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Análise: Dustforce pode ser exatamente o que precisávamos para literalmente limpar a poeira da PSN

Nada de uma nova versão de Street Fighter IV ou qualquer outro jogo não seja Mega Man. O que a Capcom trouxe dessa vez é Dustforce, um jo... (por Rafael Neves em 15/02/2014, via PlayStation Blast)


Nada de uma nova versão de Street Fighter IV ou qualquer outro jogo não seja Mega Man. O que a Capcom trouxe dessa vez é Dustforce, um jogo em progressão lateral cuja tarefa básica é limpar a poeira, as folhas secas e os resíduos químicos que infestam diversos ambientes. Na pele de um dos zeladores do título, este típico trabalho sujo se torna uma sequência de movimentos de parkour e combates dinâmicos em busca de puntações altas e combos invejáveis.

Levantou poeira

Dustforce, a priori, nos lembra dos jogos indiea em progressão lateral como Super Meat Boy e Cave Story por seus controles simples e visual pixelado acompanhado por músicas em chiptune. Embora possa ser considerado, de fato, como um software independente, sua vinda dos computadores para os consoles ficou sob responsabilidade da gigante Capcom. E trata-se de uma iniciativa muito bem recebida.



Dustforce nos apresenta a quatro zeladores sem nome, mas com cores e características que os diferenciam. O seu objetivo, com qualquer um deles, é limpar cenários, varrendo todo o tipo de sujeira e resíduos para longe. É claro que uma prática cotidianamente tida como monótona e com pouco valor social se torna uma aventura dinâmica e repleta de obstáculos e inimigos pela frente num videogame. Só mesmo esse tipo de entretenimento para fazer algo assim.

Com essa galera, até varrer vai se tornar algo divertido

Há quase 60 estágios disponíveis, todos divididos em mundos com temáticas próprias. Os mundos têm seus climas característicos e cada um deles traz um tipo diferente de sujeira a ser varrida (como folhas secas, gosma, poeira, etc.). E cada estágio é um segmento em progressão lateral de alguns minutos, que deve ser superado da melhor forma possível para se obter pontuações saltos. Desempenhos cada vez melhores não só permitem que você "ostente" nos rankings globais online, mas também são essenciais para se obter as chaves, itens usados para acessar fases bloqueadas.

O esquema de recebimento de chaves por mérito nos estágios é acumulativo, de modo que, se você não ficou no melhor rank naquela fase específica, pode conseguir uma chave galgando scores intermediários em várias fases. Alcançar recordes altos não é tarefa fácil. Isso se deve, em parte, pela alta dificuldade do jogo, que remonta os saudosistas games hardcore dos anos 1980 e 1990. O outro fator que coloca os scores altos a uma distância considerável é a falta de informação. Digamos que o jogo simplesmente começa sem qualquer tipo de instrução ou informação sobre a matemática por trás da contagem de pontos, da indicação de quais ações são consideradas para o cálculo ou mesmo a diferença entre os personagens jogáveis.

A vida de um zelador nunca mais será a mesma

Como dito, ser um zelador é incrível em Dustforce, pois você traz consigo habilidades avançadas de luta, coragem e bravura sem limites e um arsenal profissional de acrobacias. O jogo não se resume a correr, pular e bater, mas a uma mecânica muito mais complexa. Por exemplo, você passará bastante tempo dando pulos e dash no ar, manobra que tem um limite, mas ganha uma utilização extra se você derrotar um inimigo no ar. Também é necessário saber "escorregar" no teto e dar wall jumps para ganhar altitude. Infelizmente, todos esses complicados movimentos sofrem por motivos de jogabilidade.


O primeiro deles, mais uma vez, é a falta de informação. Por mais que se possa, com alguns minutos de jogatina, aprender intuitivamente as mecânicas de salto e combate avançadas, você provavelmente nunca vai estar seguro de quantos saltos pode dar no ar ou se aquele wall jump é o bastante para alcançar a outra plataforma. Além disso, o segundo motivo são os controles. Dustforce tem uma jogabilidade complicada, algo que interfere significativamente em um jogo que envole tantas acrobacias. Você se frustrará bastante quando seu personagem insistir em fazer o movimento errado.

É em movimentos mais complicados como esse que o jogo fica complicado
Esses problemas na jogabilidade de Dustforce prejudicam a experiência de jogo porque, por vezes, os desafios enfrentados nos estágios requerem movimentos muito específicos (há pouca liberdade de ação), executados com precisão extrema e em alta velocidade. Dustforce, em muitos momentos, lembra Sonic, na verdade. Se você conseguir manter uma sequência de movimentos, não só seu combo se manterá alto como você irá sentir uma incrível sensação de adrenalidade e competência. Mas basta um erro (muitas vezes causados pelos controles) ou uma manobra que não é a que a estritamente exigida para que o título "broche". É um freada brusca na experiência frenética de jogo que demora um tempo para engatar de volta.

Direitos trabalhistas

Não dá para fazer esse "trabalho sujo" e suar a camisa em fases difíceis sem um pouco de descanso, não é mesmo? A dose de lazer dos zeladores do jogo fica por conta da parte artística, que é bem interessante. Os visuais bidimensionais usam um efeito bonito de contraste entre cenários detalhados e personagens que se resumem a quatro ou cinco cores. Os ambientes são bem construídos e o efeito visual de ver folhas secas sendo varridas ou poeira sendo jogada pro lado é lindo.

Quando a limpeza é veloz e dinâmica, a sensação é incrível
A trilha sonora não fica para trás. Os ritmos eletrônicos de Dustforce aliam um estilo nostálgico de música de jogos antigos com efeitos sonoros contemporâneos. É um jogo que merece ser ouvido, pois contempla tanto melodias relaxantes para o hubworld do jogo quanto canções dinâmicas para os desafios de plataforma.

Do PC ao PlayStation

A passagem dos computadores para os consoles não foi exatamente direta. Alguns elementos foram perdidos no port para PS3, assim como alguns outros foram implementados para compensar. O multiplayer é um desses elementos. Em relação à versão de PC, a jogatina em grupo no PS3 marca pontos a mais pela sua interação online. O deathmatch entre zeladores é hilário e, mesmo não sendo o foco do jogo, é divertido e permite que se use os quatro vilões que se opõe aos quatro faxineiros.

Há fases realmente difíceis, acredite


No entanto, donos da versão para consoles sentirão falta do editor de estágios presente na versão de PC. Tudo bem que não é o recurso que a maioria dos jogadores nem mesmo chega a experimentar, mas está lá para quem curte se aventurar por ela. Para compensar, os melhores 150 estágios feitos pelos jogadores de PC serão disponibilizados nos consoles. Isso é praticamente três vezes o número de fases padrão do jogo!

Esquadrão da poeira!

Dustforce é um jogo divertido... desde que você não fique sem combo e a sequência veloz de movimentos seja perdida. Mesmo que isso seja tarefa do jogador e exija competência, não podemos dizer que o jogo oferece as melhores condições para você executar boas manobras. A falta de informação disponibilizada ao jogador e os controles ruins levam a muitas mortes desnecessárias, perda de combos e queda nas pontuações. Ainda assim, a sensação de passar de um estágio em alta velocidade é incrível e os visuais e a trilha sonora deixam tudo mais divertido.

Prós

  • Divertido e satisfatório superar os desafios em alta velocidade e executando acrobacias incríveis;
  • Perseguir pontuações altas e recordes sempre maiores incentiva o esforço e aumenta o fator replay;
  • Visuais e trilha sonora dão charme ao jogo;
  • Modo multiplayer é interessante e pode ser jogado em rede;
  • Boa quantidade de estágios, que será quadruplicada com a vinda das fases feitas pelos jogadores do PC;
  • Temática de jogo original promove curiosidade pelo título.

Contras

  • Mecânicas de personagens, saltos e combate e contabilização da pontuação são pouco explicadas (quando são);
  • Jogabilidade ruim gera momentos frustrantes e acaba com a adrenalina em muitas passagens;
  • Ausência do editor de estágios da versão para PC desanima quem se interessa pelo recurso.
Dustforce – PS3 (PSN) – Nota: 7.5

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Felipe Araújo 
Rafael Neves é quadrinista e estudante de medicina da UFBA. Jogos fizeram parte dessa vida desde os seus primeiros anos, embalando muitos dos mais fortes laços de amizade e histórias de vida. E esse legado desembocam nas matérias que escreve aqui no Blast e em sua HQ, The Legend of Link.

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