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Análise: Toukiden: The Age of Demons (PSVita) traz a emoção da caça aos demônios para a palma das suas mãos

Novo jogo da Tecmo Koei é uma mistura de Monster Hunter, Soul Sacrifice e Samurai Warriors

A série Monster Hunter conseguiu uma legião de fãs nos consoles da Sony. No PSP, ainda hoje o jogo mais vendido é Monster Hunter Portable 3rd, com mais de 4 milhões de cópias comercializadas. E não para por aí: o terceiro mais vendido é Monster Hunter Freedom Unite, o sétimo é Monster Hunter Freedom 2 e o décimo segundo é Monster Hunter Freedom. Fica claro, então, que a base de fãs instalada no portátil é imensa. A saga já havia ficado restrita aos consoles Nintendo com Monster Hunter Tri, para Wii (e suas versões melhoradas para 3DS e Wii U) e, por isso, foi um tremendo choque quando a Capcom anunciou que Monster Hunter 4 seria exclusivo do Nintendo 3DS, principal rival do atual portátil da Sony, deixando o PS Vita sem nenhum título representando a série.

Para suprir um pouco a falta de um jogo de caça a monstros gigantes, em 2013 veio Soul Sacrifice. Ocupando a décima posição entre os títulos mais vendidos no PS Vita, o game trazia um enredo original, sombrio e profundo, bem diferente do estilo um tanto cômico da série da Capcom.

Mascote de primeira
Após algumas missões, nosso protagonista acaba esbarrando com uma personagem que lhe pede para cuidar de um bichinho chamado Tenko, que parece um filhote de raposa com gato. O mascote passa, então, a viver na sua casa, e você pode mandá-lo vasculhar territórios já visitados em busca de itens.

Agora, em 2014, chegou ao Vita a nova aposta da Tecmo Koei: Toukiden: The Age of Demons conta a história de um grupo de guerreiros que confronta demônios para manter em segurança um pacífico vilarejo. O clima do jogo em si parece um meio termo entre a galhofa de MH e a tensão de SS, trazendo momentos com diálogos leves e engraçadinhos, mas sem perder a seriedade.

O protagonista mal chega ao vilarejo e já cai na boca do povo...

Se Monster Hunter e Samurai Warriors se casassem, Toukiden seria seu filho. O esquema de perseguir e aniquilar monstros, recolher pedaços de seus restos mortais e utilizá-los na confecção de novas armas e armaduras para defender um pacato vilarejo e seus habitantes foi claramente bebido da fonte da série da Capcom. Somado a isso, temos uma história com temática nipônica, com guerreiros seguindo filosofias samurai, diálogos cheios de metáforas e uma história rica em detalhes, incluindo figuras famosas da mitologia japonesa.

A história começa quando seu personagem, devidamente personalizado com tom da cor da pele, cor dos cabelos, feições e voz à sua preferência, chega à pacífica Utakata Village,  um vilarejo isolado do território de Nakatsu Kuni que tem sofrido constantes ataques dos Oni, criaturas demoníacas provindas do submundo. O personagem logo é recrutado para fazer parte dos Slayers, um grupo de guerreiros que defende a segurança dos vilarejos e, após algumas missões, chega inclusive a receber um cargo de liderança na equipe (o que, é claro, já era esperado). Dotado de uma habilidade rara que lhe permite libertar e acumular diversas Mitamas ao mesmo tempo, o protagonista se torna uma peça-chave na defesa de Nakatsu Kuni.

Assim como em Monster Hunter, é possível criar seu próprio equipamento

Japão das antigas
Nakatsu Kuni (ou Nakatsu-no-Kuni, ou Ashihara-no-Nakatsu-Kuni, ou ainda Toyo-Ashihara-no-Nakatsu-Kuni) é uma denominação antiga para o Japão, normalmente vista na mitologia e na literatura, sendo a terra que fica entre o Taka-ama-no-Hara (céu) e o Yomi-no-Kuni (inferno). Ainda, de acordo com crenças japonesas antigas, o território seria o centro do reino dos humanos.

A aventura se desenrola por meio de missões, onde o protagonista pode se unir a até mais três Slayers para cumprir um determinado objetivo (como aniquilar todos os inimigos de um determinado perímetro ou derrotar um certo número de algum Oni específico, por exemplo). Algumas dessas missões são realmente importantes para a história, como quando é preciso garantir a segurança de um trecho do cenário para conseguir uma planta que é um dos ingredientes de uma receita de remédio necessário para salvar a vida de um dos personagens. Nessas situações em específico, o jogo normalmente já vai trazer uma configuração de equipe pré-selecionada obrigatória.

Já as quests funcionam por meio de uma lista, onde os moradores do vilarejo deixam seus pedidos. Durante as missões é possível recolher itens e partes de Oni, que são necessários para finalizar a maioria das requisições. Ao terminar uma quest, seu personagem recebe um pagamento em Haku, a moeda corrente do jogo. Porém, a melhor recompensa de cumprir esses objetivos talvez seja a possibilidade de estreitar seu relacionamento com os demais personagens.

Alguns inimigos são barra pesada

Alma de guerreiro
Ao derrotar demônios, algumas vezes você acaba libertando Mitamas, que nada mais são do que espíritos de guerreiros que foram devorados pelos monstrengos. Ao libertá-los, eles passam a fazer parte da sua própria alma, emprestando-lhe suas habilidades ao serem equipados à sua arma. Diferentes Mitamas têm habilidades distintas, e mesmo que mais de um possa ser equipado, apenas as habilidades de um deles podem ser utilizadas. Suas Mitamas recebem experiência após cada batalha, o que lhes permite passar de nível e aprender novas habilidades.

O pequeno vilarejo de Utakata conta com alguns poucos NPCs realmente importantes: Tatara, o ferreiro, é o responsável por criar e aprimorar seu equipamento; a bela e misteriosa sacerdotisa Shikimi é a responsável por cuidar da manutenção de suas Mitamas; o pesquisador Shusui funciona como uma enciclopédia, provendo informações sobre elementos do jogo e sobre o seu nível de intimidade com os demais personagens; Yamato, o chefe do esquadrão de Slayers de Utakata e líder do vilarejo funciona como tutorial para os diversos tipos de armas diferentes presentes no jogo; Yu, a filha de Yamato, é a recepcionista e responsável por lhe passar as missões; já a sacerdotisa Kikka é a responsável por manter a barreira de energia que mantém os Oni afastados.

O Vilarejo conta também com uma loja onde é possível comprar materiais como pedras e partes de Oni, além de equipamentos. Ali também é possível vender seus espólios para arrecadar um dinheirinho.

Acredite, Shikimi, o prazer é todo meu...

Purificando e enxergando o oculto
Ao derrotar seus inimigos, é possível purificar seus restos mortais. Ao segurar o botão R, o personagem começa um ritual onde não apenas o Oni é purificado como itens são adquiridos.

Assim como em Soul Sacrifice, Toukiden traz uma habilidade que permite enxergar os pontos fracos dos inimigos. Ao ativar essa skill, o personagem consegue identificar as partes do corpo dos Oni que podem ser destruídas e purificadas.

Também disponível para PlayStation Portable, Toukiden: The Age of Demons conta com gráficos muito detalhados que, com certeza, figuram entre os melhores já vistos no portátil .C om cenas animadas de alta qualidade, Toukiden se destaca dos demais lançamentos recentes do Vita. Por se tratar de um título que originalmente seria lançado apenas para PSP, o jogo não faz uso de recursos como a tela de toque, o painel traseiro táctil ou giroscópio, mas de forma alguma isso atrapalha o resultado final. A dublagem em japonês também casa muito bem com o clima do jogo, que se passa em cenários inspirados em diferentes períodos da história do Japão (como as eras Edo e Tokugawa, por exemplo).

Missão dada é missão cumprida!

Prós

  • Gráficos caprichados;
  • Dublagem em japonês de alta qualidade;
  • Batalhas dinâmicas e divertidas;
  • Traz muitos elementos da mitologia japonesa;
  • Mais sério que Monster Hunter e menos sombrio que Soul Sacrifice.

Contras

  • Pouca variação dos cenários e inimigos;
  • Não utiliza os recursos especiais do PS Vita;
  • Mais sério que Monster Hunter e menos sombrio que Soul Sacrifice (sim, isso também é um contra).
Toukiden: The Age of Demons - PS Vita - Nota 8.5
Revisão: Alan Murilo
Capa: Rafael Lam
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

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