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Análise: Killzone Shadow Fall (PS4) conquista seu lugar ao sol

Guerrilla Games traz a guerra entre Vektans e Helghasts para a nova geração.

A guerra é cruel, violenta e intensa. Ela nunca é bonita. A não ser que esteja acontecendo na sua sala e tenha gráficos de última geração. A Guerrilla Games dá as boas-vindas à nova geração trazendo a guerra para dentro de sua casa com Killzone Shadow Fall para PlayStation 4. O título tem um grande fardo nas costas, ser um dos grandes carros-chefes no lançamento do novo console da Sony. Mas será que ele conseguiu alcançar essa façanha ou se manteve na sombra de outros lançamentos?

De volta à zona de guerra

A franquia Killzone teve a sua estreia no PlayStation 2 e desde então vem acompanhando os consoles da Sony, com Killzone 2 e Killzone 3 para PlayStation 3 e Killzone Mercenary para o PS Vita. Não é de se surpreender que a desenvolvedora Guerrilla Games tenha aproveitado a oportunidade de lançar um novo jogo para o recém lançado PlayStation 4. Mas como em toda boa série, é preciso se reinventar para conquistar um novo público e manter o antigo, com KZ não é diferente.
Em Killzone 3, testemunhamos o capítulo final da aventura vivida por Sev, até então protagonista do jogo, que termina com o planeta dos Helghasts, Helghan, sendo praticamente destruído. A história de Shadow Fall segue os passos desse evento. Sem um lar para os habitantes de Helghan, o povo de Vekta precisa abrigar milhões de inimigos em seu planeta. Mas como fazer isso? Alguém se lembra do muro de Berlim, que dividia a Alemanha Ocidental da Alemanha Oriental? Essa é a solução mais “apropriada” para a situação que os grandes governantes de Vekta encontram: construir um imenso muro para dividir e separar os dois povos, Vekta de um lado e Nova Helghan do outro.

Obviamente as coisas não poderiam permanecer pacíficas por muito tempo, não quando se tem um povo embriagado por rancor e raiva convivendo anos e anos lado a lado com seus inimigos.

Delegado das sombras 

Você é Lucas Kellan, bravo e estimado soldado da ISA (Interplanetary Strategic Alliance) que carrega o título de Shadow Marshall, uma espécie de agente secreto a serviço de Vekta. Um produto da guerra, criado e treinado por ela, com um único objetivo: servir e obedecer aos interesses políticos e militares do planeta. A criação de um novo protagonista traz novos ares para Killzone e com a história se passando em Vekta, uma nova perspectiva sobre toda a mitologia criada pela série é apresentada.

A princípio, o personagem pode parecer apenas um peão de guerra, mas com o tempo ele demonstra uma forte personalidade e ideologia, o que com certeza faz com que os jogadores criem alguma simpatia por Kellan. O problema é que apenas ele consegue alcançar essa vitória no jogo, o resto do elenco é raso e você não consegue se aprofundar nos personagens ou acreditar em suas crenças.
Contudo, os dois lados da guerra são muito bem representados no game. Nenhum lado é o que realmente aparenta e não existem heróis ou vilões nisso tudo. Essa é uma característica marcante que sempre acompanhou a série e continua a me agradar bastante, e em Killzone Shadow Fall ela se faz ainda mais presente. Conforme a história se desenvolve, você e Kellan deixam de enxergar apenas um objetivo a ser cumprido e começam a prestar mais atenção nos horrores e desolação criados pela guerra ao seu redor.

Um toque da nova geração 

Não é apenas com um novo protagonista e trama que Killzone Shadow Fall busca inovar, mas também com seu gameplay e controles. O título é um dos poucos que joguei que busca explorar todas as novas possibilidades oferecidas pelo DualShock 4.
O toque de mágica está na forma como usamos o touchpad do controle para controlar OWL, uma espécie de drone aéreo que acompanha Kellan em suas missões. Apenas deslizando o dedo pelo DS4 é possível escolher um dos modos de ataque ou defesa do pequeno robô, e até mesmo hackear a inteligência inimiga para evitar alarmes ou câmeras de segurança. Com certeza um dos pontos altos no gameplay e que agrega uma nova dinâmica de stealth ao jogo.

Fora isso, Shadow Fall se atém ao básico de um FPS: apontar, mirar e atirar. As missões divertem e apresentam uma variação de ritmo que mantém alto, do começo ao fim, o interesse do jogador, em busca de respostas para a trama e mais Helghasts para eliminar.
Os gráficos e a trilha sonora formam uma dupla tão dinâmica quanto Kellan e OWL. Pude finalmente me sentir dentro da nova geração, é claro que o console ainda tem um potencial muito vasto para ser explorado, mas o que experimentei com Killzone SF já se pode considerar um aperitivo e tanto. Valendo até mesmo como prato principal.

Nascido para matar 

O multiplayer de Killzone Shadow Fall apresenta algumas diferenças dos jogos anteriores, mas mantém as partidas customizáveis que vão de um simples Team Deathmatch até os estratégicos Warzones, repletos de objetivos e horas de diversão.
Contudo, agora o jogador tem menos opções de classes, o multiplayer de Shadow Fall conta com apenas três: assault, scout e support. Cada um com armas e habilidades únicas, que tornam a organização entre equipes uma tática essencial para alcançar a vitória durante as partidas.

Diferente de outros FPS’s, Killzone SF não exige que o jogador sacrifique dias e mais dias para alcançar níveis exorbitantes de experiência para liberar armas e habilidades. Você já possui todas as armas e habilidades liberadas, mas precisa completar uma série de desafios se quiser liberar acessórios, como uma nova mira para aquela sua arma favorita.

Uma guerra de gerações 

Killzone dá seu primeiro passo na nova geração com Shadow Fall. É um terreno perigoso e competitivo, que ainda tem muito a ser explorado. Mas definitivamente esse passo foi dado com o pé direito. A grande expectativa e o fardo de ser um dos principais, se não o principal, lançamento para acompanhar o PlayStation 4 pode assombrar um pouco o game, mas os mais fortes e corajosos soldados que quiserem viajar por Vekta e Nova Helghan vão experimentar uma viagem e tanto.

Prós 

  • Novo protagonista e rumo para a trama da série; 
  • Excelentes gráficos e trilha sonora; 
  • Exploração de novas possibilidades com o DualShock 4;
  • Multiplayer viciante.

Contras 

  • Personagens rasos; 
  • Alguns clichês e furos no roteiro atrapalham a trama. 
Killzone Shadow Fall - PlayStation 4 - Nota: 8.5
Revisão: Catarine Aurora
Capa: Diego Migueis 
Rodrigo Bitencourt atualmente joga videogame para escrever e escreve para jogar videogame. Entre um checkpoint ou outro você pode encontrá-lo no Facebook, Twitter e MyPST.

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