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Análise: Desdobre-se em um mundo de papel para ajudar Iota e Atoi a entregar uma mensagem para Você em Tearaway (PSVita)

Quando criança, você já teve algum livro pop-up? Daqueles que, ao virar as páginas, vão montando as histórias ali, na sua frente? Eu tiv... (por Rodrigo Estevam em 28/12/2013, via PlayStation Blast)

Quando criança, você já teve algum livro pop-up? Daqueles que, ao virar as páginas, vão montando as histórias ali, na sua frente? Eu tive alguns, e devo dizer que jogar Tearaway me fez lembrar de quando me debruçava sobre os livros e imaginava as histórias acontecendo naquele cenário à minha frente.

Mensagem para Você

Totalmente em português, Tearaway se trata de uma aventura que se passa em um mundo feito de papel (animais, pedras, árvores, enfim, literalmente tudo mesmo) e conta a história de Iota ou Atoi, um envelopinho que carrega uma mensagem para Você, um rosto gigante que, de uma hora para a outra, apareceu no sol. O tal “Você” da história é mesmo você, jogador; graças à câmera do Vita, o portátil capta sua imagem e a exibe em tempo real ali, dentro do jogo, como se fosse uma espécie de divindade.

É que foi amor à primeira vista, Sr. NPC!

É interessante perceber que em Tearaway temos dois papeis diferentes: somos ao mesmo tempo um imenso rosto no céu, que tem um papel importantíssimo na trama, e o envelopinho (que tomarei a liberdade de chamar Iota, pois foi o personagem que usei), cuja missão é entregar uma mensagem a Você. Vale lembrar que, apesar de parecer uma missão solitária, Iota nunca está realmente sozinho: de tempos em tempos, o jogo faz questão de mostrar Você acompanhando a aventura lá do céu.

Constantemente, Iota se vê na necessidade de encarar os Retalhos, criaturinhas “malígnas” que estão roubando toda a cor e a alegria do mundo de Tearaway. Apesar de o envelopinho ir aprendendo novas habilidades que podem ser utilizadas nos “combates” ao longo do jogo (como rolar e derrubá-los ou saltar sobre suas cabeças para deixá-los atordoados), os confrontos com os Retalhos logo se tornam repetitivos — e até mesmo um tanto chatos.

Tá chovendo Retalho!

Derrotar os Retalhos e ajudar NPCs em pequenas missões nos rendem Confetes, que funcionam como uma moeda no jogo. Elas também podem ser encontradas espalhadas pelos cenários, e podem ser usadas para “comprar itens” de personalização para Iota. Existem diversos tipos diferentes de olhos, bocas e acessórios que podem ser trocados por confetes e usados para dar um toque único ao seu pequeno envelope aventureiro.

Fotógrafo profissional

Iota também recebe uma câmera (feita de papel, claro!) que tem grande valor para o desenrolar do jogo. Com ela, é possível fotografar elementos “em branco” e devolver-lhes sua cor roubada pelos Retalhos, por exemplo. Essas fotos também liberam modelos de papercraft, que podem ser acessados no site do jogo e impressos, aumentando ainda mais a relação de interação do mundo do jogo com o mundo real. Também é possível tirar uma foto da sua camiseta, por exemplo, e usá-la como estampa para a pele de animais. Tearaway se esforça para tornar a experiência agradável e interativa.

Faz uma pose para a foto, Iota!

Entrando na onda do Instagram, existem alguns diferentes filtros (como sépia e preto e branco) que podem ser desbloqueados em troca de alguns confetes. Certas missões só podem ser completadas se usado determinado filtro para fotografar um cenário. Por exemplo: em um dado momento, uma lápide pede uma foto, em preto e branco, de sua antiga casa, a fim de ter uma lembrança de seu outrora lar, doce lar. Ao bater a foto, qual não é a nossa surpresa ao perceber a presença de algumas criaturas invisíveis a olho nu…

Por diversas vezes, o mundo vai simplesmente se desdobrar à sua frente exatamente como em um livro pop-up. Mas nem sempre o caminho vai se abrir automaticamente para você: em certos pontos do jogo existem marcas semelhantes a impressões digitais, que indicam onde é possível interagir diretamente com o cenário. Seja uma ponte a ser esticada ou um laço a ser desfeito, essas pequenas partes do jogo só são alcançáveis com o uso da touchscreen.

Deslize os dedos na tela do Vita para abrir os presentes

Alguns probleminhas

O painel traseiro também é usado constantemente, o que não é exatamente uma coisa boa. Vamos à explicação: em alguns pontos do jogo são exibidos trechos com a estampa característica da traseira do PS Vita (xis, quadrado, triângulo e bola), indicando que ali é possível interagir com o cenário utilizando o painel traseiro do portátil. A ideia é boa e funciona muito bem visualmente: algumas vezes é possível manter o dedo pressionado e... POF! Ele aparece na tela do Vita, dentro do jogo, interagindo com o mundo de Tearaway. Ok, não é exatamente o seu dedo, mas sim um modelo controlado pelo seu movimento, mas é legal pra caramba assim mesmo!

"Meus dedinhos, meus dedinhos, onde estão? Aqui estão!" Ok, parei.

Porém, a resposta ao toque não é muito precisa, e o excessso de momentos onde é obrigatório utilizar o painel traseiro tornam a experiência, por vezes, bem frustrante. Por sorte, quando é necessário apenas tocar na traseira do portátil para ajudar Iota a pular a coisa funciona muito bem, obrigado. Outro problema de Tearaway é o controle da câmera (a que controla o ângulo de visão do jogo, não a fotográfica). Ela é muitas vezes confusa e nem sempre responde aos comandos como esperamos. Diversas vezes vi Iota desaparecer na tela e, mesmo tentando girar a câmera para vê-lo atrás de uma plataforma, por exemplo, ela simplesmente não se movimentava o suficiente.

Outra ideia legal que acaba sendo prejudicada pelo uso da tela de toque é a possibilidade de criar seu próprio conteúdo para o jogo. Tearaway permite que você faça seus próprios recortes e colagens para criar acessórios, que podem ser usados em NPCs, em cenários, e até mesmo em Iota, criando uma experiência de jogo totalmente única para cada jogador. O problema é que, para criar essas peças, é preciso deslizar o dedo pela tela de toque do Vita, o que resulta em recortes pouco precisos. De certa forma funciona bem porque alguns recortes do próprio jogo são bem “desformes”, não necessariamente compostos de linhas retas e bem cortadas, mas ainda assim é frustrante não conseguir fazer as formas da maneira desejada.

O jogo me disse para criar meu próprio conteúdo... e não resisti. Por favor, não me apedrejem.

Um sopro de novidade

Apesar de ser vendido como um jogo de plataforma, é um erro tentar incluir Tearaway nesse gênero. O game tem poucos elementos dos tradicionais jogos assim classificados, sendo muito mais uma experiência interativa com ligeira exploração. A ideia do jogo não é fazer você sair pulando de um lado para o outro, mas sim curtir o mundo de papel e toda a quest do envelope e seu destinatário.

Em tempos de jogos genéricos, Tearaway é um sopro de novidade e, por que não, de inovação, muito bem-vindo. O jogo tira total proveito do hardware do PlayStation Vita, que mostra que, antes de ser apenas mais um “acessório” para o PS4, é um portátil de altíssima qualidade. Não dá para imaginar Tearaway em outro console senão no PS Vita.

"Hi-yoooo, Silver!!"

Prós

  • Inova em uma época onde a maioria dos grandes jogos são bem genéricos
  • Faz ótimo uso dos recursos do PlayStation Vita
  • Totalmente em português

Contras

  • Terrível controle da câmera
  • Abuso do uso do touchpad traseiro do portátil, que não responde tão bem ao toque no jogo
  • "Combates" monótonos
Tearaway - PS Vita - Nota 8.0
Revisão: José Carlos Alves
Capa: Daniel Machado
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

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