Jogamos

Análise: Batman: Arkham Origins (PS3) tem ação, Gotham e um herói iniciante

Game mostra como tudo começou na carreira do maior detetive do mundo em seu combate contra o Crime em Gotham City.

Uma coisa ninguém pode negar: a Rocksteady fez um trabalho e tanto com Batman: Arkham Asylum. A empresa conseguiu transportar todo o clima sombrio e misterioso das história em quadrinhos do Homem-Morcego para os videogames de forma fiel e, por que não, até mesmo bastante crível. Com Batman: Arkham City, ela foi ainda mais longe: a ação agora acontecia nas ruas, em uma região de Gotham cercada e transformada em uma imensa prisão. O jogo ficou incrível, com um final impactante e que deixou aquele gosto de “quero mais”.


Foi então que entrou em cena a Warner Bros. Games Montrèal, dando continuidade ao trabalho da Rocksteady ao lançar Batman: Arkham Origins como uma aventura que se passa no início da carreira de Bruce Wayne como um vigilante mascarado. A ideia era boa, descobrir como tudo começou e controlar um Batman ainda principiante prometia uma experiência diferente e inovadora. Mas as coisas não saíram bem assim.


A Origem

Arkham Origins se passa cinco anos antes dos eventos vistos em Arkham Asylum. Durante o jogo, acompanhamos o desenvolvimento de um Batman ainda iniciante e inexperiente — ou, pelo menos, é o que o jogo quer que acreditemos. Na prática não é bem assim: a maior diferença do Morcegão dos jogos anteriores para esse é seu temperamento. O Bruce Wayne de Origins parece bem mais pavio-curto, impulsivo, e isso é o máximo que você vai perceber que possa remeter à sua suposta inexperiência.

Na realidade, alguns de seus equipamentos são ainda mais legais do que os dos dois jogos anteriores. O Arpão é muito melhor, permitindo o recolhimento da sua corda muito mais rápido, proporcionando um grande impulso que pode ser convertido em velocidade de planagem; a bomba de cola substitui a arma do Mr. Freeze usada em Arkham City (e não faz o menor sentido o Morcego deixar de usar um item tão versátil, já que ele não faz parte de seu arsenal em Asylum e CIty). E a Batwing, então, que funciona como transporte para navegação rápida? Quebraria um galho em City na hora de ir de um lado para o outro da cidade, ou até mesmo para resgatar o Morcegão em algumas passagens mais “hardcore” do segundo game.


A trama do jogo gira em torno do Máscara Negra que, cansado do tal Batman que pouco a pouco sabotava seus planos, contrata outros vilões com a promessa de pagar cinquenta milhões de dólares para aquele que exterminasse o Homem-Morcego. Parece promissor, mas… alguns desses confrontos são deprimentes. O primeiro encontro com o Shocker é risível, apesar de isso ser proposital. A batalha contra o Exterminador parece interessante nas primeiras cinco vezes que você joga e perde pra ele; depois disso fica simplesmente irritante ter de contra-atacar cada investida do Slade.


O grande trunfo de Origins talvez seja a ambientação de Gotham: a cidade segue o mesmo esquema de City, sendo um mundo aberto, mas dessa vez você visita Gotham efetivamente. No jogo anterior, apenas uma pequena porção da cidade foi cercada e transformada Arkham City. Em Arkham Origins, vemos não somente uma versão diferente daquele trecho como outras localidades até então inalcançáveis. Mas não estou dizendo, também, que ter uma cidade maior necessariamente seja uma coisa melhor. Depois de um tempo fica chato correr de um lado para o outro (principalmente enquanto nem todos os pontos de desembarque da Batwing estão disponíveis).


O Cavaleiro das Trevas

Os principais pontos positivos de Batman: Arkham Origins são a mecânica stealth e o esquema de combate. Assim como nos outros jogos da série Arkham, derrotar inimigos e completar missões rendem ao Batman uma determinada quantidade de experiência. Origins pega essa ideia e leva um passo adiante, tornando a funcionalidade mais complexa — e demorada, depois de combater um grupo de dez capangas e vencer utilizando diversos gadgets e golpes diferentes não vai ser difícil só receber a XP toda depois de já estar distante do local do embate. O problema é que as duas funcionalidades foram herdadas de seus antecessores. Cadê a novidade?

Atacar os inimigos e desacordá-los antes mesmo que eles percebam o que está acontecendo rende bastantes pontos, então é sempre bom pensar em utilizar táticas stealth quando possível. Esses pontos de experiência podem ser convertidos em novas habilidades, o que ajuda bastante na hora de invadir um prédio repleto de adversários armados e perigosos. Atacar das sombras, sem ser visto, é sempre uma ótima opção. Faça bom uso do título de Cavaleiro das Trevas.


A trama também tenta tornar tudo mais cinematográfico, com cenas de cair o queixo e sequências de ação e tensão que parecem saídas de filmes de Hollywood. Temos um Coringa muito mais insano e perigoso, encontrando no Batman um adversário à sua altura. Presenciar a luta do Morcegão pela confiança da polícia local (especificamente de Jim Gordon) é emocionante. Outro ponto que merece destaque são as investigações criminais. Afinal, estamos ou não diante do maior detetive do mundo? Ao se deparar com uma cena de crime, é possível refazer os passos dos assassinos e de suas vítimas, criando uma reconstituição digital de toda a cena até chegar à identidade do culpado. Ponto pra equipe da Warner Bros. Games Montrèal!


Versão Brasileira
O terceiro título da série Arkham foi totalmente localizado para o português brasileiro. Isto é, temos não apenas legendas, mas também dublagem em nossa língua nativa! E não é qualquer dublagem, pode ficar tranquilo: as principais vozes do jogo são as mesmas do time que dublou a trilogia do Batman de Christopher Nolan. Até mesmo os capangas foram bem dublados, contando com vozes conhecidas da dublagem nacional.

No final das contas, o saldo de Batman: Arkham Origins é positivo. Os combates, a história e a ambientação agradam bastante, principalmente levando em consideração o legado que o jogo carrega. O problema talvez seja a falta de inovação e a pretensão de se tornar um jogo grandioso, maior do que os dois anteriores. Talvez com uma história um pouco mais profunda e sombria, com melhor aproveitamento das sequências de batalha contra os principais vilões, o resultado fosse diferente e o game se saísse um pouco melhor. Mas, de qualquer forma, Arkham Origins está longe de ser um jogo ruim.

Prós

  • Fluência do combate e ação steath herdadas de Asylum e City;
  • O Coringa, ainda mais insano e perigoso do que nos jogos anteriores;
  • Gotham (vai dizer que você não queria visitar a cidade do Morcego?);
  • As cenas de crime, que apesar de serem bem poucas ajudam a quebrar a rotina e a tornar o gameplay mais diversificado.

Contras

  • Falta de inovação;
  • Batman “inexperiente” com equipamentos superiores aos do Batman “experiente” de City e Asylum;
  • Vilões mal aproveitados, com batalhas irritantes ou simples demais;
  • Tentou ser maior e melhor que os anteriores, mas falhou. Acabou sendo apenas maior mesmo.
Batman: Arkham Origins — PlayStation 3 — Nota: 7,0
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Diego Migueis
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook