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Análise: Strike Suit Zero: Director's Cut é pura ação espacial no PlayStation 4

O jogo da Born Ready Games encanta pela nostalgia e surpreende pela beleza!

Entre tantos gêneros consagrados de outrora que foram deixados de lado nas gerações atuais, um dos que mais sinto falta são os shooters espaciais. Títulos como Star Fox 64 e as franquias Star Wars: Rogue Squadron e Ace Combat figuram entre os jogos mais marcantes da minha infância e adolescência, e o fato do estilo ter sido deixado quase que completamente de lado pela indústria sempre fez com que eu me sentisse abandonado. Felizmente, algumas desenvolvedoras independentes vêm ressuscitando alguns gêneros tradicionais das gerações passadas: jogos como Mercenary Kings (PS4) trouxeram de volta a ação frenética de Metal Slug, enquanto Outlast (PS4) faz o primeiro Resident Evil (PS) parecer um jogo dos Rabbids.




Com uma bem sucedida campanha no Kickstarter, a Born Ready Games lançou, no ano passado, Strike Suit Zero para computadores. O título de guerra espacial misturava elementos de Star Fox e Ace Combat à jogabilidade arcade e sem compromisso dos shooters da era 16-bit. Apesar de alguns defeitos, o título cumpriu seu papel ao suprir a falta de jogos de nave tridimensionais e foi uma grata surpresa até mesmo para os que não apostavam no sucesso do título. Com o grande esforço da Sony para atrair títulos independentes para suas plataformas, uma nova versão do jogo que carrega consigo o subtítulo Director’s Cut foi lançada, se tornando mais uma boa adição para a crescente biblioteca do PlayStation 4.

Clichê espacial

Não espere um enredo profundo em Strike Suit Zero. No comando de Adams, um piloto espacial que está voltando às suas funções, o jogador deverá impedir que a Terra seja destruída por um exército que está disposto a colonizar o planeta a qualquer custo. Após um ataque bem sucedido, as defesas de nosso planeta ficam muito fragilizadas, fazendo com que o piloto seja uma das únicas esperanças de salvação da humanidade.

A aventura, que é dividida em 13 missões que chegam a durar até uma hora, é cheia de diálogos que explicam mais sobre o ataque a o plano de fundo da guerra. Infelizmente, as conversas e personagens são tão genéricos que farão com que você não se importe nada com o que está acontecendo e se foque completamente na ação desenfreada das missões, que felizmente é muito bem executada.

A guerra de um homem só

Durante as primeira missões do jogo você certamente estranhará a enorme quantidade de inimigos contra apenas uma ou duas naves terráqueas. Contudo, após alguns poucos tutoriais tudo passará a fazer mais sentido, já que você descobrirá o enorme poder de fogo da nave de Adams. Com diversas metralhadoras e tipos diferentes de mísseis, apenas uma nave é capaz de dar conta de inúmeros inimigos que surgem pelos belos cenários do jogo. Comandar a nave também é muito fácil e o jogador deverá utilizar as duas alavancas para se mover livremente pelas fases. As missões não são “em trilhos”, mas em campos de batalha abertos que possibilitam a movimentação livre das naves por eles. Para tornar tudo ainda mais simples, assim como ocorre em Star Fox, é possível frear ou acelerar a nave para atacar inimigos ou ainda desviar de um ataque fatal.
Mas não pense que Adams não possui ainda mais cartas na manga! Com um sistema de campo eletromagnético, o piloto é capaz de identificar quando um míssil está se aproximando e desativá-lo, caso a funcionalidade seja utilizada no momento certo. Além disso, derrotar inimigos e até mesmo tomar tiros fazem com que uma barra de Flux de sua nave aumente. Servindo quase como uma barra de especial, ela torna o jogador capaz de transformar sua nave em um mecha, e aí sim a diversão está completa. Apesar de não durar por muito tempo, enquanto transformado o jogador é capaz de exterminar hordas de inimigos com um simples disparar de mísseis. A sensação de poder é extremamente gratificante, mas deve ser utilizada estrategicamente para que as missões sejam completadas.
Falando em missões, todas elas são bastante parecidas e os seus objetivos se limitam a ter que proteger alguma nave ou destruir uma frota inimiga. Contudo, a ação é tão divertida que as coisas se mantém interessantes até a conclusão da jornada. As missões também possuem alguns objetivos secundários que concedem ao jogador algumas melhorias permanentes à sua nave. Os upgrades são muito úteis e fazem com que valha a pena rejogar alguma fase em busca daquele objetivo deixado para trás.
Para aumentar um pouco a duração do título, Director’s Cut ainda conta com uma campanha extra em que alguns desafios especiais devem ser cumpridos. Considerado pelo próprio jogo como uma campanha extra, os desafios nada mais são do que um DLC lançado pouco tempo depois da estreia do jogo nos computadores. Mesmo não adicionando muito ao pacote, o conteúdo é bem-vindo e ajuda um pouco a justificar o não tão barato preço de 20 dólares que o jogo custa na PSN.

A beleza tem um preço

Strike Suit Zero: Director’s Cut é um jogo muito belo. Contando com efeitos de luz impressionantes e cenários artisticamente lindos, a aventura impressiona pelo cuidado da desenvolvedora em criar um universo tão incrível quanto realista. As fases, que tem um visual bastante variado, são capazes de deixar os jogadores entretidos e impressionados até o fim da aventura. As músicas, que lembram às de obras como Evangelion ou mesmo a franquia Xeno, dão um tom ainda mais épico à aventura, que tem um tom completamente cinematográfico.
Infelizmente, toda a beleza do título faz com que ele sofra com a instabilidade de sua taxa de quadros por segundo, que ocasionam lentidão em momentos em que a ação está muito intensa e com diversos elementos na tela. O problema, apesar de evidente em alguns momentos, nunca chega a atrapalhar a jogatina, mas é algo com que o jogador vai se incomodar e deve se acostumar com o tempo.

Aumentando a coleção

O shooter espacial da Born Ready Games é mais uma grande adição à biblioteca de jogos independentes do PlayStation 4, que já conta com títulos de excelente qualidade como FEZ, Trine 2, Towerfall Ascension e Outlast, e fará com que os jogadores das antigas se divirtam como não se divertiam há anos. Com uma jogabilidade precisa e divertida e uma sensação de poder inigualável, Strike Suit Zero: Director’s Cut é um título obrigatório para os fãs de um gênero que vem sendo cada vez mais esquecido e uma excelente pedida para quem está em busca de algo que saia de mesmice a qual nos acostumamos nas gerações mais recentes.

Prós

  • Ação divertida e intensa o tempo todo;
  • Jogabilidade precisa e fácil de se dominar;
  • Gráficos e trilha sonora excelentes.

Contras

  • História sem graça e genérica;
  • Missões um pouco repetitivas.
Strike Suit Zero: Director’s Cut – PlayStation 4 – Nota: 8.0
Revisão: José Carlos Alves
Capa: Diego Migueis
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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