Blast from the Past

Acompanhe o jovem Stahn e a espada consciente Dymlos em sua busca por fama e aventura em Tales of Destiny (PS)

Tales of Phantasia foi um dos últimos RPGs de destaque para SNES, mas infelizmente ficou confinado aos consoles nipônicos. Por conta de s... (por Farley Santos em 29/01/2014, via PlayStation Blast)

Tales of Phantasia foi um dos últimos RPGs de destaque para SNES, mas infelizmente ficou confinado aos consoles nipônicos. Por conta de seu sucesso, uma continuação era só uma questão de tempo. Tales of Destiny, lançado em 1997 no Japão para PlayStation, foi o segundo título da icônica série. Destiny pegou a fórmula básica de Phantasia e melhorou em vários aspectos, aproveitando o poder do console da Sony. Felizmente o jogo foi localizado e lançado no Ocidente no final de 1998, o que permitiu que inúmeros jogadores pudessem conhecer a série.

Guerra, espadas conscientes e um jovem aventureiro

Em um passado distante, um cometa se chocou com o planeta, criando uma espessa camada de névoa, que bloqueou o sol e tornou o mundo um lugar sombrio. Cientistas descobriram que era possível gerar uma grande quantidade de energia utilizando partes do cometa. Essa energia recebeu o nome de Lens. Por meio dessa nova fonte de força, os estudiosos conseguiram criar cidades voadoras, que flutuavam acima da camada de névoa.

Infelizmente esta invenção causou um grande conflito, pois somente a elite podia habitar as cidades voadoras. Estes locais eram armados, sendo que qualquer um que se opusesse à elite era destruído. Alguns cientistas, cansados da arrogância do povo das cidades voadoras, foram para a superfície. Lá, com a ajuda dos locais, eles construíram as Swordians, espadas especiais que podiam usar a força da natureza e que tinham consciência própria, escolhendo quem podia empunhá-las. Com a ajuda dos Swordians, o povo da superfície saiu vitorioso e as cidades flutuantes foram destruídas. O mundo ficou em paz e os conflitos aos poucos foram esquecidos.

A trama de Tales of Destiny começa quando Stahn Aileron, um rapaz do campo, decide abandonar sua vida pacata em busca de aventuras. A vida dele muda completamente quando ele decide viajar clandestinamente em uma nave voadora. Stahn é descoberto pela tripulação e é obrigado a lavar o convés. Enquanto ele está ocupado nessa tarefa, o barco é atacado por monstros. No meio da confusão, Stahn encontra uma espada velha em um depósito e a toma para si, para poder se defender das criaturas. O que ele não esperava é que a lâmina era na verdade Dymlos, uma Swordian que consegue controlar o fogo. Dymlos concorda em ajudar Stahn e ambos escapam ilesos. Os dois passam a viajar juntos e acabam se envolvendo em questões que podem mudar o destino do mundo, encontrando várias outras Swordians pelo caminho.
Destiny foi o primeiro Tales a ter a tradicional abertura animada

Parecido, mas diferente

Numa primeira olhada, Tales of Destiny parece muitíssimo com seu antecessor de SNES, Tales of Phantasia: gráficos, menus, estilo visual e até mesmo o combate são praticamente idênticos. Mas basta jogar para perceber as várias diferenças e novidades nos sistemas de jogo, que depois se tornaram padrão nos títulos seguintes da série.

A exploração é dividida em dois momentos: cidades ou calabouços e mapa-múndi. Nas cidades e calabouços é possível conversar com NPCs e resolver puzzles, como todo bom RPG japonês. A novidade foi no mapa-múndi: de nome Global Sphere Map, ele era uma esfera tridimensional na qual os personagens podem viajar entre as localidades. É no mapa que aparece a Active Party Window, uma janela que mostra quais são os quatro personagens ativos no grupo naquele momento. Caso o jogador deixe o protagonista Stahn parado por alguns momentos, os membros do grupo conversam entre si nessa janela, algo bem parecido com o tradicional sistema de Skits dos jogos subsequentes. Infelizmente esse recurso foi removido da versão ocidental.

Um combate melhorado

O sistema de batalha de Tales of Destiny é uma versão melhorada do combate de Tales of Phantasia. De nome Enhanced Linear Motion Battle System (E-LMBS), os confrontos de Destiny se passam em um plano 2D onde é possível se movimentar e atacar em tempo real, como em um jogo de ação. Além da velocidade aumentada, a nova versão do sistema era mais flexível e dinâmica, permitindo escolher um alvo e fazer alterações rápidas na organização do grupo com um simples toque de botão. Uma nova (e útil) ação foi implementada: defesa, ativada ao segurar o botão quadrado.

A maior alteração se deu nas técnicas especiais: agora era possível equipar até quatro técnicas especiais, cada qual ativada ao apertar a direção correspondente em conjunto com o botão X. Essa configuração tornou-se padrão e até hoje é utilizada na maioria dos jogos da série Tales. Foi incluído também um sistema de combo, no qual era possível executar técnicas em sequência ininterruptamente. Quanto maior o contador de combo, maior era o bônus de experiência recebido no fim do combate. Destiny foi também o primeiro título da série a oferecer multiplayer para até quatro participantes. Infelizmente o primeiro jogador é forçado a controlar somente o protagonista Stahn Aileron.

Uma evolução bem recebida

Mesmo com poucas novidades e sendo muito similar a seu antecessor, Tales of Destiny foi um sucesso, sendo um dos mais vendidos de toda a franquia até hoje. Foi também o primeiro contato do público ocidental com a série Tales, mesmo que o trabalho de localização tenha sido criticado pela falta de esmero. As aventuras de Stahn são tão fortes no Japão que o jogo recebeu uma continuação direta — fato incomum na série — e um remake para PS2, incluindo sistemas de jogo e visuais inéditos. E vocês, tiveram a oportunidade de jogar Tales of Destiny?

Revisão: Marcos Silveira
Capa: Diego Migueis
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook