Blast from the Past

Reviva as aventuras de Tales of Eternia (PS/PSP), terceiro título da série Tales

Contando com um vasto mundo e várias novidades, Tales of Eternia definiu padrões para a série e se destacou como um dos melhores RPGs para PlayStation

Depois dos ótimos Tales of Phantasia (Multi) e Tales of Destiny (PS), a franquia “Tales” já estava bem estabelecida no Japão. Era só uma questão de tempo para que a série recebesse um novo título. Isso aconteceu no final de 2000, com o lançamento de Tales of Eternia para PlayStation. O novo episódio contava com visual completamente novo e aproveitou melhor o poder de processamento do console da Sony. Em 2001 o jogo chegou ao Ocidente com um novo nome: Tales of Destiny II, em uma tentativa de aproveitar a visibilidade de Tales of Destiny. O jogo também foi portado para PSP em 2005, mas no Ocidente o lançamento foi restrito à Europa.

Uma visitante de outro mundo

Eternia é um universo curioso. Ele é composto de dois planetas, Inferia e Celestia, que são separados por uma barreira chamada Orbus. Por conta da proximidade dos locais, basta olhar para o céu para ver o planeta vizinho. Os habitantes de cada um dos mundos não se comunicam entre si, o que leva a criação de inúmeros rumores e especulações sobre como é a população dos vizinhos. De qualquer maneira, as pessoas simplesmente ignoram a existência do outro planeta.

Reid Hershel e Farah Oersted são amigos e levam uma vida tranquila na vila de Rasheans, localizada em Inferia. Tudo muda quando uma nave vinda de Celestia cai perto do vilarejo e a dupla de amigos decide investigá-la. Do estranho meio de transporte surge uma estranha garota que fala uma língua desconhecida. Reid e Farah decidem levá-la para Keele Zeibel, amigo de infância de ambos e estudante em uma renomada faculdade. O pesquisador consegue encontrar um mecanismo que permite entender a língua da garota. Ela revela que seu nome é Meredy e que veio de Celestia à procura de ajuda, pois os dois mundos irão colidir em breve. Reid, Farah e Keele concordam em ajudá-la e o grupo sai em uma jornada para salvar o mundo.

Um mundo de novidades

Tales of Eternia segue a fórmula básica de seus antecessores Phantasia e Destiny, mas desta vez muitos detalhes foram alterados. A novidade mais aparente são os gráficos: o jogo utiliza um motor gráfico novo e eles eram bem detalhados, repletos de belos efeitos visuais. A proporção dos personagens foi alterada e fica mais próxima da real, em contraste com o estilo super deformed dos títulos anteriores. Boa parte dos diálogos foram localizados para a língua inglesa, ao contrário das vozes japonesas presentes na versão ocidental de Destiny.

Como todo bom RPG japonês, Eternia ainda se divide em momentos de exploração e combate. Nas cidades o grupo conversa com pessoas em busca de informações e missões paralelas, além de ser possível comprar equipamentos e itens nas lojas espalhadas pelos locais. Já nos calabouços é necessário resolver alguns pequenos enigmas para prosseguir. Muitos segredos estão espalhados pelos cenários, como, por exemplo, um cozinheiro disfarçado que disponibiliza receitas ao ser encontrado. O mapa múndi também conta com áreas especiais, não marcadas no mapa, o que incentiva ainda mais a exploração. Minigames ajudam a trazer variedade à exploração.

O calor da batalha renovado

O combate de Tales of Eternia foi a característica que sofreu mais alterações. De nome Aggressive Linear Motion Battle System (A-LMBS), o sistema de batalha ainda se passa em um plano 2D e lembra um jogo de luta, no qual o jogador controla diretamente os personagens. O “agressivo” no nome do sistema se dá por conta das várias modificações na batalha: os heróis tiveram sua agilidade aumentada, golpes podiam ser combinados com maior facilidade e feitiços não paralisavam a ação. O resultado foram combates mais dinâmicos e velozes, exigindo muito mais atenção e destreza dos jogadores. Eternia também introduz as Divine Skills, técnicas especiais secretas visualmente impressionantes que se tornaram padrão na série. Para utilizá-las, era necessário cumprir requisitos como executar ataques especiais em uma sequência específica.

As Artes, os tradicionais feitiços elementais, funcionavam de maneira bem distinta em Eternia. Os magos do grupo não aprendiam novos feitiços ao subir de nível, como acontece normalmente na maioria dos JRPGs. Para ter acesso às novas magias, o grupo precisava contar com a ajuda dos Great Craymels, os espíritos elementais do jogo. Somente encontrá-los não era suficiente: cada Great Craymel também subia de nível e disponibilizava novas técnicas. Uma característica interessante desse sistema era o Craymel Cage, que permitia combinar elementos e criar feitiços completamente novos. Era impossível ter todas as magias simultaneamente, logo fazia-se necessário escolher com cuidado a combinação de espíritos elementais de acordo com a situação.

Outra novidade foi a maior flexibilização no controle do grupo. Só é possível controlar um único herói por vez, sendo que os outros membros são controlados pela inteligência artificial. O comportamento dos outros heróis sempre foi feito por uma série de regras escolhidas em um menu de táticas, que foram expandidas e refinadas em Eternia. Pela primeira vez na série foi possível também controlar qualquer personagem durante a batalha, bastando acessar o menu e realizar a troca. Por fim, o modo para vários jogadores foi melhorado e não exigia mais gastar um espaço de equipamento com um item especial.

Tales of Eternia mudou de nome quando foi lançado para PlayStation nas Américas em 2001. O título do jogo foi alterado para Tales of Destiny II, o que gerou muita confusão, pois Eternia não era sequência de Destiny. Fãs da franquia ficaram especulando os motivos da mudança. A suspeita inicial era que o nome “Eternia” era reservado pela empresa de brinquedos Mattel por conta de sua franquia “Mestres do Universo”, cujo protagonista é He-Man. Mas a mudança foi por outro motivo: atrair jogadores do Tales of Destiny original. Para piorar, em 2002 a Namco lançou no Japão uma continuação direta de Destiny para PS2 com o nome Tales of Destiny 2, o que deixou alguns jogadores ainda mais confusos. Felizmente, no relançamento para PSP, a distribuidora Ubisoft decidiu usar o nome original “Tales of Eternia”.

Uma aventura inesquecível

Tales of Eternia foi um sucesso de vendas e público. A popularidade foi tamanha que a trama do jogo foi adaptada em um mangá e um anime para a tv. O mundo de Eternia também foi o palco de um RPG multijogador online, de nome Tales of Eternia Online. Muitas das características do título - como o combate mais dinâmico e veloz, as técnicas especiais secretas e o sistema de receitas - voltaram a aparecer nos títulos seguintes, tornando-se padrão na série. E vocês, tiveram a oportunidade de explorar os mundos de Tales of Eternia?


Revisão: Jaime Ninice
Capa: Diego Migueis

Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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