobre tudo o que já aconteceu ou vai acontecer no universo, e encarar criaturas como os Silence e os temíveis Daleks para salvar a história como a conhecemos.


A jogabilidade é simples (até demais): o game é um jogo de plataforma sidescroller em 2.5D onde basta percorrer as fases descobrindo caminhos, alternando entre os personagens e resolvendo puzzles para avançar na história. Um fator que pode complicar um pouco as coisas é que o Doctor não usa armas. Isso aí, por mais que a tela esteja lotada de inimigos loucos para vê-lo a sete palmos do chão, simplesmente não é possível usar força bruta. Se um Cyberman te agarrar, já era. No máximo é possível usar a Sonic Screwdriver (Chave-de-fendas Sônica), que tem papel fundamental no jogo: desde arrombar portas e desativar circuitos de Cybermats, até desfazer um filtro de percepção, a grande maioria dos puzzles são resolvidos com a sua ajuda.

É possível destrancar portas com a Sonic Screwdriver
River, por outro lado, prefere resolver as coisas à moda antiga: ela carrega consigo sua Sonic Blaster, que pode atingir os inimigos e abrir caminhos que o Doctor normalmente não seria capaz de acessar. Seja usando seu batom alucinógeno ou destruindo escotilhas com sua pistola sônica, River Song é uma poderosa amiga e aliada.
"I wear a fez now. Fezzes are cool"
The Eternity Clock conta com colecionáveis que com certeza vão agradar bastante aos fãs de Doctor Who: River coleta fragmentos de páginas de seu diário espalhadas pela fase, enquanto o Doctor coleciona... chapéus. Isso mesmo, pode ir se preparando para fuçar cada canto de cada estágio, porque vai valer a pena. Ao visitar o menu de colecionáveis é possível visualizar seus chapéus e ouvir declarações do Doctor sobre cada um deles (inclusive uma declaração de amor a seu Fez de “estimação”) ou dar uma bisbilhotada no misterioso diário de River Song, cujo conteúdo era um mistério em toda a série até então.
Os maiores trunfos do jogo são seus cenários e sons. Apesar de ser um jogo em 2D, todos os estágios foram criados em 3D, e isso fica perceptível quando se chega a uma curva e a câmera gira para acompanhar os personagens. É possível visualizar todo o ambiente em três dimensões, cada pedacinho do cenário recebeu a devida atenção da equipe de desenvolvimento, mas isso acaba sendo prejudicado pela câmera. Os personagens ficaram bastante parecidos com suas contrapartes do seriado, visto que um dos objetivos da BBC era criar um game mais sério e que se destacasse dos demais jogos da série. A dublagem com as vozes e a captura dos movimentos dos atores do seriado inglês em uma ótima atuação também contribuem bastante para a identificação com os personagens.

Todos os cenários do jogo foram criados em 3D

Os sons, desde o barulhinho característico da Sonic Screwdriver ao à movimentação dos Daleks, parecem saídos direto de um episódio da série, sem contar a trilha sonora. A música tema de Doctor Who também está presente, claro, bem como a trilha do 11º Doctor composta por Murray Gold.

Tema do 11º Doctor, por Murray Gold

Geronimoooooo!

Por mais que o game tenha seus acertos, muita coisa acaba atrapalhando a experiência de jogo. Por ser um título para PSVita, The Eternity Clock te força a resolver a maioria dos puzzles utilizando a tela de toque. Mas o pior é que o problema não é bem isso, o que realmente dá nos nervos é que o jogo não responde tão bem aos controles por toque. Nos puzzles onde é necessário girar alguns círculos para formar imagens com certeza seria muito mais simples se o jogo oferecesse a opção de resolver tudo utilizando o direcional, já que é bem difícil navegar entre as camadas de círculos sem errar algumas vezes. A impressão que passa é de que quiseram enfiar controles de toque pra justificar o lançamento no Vita ou algo assim.

Acredite: os puzzles chegam a ser maçantes

Seria mais fácil dar a volta...
Outro ponto que deixa bastante a desejar é a opção pela jogabilidade em 2.5D: chega a ser bizarro ter de subir em plataformas e caixotes para passar para o outro lado do cenário quando pode-se ver claramente (graças à sensação de profundidade dos cenários em 3D) que o personagem poderia simplesmente dar a volta no obstáculo e prosseguir tranquilamente rumo ao seu objetivo. É só dar uma olhada na imagem aí ao lado para perceber o que estou dizendo: enquanto mais à frente existe uma porção de objetos impedindo a passagem, neste ponto específico só tem essas prateleiras... e mais nada. É bizarro não poder dar a volta.

A inteligência artifical de River Song, que acompanha o jogador quando estamos controlando o Doctor, também não ajuda muito. Não vai ser difícil vê-la correndo de um lado para o outro aparentemente sem saber o que fazer, ou então agarrada em alguma parte do cenário. Os puzzles também são bastante repetitivos, beirando o chato, e alguns um tanto complicados, então se alguma hora a situação apertar demais o jogo permite diminuir a dificuldade dos puzzles. Também existem alguns erros de continuidade em relação aos episódios da TV, mas não chega a ser nada que realmente atrapalhe a experiência de jogo.

Por conta da IA, infelizmente nesse jogo a Professora Song não é tão inteligente assim.

Doctor Who: The Eternity Clock é um prato cheio para os fãs da série britânica. Recheado de referências a episódios e personagens, o título para o PSVita tem forte apelo comercial também por se tratar de uma história que se encaixa na trama do seriado. Se você é fã de Doctor Who e quer se aventurar em viagens no tempo e combater os Daleks no seu Vita, The Eternity Clock é uma boa pedida e, na condição de Whovian, posso dizer que recomendo fortemente que você dê uma chance ao título. Qualquer coisa é só diminuir a dificuldade dos puzzles mais complicados e curtir a história, que é cheia de diálogos interessantes e tecnoblablablá. Agora se você não conhece Doctor Who (ou não gosta da série) e não pretende usar o jogo como porta de entrada para o fandom do doutor sem diploma de medicina mais carismático do universo, passe longe desse game, com certeza existem opções melhores no catálogo do Vita.

Prós

  • História digna dos melhores episódios da série;
  • Trilha sonora impecável;
  • Atuação perfeita de Matt Smith e Alex Kingston;
  • Cenários em 3D bastante detalhados;
  • Toneladas de referências e citações;
  • Altamente indicado para fãs da série britânica.

Contras

  • Efeito 2.5D risível;
  • Inteligência artificial mal desenvolvida;
  • Uso da tela de toque obrigatório e totalmente dispensável;
  • Puzzles repetitivos e, consequentemente, um pouco chatos;
  • Alguns furos no roteiro e incongruências com a trama da série.
Doctor Who: The Eternity Clock - PSVita - Nota: 6.5
Revisão: Thomas Schulze 
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

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