Blast Test

Revivendo o reino devastado com a versão beta de A Realm Reborn: Final Fantasy XIV!

Após o fracasso que foi o último Final Fantasy XIV , a Square Enix foi obrigada a destruir uma era inteira ( End of an Era ), com rei... (por Gustavo Dourado em 26/08/2013, via PlayStation Blast)

Após o fracasso que foi o último Final Fantasy XIV, a Square Enix foi obrigada a destruir uma era inteira (End of an Era), com reinos, deuses, guerreiros e tudo mais, para poder fazer jus ao nome da franquia. O mundo de Eorzea foi totalmente reconstruído para que seus guerreiros fossem lembrados com honra, por sua última batalha contra a aparição da Besta Celestial Bahamuth. Essa missão foi cumprida? Descubra agora com o teste da versão beta de A Realm Reborn!

O desastroso início

Lançado pela primeira vez em 2010 (Beta), Final Fantasy XIV já criava uma certa "polêmica" por suas vastas reclamações por conta de controles "muito complicados", interface de difícil entendimento e esteticamente ruim, pouca variedade de conteúdo e outros detalhes. Sinceramente vi vários gameplays do jogo e realmente preciso concordar. As batalhas eram monótonas ao extremo e facilmente enjoativas (confesso que dormi assistindo um dos vídeos).

Algum tempo depois de seu lançamento o jogo foi cancelado e recebeu um trailer, chamado de End of an Era (Fim de uma Era), onde em meio a uma guerra dentre a Aliança Eorzean e o Império Garlean, a besta celestial, Bahamuth, é libertada e interrompe a batalha, destruindo tudo o que está em seu caminho. Os heróis presentes na batalha são teleportados a um outro local, onde será o início da nova era, ou do reboot do game.

O Renascimento

Após o fechamento dos servidores, a Square Enix decidiu soltar vários trailers para demonstrar como estava ficando o novo projeto. De trailers de gameplay, até CGs (se é que essas ainda existem por lá), a ansiedade voltou a fluir nos fãs, que começaram a gostar da nova cara do game. Até que finalmente anunciaram que iriam abrir os servidores para a versão Alpha nos PCs e a versão Beta no PS3, ambos para que os jogadores testassem o game.

Após ser um dos vários (mas vários mesmo) sortudos a receber uma key para ter acesso ao game, fui ansiosamente baixá-lo para ver qual poderia ser o resultado da nova aventura. E posso lhes dizer, caros leitores, que as mudanças não foram poucas.

Algo realmente interessante é o fato de que a empresa pedia para que os jogadores opinassem sobre o jogo, o que poderia estar por lá, o que poderia ser retirado e o que poderia ser arrumado.


Adentrando em um novo mundo

Como o próprio nome da versão sugere, essa era a versão de testes do game, portanto, alterações poderiam e surgiram de tempos em tempos, até a versão final estar completa e totalmente corrigida, de acordo com o desejo dos fãs.

Logo no início do jogo, já consigo problemas com a conexão, tais esses que são realmente raros com outros jogos, mas a frequência deles em FFXIV acabou me espantando. Quando consegui conectar-me com o servidor, mais um choque: As telas de login e atualização eram minúsculas! Acho que sei como meus avós se sentem quando tentam ler as bula de alguns remédios.

Após passar pela tela de login e iniciar de fato o game, um vídeo explicando a história de o que houve até o momento em Hydealyn me foi mostrado e logo após fui direcionado à tela de criação de personagem. E lá me deparo com outra bizarrice: Ao contrário do menu anterior, esse era ENORME! Tão grande que algumas opções simplesmente não cabiam na tela da TV e desapareciam.

As raças

Há cinco classes diferentes no game, são elas Hyur, Miqo’te, Elezen, Roegadyn e os Lalafell. Cada uma dessas raças possui dois clãs, ou melhor, dois povos diferentes. Para os já familiarizados com o outro título online da franquia, Final Fantasy XI, algumas raças habitantes de Hyadaelyn podem ser muito familiares às habitantes de Vana’diel (mundo onde se passar FFXI), Hume, Mithra, Elvaan, Galka e Tarutaru, sendo que algumas dessas só possuem apenas um sexo disponível.

Os Hyur são a raça mais populosa de toda Eorzea, o continente em que jogamos, e são separados em dois povos: Midlanders e Highlanders. Os Midlanders, como o próprio nome já diz, são aqueles que preferem habitar terras não muito altas, eles fazem parte de mais da metade de toda a população de Hyur do continente. Já os Highlanders são conhecidos por possuírem uma longa história de residência em localidades altas, geralmente em montanhas. Eles possuem uma distinção física notável, se comparado aos Midlanders, sendo mais altos e visivelmente mais fortes.



Miqo’te são a raça “felina” do mundo, possuindo orelhas pontudas relativamente grandes e uma cauda. Eles são a menor raça de todo o continente, em questão de quantidade, e preferem viver solitários, tanto que os homens procuram uma certa distância de outros de sua raça. São separados em dois povos, os Seekers of the Sun (Perseguidores do Sol) e os Keepers of the Moon (Protetores da Lua). Os Perseguidores do Sol são aqueles que têm tendências diurnas, ou seja, eles preferem a luz do dia, provavelmente por adorarem a Deusa do sol, Azeyma e são uma parte consideravelmente pequena da raça em Eorzea. Os Protetores da Lua fazem parte do clã noturno da raça, ou seja, eles têm a preferência de se aventurar de noite. Eles adoram a Deusa da lua, Mephina a Amorosa.

Os Elezen são fisicamente mais altos e possuem um tempo de vida consideravelmente maior que os Hyur, além de já terem declarado domínio total do continente de Eorzea, o que foi desfeito com o tempo para que o convívio entre as raças fosse possível. Isso resultou em uma grande consideração por possuírem um enorme senso de honra e coragem. Os Wildwood habitaram por séculos as florestas, mas com o tempo migraram para as cidades. Um dos grandes pontos fortes deles é sua habilidade de argumento. Os Duskwhight possuem uma certa repulsa para com as cidades grandes e por isso vivem em cavernas dentro de florestas.

Prefere força bruta? Então conheça os Roegadyn. Conhecidos por sua lealdade e compaixão, são considerados os maiores guerreiros de Eorzea, não só no tamanho, mas também por suas habilidades e visível força bruta. Seus ancestrais eram exploradores que viajavam pelos mares e se separaram em dois povos: Os Sea Wolves, descendentes daqueles que foram para os mares do norte, e os Hellsguard, descendentes dos que foram além dos mares do norte. Antes temidos como piratas, os Sea Wolves agora são geralmente encontrados como comerciantes e possuem este nome para manter a cultura de sua raça. Já os Hellsguard geralmente se tornavam mercenários e, para serem lembrados, procuravam nomes de fácil lembrança, como palavras comuns do dia a dia. Hoje, geralmente, são encontrados como guardas.

Os Lalafell podem não intimidar pela aparência, ou até pelo tamanho, mas engana-se quem os subestima. Eles são a menor raça (agora sim, em tamanho) de toda Eorzea, não chegando a passar nem mesmo do tamanho de uma criança considerada pequena. Eles são descendentes de agricultores, que sempre habitaram ilhas ou costas com grande fertilidade. Eles são muito sociáveis e realmente hospedeiros. Os Plainsfolk geralmente vivem em áreas férteis, mantendo a tradição de seus ancestrais, mas podem ser encontrados em muitos lugares que não é de costume vê-los. Os Dunesfolk são, de certa forma, viciados em comércio, pois possuem uma certa habilidade de colocar em prática as ideias que possuem com grande eficiência.

Criação de personagens

Deixando os problemas anteriores de lado e aproveitando as informações das raças, vamos ao que realmente interessa! O jogo, como qualquer MMORPG, possui um sistema de criação de personagens, mas esse realmente me surpreendeu pela quantidade e qualidade de detalhes.

Cada raça e clã possuem suas próprias características de customização, seja alguma tatuagem a mais ou uma cauda, mas a aparência em si é o que domina. Os gráficos maravilhosos do jogo simplesmente aumentam a qualidade dos detalhes em todos os sentidos. Algo que nos jogos atuais do tipo (Fantasy MMO) já é normal, mas nem sempre apresentado de uma forma tão boa.

Na criação de personagem, além da aparência do mesmo, é possível escolher também as classes, é claro, os Jobs do personagem, o mundo em que ele será encontrado (basicamente, o servidor), a Besta que ele (a) adora e os atributos, sendo que estes serão baseados na Raça e Clã que o personagem se localiza.

Em Hyadaelyn há três continentes, Eorzea, Garlean, onde habitam os membros do império que ameaça a aliança, e Aldenard. O jogador começará sua aventura em um continente sob o controle da Aliança Eorzea, em uma das cidades, Ul’dah, Gridania, Limsa Lominsa, Mor Dhona, Ala Mhigo ou Ishgard.

Cada cidade-estado possui características próprias, com monstros próprios rondando pelas redondezas, sendo estes incrivelmente variados, tanto em tamanho quanto em aparência e habilidades. Os detalhes de cada uma são incrivelmente bem feitos e conseguem realmente animar.

Armory System

O sistema de classes é separado por algo chamado de Armory System, que engloba tudo voltado às classes do personagem. As classes são basicamente o que define qual arma você será apto a usar, além de também definir a cidade em que se localizará inicialmente. Dentre as classes disponíveis estão: Os Discípulos da Guerra, que são especializados no combate com armas, os Discípulos da Magia, o qual o próprio nome é autoexplicativo, os Discípulos do Punho, os quais utilizam recursos naturais de Eorzea para construir artefatos e os Discípulos da Terra, estes que vivem da pesquisa e estudo dos recursos naturais.

As subclasses disponíveis para cada classe definem qual arma especificamente ele irá utilizar durante todo o game. Dos Discípulos da Guerra: O Gladiador, que utiliza espada e escudo, O Pugilista, que utiliza manoplas ou garras, O Saqueador, que utiliza armas enormes de duas mãos (geralmente machados), O Lanceiro, autoexplicativo, e O Arqueiro, também autoexplicativo.

No caso dos Discípulos da Magia, o que será definido será o tipo de magia que eles poderão utilizar. Dentre eles estão O Conjurador, que utiliza as magias da natureza, O Taumaturgo, que utiliza tanto a magia negra quanto maldições, e O Arcano, que utiliza magias faladas e podem evocar forças para ajudá-lo.

Os Discípulos do Punho são os artesãos do jogo e ganham experiência construindo itens com suas skills e materiais fornecidos. Já os Discípulos da Terra são os botanistas, ou seja, eles também ganham habilidades fazendo atividades, digamos, diárias, como um sistema de “Second Life”.

A volta dos Jobs

Se você é um fã da franquia, deve muito bem se lembrar do sistema de Jobs, não? Pois é, eles estão de volta!

Se você não está acostumado com este sistema, não se preocupe, pois não é muito difícil de ser explicado. Jobs são os caminhos que podem ser colocados como uma “mestria”, ou seja, a sua habilidade é elevada conforme sua classe, já que cada uma tem seu próprio. Basicamente, é uma subclasse dentro de uma subclasse!

Os Jobs de cada classe são: Paladino, para os Gladiadores, este sendo equilibrado entre ataque e defesa; Monge, para os Pugilistas, este focando totalmente em ataques corpo-corpo; Guerreiro, para os Gladiadores, este sendo geralmente a linha de frente das batalhas, totalmente focado em ataques corpo-corpo; Dragoon, para os Lanceiros, estes sendo algo muito semelhante a Kain, de Final Fantasy IV, onde o foco está nas “batalhas aéreas”, perfurando os inimigos; Bardos, para os Arqueiros, estes que se concentram mais em aumentar os status (buffs) dos personagens do grupo; White Mage, para os Conjuradores, estes que servem como “curandeiros” para os companheiros; Black Mage, para os Taumaturgos, que focam totalmente em ataques mágicos e fortemente concentrados; Evocadores (Summoners), para os Arcanos, estes que buscam evocar bestas extremamente poderosas, como o próprio Ifrit, e Scholar, também para os Arcanos, estes que podem utilizar pets (animais de estimação) para lutar.


Cada Job e classe possui habilidades únicas, algo que diversifica e muito o conteúdo do jogo.

E o gameplay...?

O gameplay de ARRFFXIV é um dos melhores que já vi em toda a minha vida de jogador de MMOs. O jogo foi realmente feito para ser jogado no console, de tal forma que qualquer coisa que fizer, como movimentação ou execução de skills, flui perfeitamente.

Um dos únicos problemas que conseguiu me irritar em meio ao jogo, nem mesmo foi algo próprio do jogo, mas sim do próprio console. Os botões L2 e R2 do Dualshock 3 são, de certa forma, “soltos”, ou seja, se não forem pressionados com uma certa precisão, podem acabar escapando e resultando em estragos. As skills são ativadas com o botão R2/L2, fazendo assim com que, em meio ao desespero da batalha, o botão escapasse de meus dedos e com isso, a mira era liberada e o personagem parava de atacar, mas não de ser atacado (algo que me custou algumas horas e muita irritação).

A HUD do game também possuía o mesmo problema da tela de login, ou seja, ela era enorme, mas nada que algumas horas configurando-a não tenham resolvido.

O game também possui algumas cutscenes que apresentam algumas situações referentes à estória do jogo e que, para a minha surpresa, por se tratar de um MMO, são dubladas em inglês.

Os fatos e deveres!

Como todo bom e velho RPG, o jogo possui um sistema de Quests, este que pode se tratar da trama principal ou ser uma simples sidequest, além de que cada uma pode acabar possuindo características únicas.

As main quests (missões principais) variam e muito entre entregar um item a um NPC (Non Playable Character, ou Personagem Não Jogável), caçar uma determinada quantidade de monstros, que são variadíssimos, pegar algum item em um determinado local ou até mesmo explorar uma nova área ou dungeon, sendo algumas delas com direito até a lutas épicas.


Algumas das quests principais são chamadas de “Deveres” (Dutys), os quais são executados de uma forma diferente. Para fazê-las, é necessário estar em uma certa área para poder “ativá-los”, de modo com que os monstros que serão evocados para a sua caça se ajustem ao seu nível, ou ao nível do seu grupo, além da possibilidade de serem realmente enormes ou “especiais”, com algum certo atributo específico.

Já outras são chamadas de "Fatos" (Fate) e são executadas de uma forma muito semelhante aos deveres, mas ao invés de você “ativar” a missão em um determinado local, ele será ativado automaticamente em um local randômico, seja próximo ou não do jogador, além de que os monstros já possuirão um nível propriamente definido. Este tipo de missão não possui uma necessidade de ser feita.

O apelo dos fãs e o apoio da empresa

Como eu havia dito anteriormente, a empresa deixou para os fãs, nos fóruns do game, o direito de opinar sobre os erros e possíveis melhoramentos que poderiam ser feitos no jogo, algo que realmente é muito bom tanto para a empresa, quanto para o jogador em si. Mesmo com certa demora, todos os erros apontados anteriormente nesta matéria, com exceção dos botões, é claro, foram corrigidos na versão final, esta que foi disponibilizada para um último e definitivo teste no último dia 16 de agosto e já foi encerrada.

Outra coisa que realmente me impressionou foi o fato da empresa não restringir o acesso a simplesmente uma determinada região, mas sim disponibilizá-lo mundialmente, uma prova disso é o fato de minha conta na Square Enix possuir endereço e dados brasileiros.


A Realm Reborn: Final Fantasy XIV realmente consegue reviver o game com grande estilo e impressionar tanto pela reforma maravilhosa que foi feita quanto pela atenção da empresa para com os fãs, que reclamaram e conseguiram chegar a um acordo, por assim dizer. Após a amostra que obtive, realmente fiquei muito ansioso para me ingressar de vez neste novo mundo.
Revisão: Ramon Oliveira
Capa: Douglas Fernandes 

Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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