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Análise: FIFA 14 é um show de futebol na tela do seu PS3

Não temos muitas certezas na vida, mas há coisas com as quais sempre podemos contar: a morte, um especial do Roberto Carlos no Natal, joga... (por Thomas Schulze em 12/10/2013, via PlayStation Blast)

Não temos muitas certezas na vida, mas há coisas com as quais sempre podemos contar: a morte, um especial do Roberto Carlos no Natal, jogadores reclamando do Xbox One na internet e uma nova edição de FIFA sendo lançada anualmente pela EA.

FIFA ficou um bom tempo amargando o vice campeonato pela preferência entre os jogadores de futebol virtual e assistindo passivamente o reinado de Winning Eleven / Pro Evolution Soccer (PES), mas desde a sua edição de 2011 a série assumiu a ponta da tabela, se tornou quase uma unanimidade entre os jogadores e, ao que tudo indica, está curtindo bastante o gostinho da liderança. Assim, a versão 2014 de FIFA chega ao mercado para provar que a série não é apenas um cavalo paraguaio e consolida ainda mais o seu nome como sinônimo de grande simulador de futebol da atualidade.


O toque de bola é nossa escola

Desde FIFA 12 a jogabilidade da série - situada em um perfeito meio termo entre a simulação realista e o ritmo empolgante das peladas arcade - dá um show de bola e humilha os adversários. Nunca há um momento de tédio com os controles, independente do seu nível de habilidade. Seja você um fifeiro veterano ou um jovem recém promovido das categorias de base, em poucos minutos você já vai estar marcando gols de placa graças à acessível curva de aprendizado proposta pelo game.

Os fãs de PES podem argumentar, com uma boa dose de razão, que os passes de FIFA ainda não estão tão precisos quanto os da série da Konami, mas isso é facilmente compensado por um sistema de controles solto, ágil e gostoso de jogar. Cada um dos jogadores em campo se move de forma independente e a inteligência artificial sempre trabalha a seu favor na criação de boas jogadas. Controlar a defesa do time continua sendo um dos pontos táticos mais fortes da franquia e garante partidas sempre bem equilibradas, para tristeza dos apelões de plantão.

As alterações em relação à FIFA 13 são bem sutis e, num primeiro olhar, é até difícil diferenciar os dois jogos. Mas podem acreditar que as mudanças, mesmo pequenas, estão lá: leves aprimoramentos na excelente engine de física garantem que aquele sentimento estranho de ter a bola colada nos pés dos jogadores praticamente desapareça, e a experiência como um todo está bem mais fluída e próxima do futebol real. Ainda assim, é impossível jogar e não imaginar que a verdadeira revolução ficou guardada para a versão de PlayStation 4, usuária da promissora engine Ignite da EA.

O maior campeonato de todos

É bem claro que o hardware do PlayStation 3 já foi levado até seu limite na edição do ano passado de FIFA, então não espere por qualquer avanço gráfico aqui. A grande maioria dos jogadores lembra apenas remotamente suas contrapartes reais, e apenas algumas dezenas dos mais famosos jogadores do mundo tiveram suas aparências fielmente reproduzidas. Bola fora, mas perfeitamente compreensível quando levamos em conta os milhares de jogadores que fazem parte de FIFA 14.

Alguns poucos atletas, como nosso craque Neymar, foram fielmente reproduzidos no game.


Há mais clubes do que nunca e o que não falta são ligas para disputar, então nem dá para invejar os jogadores de PES só porque eles tem a UEFA Champions League e a Copa Libertadores licenciadas. Os uniformes, bolas e estádios estão todos atualizados, como era de se esperar, e há até algumas surpresas bacanas como a inclusão do lendário estádio argentino La Bombonera. No fim das contas, chega a assustar a quantidade de times e ligas licenciadas.

Os menus, alvo de constante reclamação dos jogadores, finalmente receberam um tratamento adequado e agora estão muito mais organizados e acessíveis. Tudo bem que as coisas seguem longe do ideal e ainda dá um certo trabalho encontrar aquele modo de jogo secundário que você estava procurando, mas no geral tudo ficou um pouco menos confuso nesse novo design fortemente influenciado pela interface do Windows 8.

Qualquer semelhança com os menus do Windows 8 não é mera coincidência. Mas, diabos, ainda é difícil achar certos modos nesse mar de janelas.

Treino é treino, jogo é jogo

FIFA é famoso por contar com inúmeros modos de jogo e felizmente a tradição foi mantida esse ano. O Pro Clubs permite que você crie seu próprio jogador do zero e entre em um clube para disputar partidas com dezenas de jogadores reais, cada um assumindo uma posição em campo. Embora seja uma ideia legal no papel, a EA ainda não conseguiu encontrar um modo de punir os jogadores fominhas ou aqueles que entram nas partidas e jogam contra o próprio patrimônio procurando apenas um boost de troféus, então fica bem complicado se divertir aqui.

Nos jogos de habilidade é possível aperfeiçoar suas técnicas nos mais variados fundamentos. Esse modo é a perfeita porta de entrada ao universo de FIFA, mas você vai se pegar jogando os minigames de habilidade mesmo quando já estiver no mesmo nível que o Neymar e o Messi, já que rankings de pontuação online permitem que você entre em uma divertida competição com seus amigos.

Também é possível começar o modo carreira jogando como treinador ou como um craque dentro de campo, mas independente de sua escolha o modo carreira não empolga. Simular o calendário é muito demorado e as dezenas de recursos acabam sendo sinônimo de burocracia ao invés de possibilidades divertidas, então prepare-se para penar e esperar muito tempo até que possa disputar uma simples partida. Se quiser mandar um olheiro para contratar jogadores então, melhor esperar sentado!

Muita burocracia e pouco futebol dão o tom ao modo carreira. Administração por administração, melhor jogar o bom e velho Elifoot II.



Há um bom tempo que o modo carreira não é mais o carro chefe de FIFA e, convenhamos, a própria EA parece tê-lo deixado meio de lado, preferindo priorizar os modos de jogo online. Um bom exemplo é o excelente Ultimate Team, uma espécie de Master League melhorada que conquistou os jogadores de todo o mundo graças ao sistema de micro transações que mais parece com aqueles álbuns de figurinha que todo moleque adora colecionar.

Essa ideia de priorizar os modos online acaba funcionando muito bem graças à perfeita integração entre os modos de jogo. Tudo que você faz no game acaba rendendo pontos de experiência que podem ser trocados por recompensas bacanas como novos uniformes, comemorações e até mesmo pontos nas temporadas, garantindo um título que parecia perdido ou até mesmo evitando aquele rebaixamento vergonhoso.

O modo Ultimate Team segue mais viciante do que nunca!

Pior que o som das vuvuzelas

A trilha sonora de FIFA 14 segue a recente tradição de contar com dezenas de faixas de bandas menos expressivas, mas todos sabemos que elas são escolhidas a dedo e que dentro de alguns meses elas estarão embalando os comerciais de TV mais descolados. Artistas como Jake Bugg, Bloc Party, Vampire Weekend e Foals devem fazer a alegria dos jogadores indie e, mesmo que você não seja muito fã desse rock mais alternativo, ainda é melhor do que ouvir “Ai se eu te pego” nos menus, certo?


Já que estamos falando sobre ouvir coisas ruins, mais uma vez a narração fica a cargo de Tiago Leifert e Caio Ribeiro. E tal qual minha análise do jogo passado, ainda considero insuportável ouvir alguém que não trabalha como narrador dando pitacos durante minhas partidas. Verdade seja dita, a qualidade do texto de Tiago e a quantidade de linhas de diálogo gravadas seguem infinitamente superiores às de PES, seu concorrente direto, mas isso só torna o quadro ainda mais triste. Ouvir Tiago é mais chato que ouvir o som das vuvuzelas nos estádios da Copa da África do Sul, então não consigo deixar de imaginar como seria legal ouvir os ótimos textos de FIFA na voz de narradores consagrados da nossa televisão.

Não precisa fazer essa cara, Caio, nós também não curtimos
ouvir o Tiago Leifert falando...


Futebol arte

Pode comemorar, Messi!
FIFA ainda é o melhor jogo
de futebol no mercado
Atribuir uma nota final a FIFA 14 é uma tarefa bastante ingrata. Afinal, é complicado recomendar que os donos da versão do ano passado invistam quase R$200,00 em troca de levíssimos aprimoramentos em uma jogabilidade que já beirava a perfeição, uma atualização de elenco e alguns retoques nos menus. Ainda mais se levarmos em conta que uma versão realmente inovadora já já dará as caras no PlayStation 4.

Por outro lado, a edição desse ano segue muito a frente da concorrência, de modo que ela é altamente recomendada para quem estiver disposto a comprar um jogo de futebol nesse fim de geração. Então vamos combinar o seguinte: se você já tem o FIFA 13 em casa, fique feliz por ter na prateleira um dos melhores jogos de futebol já lançados e subtraia dois pontos da nota final, ok? Todos os demais podem jogar sem medo o puro futebol arte de FIFA 14.



Prós


  • Muitos modos de jogo;
  • Novos menus estão menos confusos que os anteriores;
  • Jogabilidade perfeita e eletrizante;
  • Narração e menus em português.

Contras


  • Quem jogou a versão 2013 não encontrará muitas novidades;
  • Servidores da EA caem ocasionalmente;
  • Vários comentários do jogo anterior foram reutilizados;
  • Tiago Leifert.

FIFA 14 - PlayStation 3 - Nota: 8.5


Revisão: José Carlos Alves
Capa: Wellington Aciole
Thomas Schulze escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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