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Análise: Dragon’s Crown traz um emocionante e divertido universo para a tela do seu PS Vita

Se você é daqueles fãs inveterados do gênero beat ‘em up e tem um PSVita, deve estar bastante decepcionado com a falta de jogos do estilo... (por Rayner Lacerda em 01/09/2013, via PlayStation Blast)


Se você é daqueles fãs inveterados do gênero beat ‘em up e tem um PSVita, deve estar bastante decepcionado com a falta de jogos do estilo. Na verdade, deve estar decepcionado com a falta de jogos de todos os estilos, mas isso é outra história. Pensando nisso, a Vanilla Ware (criadora de Odin Sphere e Muramasa: The Demon Blade) resolveu acabar com a frustração dos jogadores e anunciou Dragon’s Crown, um título que chegou causando ótimas impressões.


Não sei vocês, mas eu sempre fui fã do gênero beat ‘em up. Desde a época do SNES eu adorava perambular pelas fases derrotando inúmeros inimigos. É uma pena que esse estilo esteja bastante abandonado nos dias de hoje, resultado talvez da ascensão dos hack and slash. Por isso, recebi com muito entusiasmo o anúncio de Dragon’s Crown, além do fato de ser mais um jogo para o Vita unindo, assim, o útil ao agradável.

Memória de Tavernas

Ao jogar os primeiros minutos do jogo, tive um sentimento peculiar: me senti em uma Taverna. Sabe aquelas que ficam na beira da estrada, onde diversos viajantes misteriosos se hospedam e trocam experiências? Pois é. Esqueci dos problemas mundanos e me senti um jovem bruxo, pronto para partir em uma aventura.


Nada mais justo, afinal, o jogo se passa em um universo dominado pela espada e magia, onde grandes aventureiros percorrem os mais perigosos labirintos em busca de glória e fortuna. O grande objetivo aqui, como o próprio nome sugere, é buscar um artefato chamado Dragon’s Crown, com misteriosos poderes. A história é bem fluida, contada através de diálogos que mastigam os eventos para você.

A execução é muito simples. Você anda pela cidade e pode entrar em determinados locais: a taverna (ou pensão), uma loja gerida por uma bruxa, uma guilda onde você completa missões, um templo e o castelo onde os eventos da história se desenvolvem. Há também um portal e um estábulo, que servem como via de acesso às dungeons.  

Você tentou ser interessante, Vivian. Eu te perdoo.
O jogo até tenta te fazer sentir em um ambiente cheio de intrigas políticas, além de deixar pequenas escolhas em suas mãos, mas não consegue isso de forma satisfatória. Isso porque o seu principal motivo não é esse. Por mais que a história tenha sua importância, ela fica em segundo plano. Como em todo clássico beat ‘em up, os grandes destaques são os personagens e a jogabilidade.

Aventureiros para todos os gostos

Não sei vocês, mas em todo jogo do gênero que eu joguei, os personagens foram muito marcantes. Não é para menos, afinal, você percorre inúmeros lugares e enfrenta milhares de inimigos ao lado deles. Em Dragon's Crown não é diferente. Os personagens foram muito bem construídos e feitos para todos os gostos.

O guerreiro, por exemplo, é o mais resistente de todos, servindo como o escudo do grupo. A amazona possui grande agilidade e um ataque bem eficaz com sua longa espada de duas mãos. O bruxo, apesar de frágil, é o responsável por verdadeiras devastações com seus ataques de área e suas magias destrutivas. Se você preza por ataques a distância, a elfa será definitivamente a sua escolha, por outro lado, se prefere o clássico combate corpo a corpo, o anão suprirá todas as suas necessidades. Por último, se você é adepto das artes das trevas, a feiticeira te ajudará a transformar os inimigos em sapos, invocar esqueletos e causar um verdadeiro caos no campo de batalha.


Além de bastante diferenciados, cada um dos personagens possui uma árvore de habilidades únicas, onde você pode escolher os golpes que melhor lhe atendam. Além disso, há também um leque e habilidades comuns a todos os aventureiros que, apesar de diversificado, não vale muito a pena. Ainda mais levando em conta que os pontos de habilidades ficam cada vez mais difíceis de se obter ao longo da aventura. Por isso use-os com sabedoria.


Como sou simplesmente fascinado com qualquer coisa que envolva magia, escolhi o bruxo. Não me arrependi em nenhum momento. Apesar de não ter muito HP, ele é capaz de fazer um verdadeiro estrago com a Chuva de Meteoros (se você conseguir a proeza de invocá-la). Mas as outras magias também cumprem bem o seu papel. O personagem é bem versátil, ainda mais se você equipá-lo com a habilidade de levitar.

Cheguei a jogar com outras classes também, e gostei muito da elfa. O fato é que essa variedade de personagens adiciona um fator replay muito bacana ao jogo, pois você fica com vontade de explorar o mundo com todos, desvendando cada habilidade. Isso se torna ainda mais complexo se levarmos em conta o uso dos equipamentos, que devem ser escolhidos a dedo se você quiser ter boas chances.

Aventure-se em perigosas dungeons

As dungeons ocupam um grande destaque no título. Espere encontrar locais dignos de todo mundo de fantasia decente: florestas, calabouços, torres misteriosas, navios fantasmas e por aí vai. Todas são muito bem desenhadas, então não se assuste se em alguns momentos você se sentir em uma pintura.


Como todo bom jogo do gênero, no início você não tem liberdade para escolher em qual dungeon quer ir, ficando a mercê da história e seu desenvolvimento. Mas isso acontece de forma bem fluida, então não se preocupe. São as quests as grandes responsáveis por leva-lo aos níveis do jogo.

Apesar de alguns personagens isolados fazerem pedidos, a Guilda é o grande local onde você escolhe as missões. Prepare-se para coletar itens específicos, procurar pessoas desaparecidas e até mesmo roubar alguns tesouros sem acordar um bando de orcs. Variadas e para todos os gostos, elas com certeza vão ocupar o seu tempo.

Principalmente pelas recompensas. Além da possibilidade de visitar as fases para coletar itens, as quests oferecem uma boa dose de XP, pontos de habilidades e, o mais legal, uma incrível arte conceitual para você ficar ainda mais surpreso com a qualidade artística do jogo. É bom explorar cada cantinho das fases, em busca dos esqueletos que podem ser ressuscitados em diferentes personagens, aumentando assim a sua estratégia.


Mas o melhor aspecto, aquele responsável por proporcionar o verdadeiro senso de aventura, é o modo online cooperativo, afinal, nada melhor do que se aventurar pelos calabouços ao lado dos seus amigos, não é mesmo? E você pode fazer isso chamando até três deles para enfrentar os perigos e te ajudar. Afinal, nem sempre dá para confiar na IA, já que algumas dungeons podem ser bem difíceis, especialmente se você estiver jogando com alguma classe que não tenha tanta resistência.

Uma pena que não há qualquer possibilidade de um jogador com o seu Vita poder explorar as fases junto a um amigo com o seu PS3. É sempre bom integrar as plataformas de alguma maneira que não seja apenas compartilhar o save game. Fica a dica para um próximo título.

Repetição e apelo sexual desnecessário

Ok. Nem tudo são flores na criação da Vanilla Ware. Dragon’s Crown é um ótimo jogo, mas possui dois problemas que, apesar de não atrapalharem a diversão, são bem sérios. O primeiro deles é a repetição exagerada: há somente nove dungeons no jogo. Você vai ter que visita-las inúmeras vezes se quiser completar tudo. Mesmo com a adição dos caminhos A e B, acaba ficando enjoativo com o tempo. Isso era compreensível a anos atrás, quando a tecnologia não permitia ou não havia um interesse por jogos tão extensos. Mas atualmente isso soa como preguiça. O jogo poderia ter ficado muito mais rico com um número maior de estágios para explorar.


O segundo deles é um pouco mais preocupante: o apelo sexual totalmente desnecessário. Como bem mostrou o competente Fellipe Camarossi em seu ótimo artigo, isso está se tornando um denominador comum na indústria. No que diz respeito ao título em questão, isso é ainda mais evidente. Vemos um show de corpos seminus, poses eróticas e outros detalhes com claro apelo sexual.

A grande questão é que o jogo não precisa disso para ser divertido. Eu jogaria com a feiticeira, tendo ela seios avantajados ou não. Tudo o que eu vejo é uma atitude desesperada da Vanilla Ware para chamar a atenção. Caso ela ainda não saiba, basta fazer um bom produto que isso acontece.

De toda forma, esses problemas não atrapalham, de forma alguma, a sua diversão com o jogo. Até porque, o grande barato é ficar voltando às dungeons para caçar os monstros e evoluir o seu personagem. Ao menos nesse ponto, o fator replay funciona de forma primorosa.

Obra de arte

Apesar do jogabilidade extremamente divertido, o que realmente impressiona à primeira vista é o visual. Tudo é tão bonito que parece uma pintura viva, e talvez essa tenha sido a intenção da produtora. O jogo possui um layout sensacional, diferente de tudo o que eu já vi no gênero. Parece que cada dungeon, além de cada uma das centenas de criaturas, foram feitas à mão por uma equipe de desenhistas habilidosos. Com certeza será um dos mais belos visuais que você verá na já incrível tela do portátil.

Com uma ótima construção de personagens, um gameplay sólido e uma direção de arte magnífica, Dragon’s Crown é uma ótima oportunidade para você retirar a poeira do PS Vita e se perder em calabouços desafiadores. Garanto que você ficará bem ocupado, ao menos até a chegada de Tearaway.

Prós

  • Visual fantástico;
  • Personagens marcantes;
  • Jogabilidade fluida;
  • Combate divertidíssimo;
  • Nostalgia da era de ouro dos beat 'em up.

Contras

  • A pouca quantidade de dungeons deixa o jogo repetitivo;
  • Apelo sexual totalmente desnecessário.
Dragon's Crown - PlayStation Vita - Nota 8.5
Revisão: Ramon de Oliveira de Souza
Capa: Daniel Machado
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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