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Análise: Fate/Extra (PSP) traz as reviravoltas da história a um novo nível

Heróis, lendas e mitos ganham vida e lutam novamente em nome de seus mestres em uma guerra onde o último de pé é o único que sobrevive

Inicialmente lançado no ano de 2004 como uma visual novel para PCs no Japão, Fate/Stay Night conseguiu atingir muitos na época devido à sua temática um tanto quanto diferente, as situações que lavava o jogador a passar e, como ponto principal, sua história. Isso tudo junto fez com que a franquia se estabelecesse como uma das de mais sucesso do Japão, criando assim, vários outros rumos, dentre eles livros, mangás, jogos e longa mentragens, fazendo com que a franquia se expandisse para o resto do mundo.


Em 2011, a TypeMoon, desenvolvedora do jogo original, resolveu fazer mais uma aposta no PSP, trazendo-nos Fate/Extra, que se passa em um universo paralelo à franquia, com novas situações, personagens e, claro, muita magia. Será que a série conseguiu um lugar com a própria fórmula de RPGs? Confira conosco!

A Guerra Santa se refaz

No universo de Fate/Stay Night um acontecimento ocorre de tempos em tempos. Este é chamado de Guerra do Santo Graal, um evento que reúne sete magos para lutar até a morte para conseguir o direito de possuir o Graal, a relíquia cristã. Para essas lutas, os magos recebiam o direito de evocar sete servos de sete classes diferentes, sendo eles Caster, Berserker, Assassin, Lancer, Archer, Rider e Saber. Todos os servos eram Espíritos Heróicos que possuíram grande influência na história da humanidade, sendo reais ou frutos de lendas e crendices.

Em Fate/Extra, a guerra do Graal se passa não na Terra, mas sim na lua, possuindo cento e vinte e oito participantes. Após a fonte de magia do planeta se esvair por completo, a humanidade descobriu um misterioso e desconhecido computador na superfície lunar. Chamado de Moon Cell, o computador gravou os acontecimentos da Terra por incontáveis anos. De tempos em tempos, o dispositivo utiliza um sistema chamado Serial Phantasm (Fantasma Serial), ou simplesmente SE.RA.PH., para recriar a guerra do Graal. O dispositivo reúne as almas de 128 participantes, dentre eles, humanos ou NPCs, que ao invés de magos se chamam de hackers. Cada um recebendo três selos de comando primordiais, o que dá o direito de serem chamados de mestres por seus servos e adentrar na guerra.
Todos os mestres ganham o direito de evocar um servo, sendo este um Espírito Heróico icônico da história mundial.

A vida que não possui um sentido

Ao chegar na escola em um determinado dia, o protagonista do jogo começa a reparar em alguns fatos no mínimo estranhos e começa a questionar tudo aquilo. Após tantos questionamentos, começa a reparar que não possui memórias de seu passado e que não sabe quem é. Saindo à procura de respostas, é arrastado para algo extraordinário, que sequer imaginaria: uma batalha que custaria sua vida. Nisso, um estranho Espírito se materializa e o protege, fazendo com que perca a consciência.
À beira da morte, o personagem consegue a atenção do servo, que aparece para salvá-lo.
Algum tempo depois, o protagonista desperta onde aparentemente seria a enferamaria do colégio em que estudava, questionando os fatos que presenciou, se eram de fato reais ou não. Entretanto, ao observar sua mão, percebe um estranho símbolo: os selos de comando. Após se dar conta do que aconteceu, seu servo aparece e explica que agora é um dos cento e vinte e oito participantes da Guerra pelo Graal e que há apenas duas maneiras de sair de lá: vitorioso, com o Graal, ou morto. Agora, cabe ao jogador decidir o destino do personagem em meio a vários questionamentos, lutas de vida ou morte, amigos e inimigos e conseguir respostas, sendo uma delas, a sua própria identidade.
Logo ao acordar, o protagonista sai em busca de respostas e encontra alguns personagens já conhecidos na franquia.

Acha que isso é um jogo, garoto?

Assumindo o estilo de RPG por turno, Fate/Extra é dividido entre conversações e exploração de calabouços, sendo que os diálogos são totalmente em texto, sem possuir cutscenes ou animações muito elaboradas, algo um pouco mais parecido com uma visual novel. O jogo se passa dentro dos limites do colégio Tsukumihara, onde o protagonista estudava. O jogador pode escolher apenas o gênero e o nome do personagem, algo justificado pela falta de memória e experiência do jovem, que o impede de fazer alterações em sua aparência dentro do computador, tendo assim um avatar aleatório criado pelo sistema. Por se passar em uma escola, os corredores estão cheios de mestres e NPCs do sistema, o que possibilita e, basicamente, limita a área do colégio às conversações e às situações que não envolvem batalhas.

Dentro da escola, um espaço, chamado de arena, é reservado para o treinamento e prática dos magos e de seus servos, afinal quem lutará de fato serão os Espíritos. A arena pode ser considerada como uma espécie de calabouço para a exploração, onde monstros gerados pelo computador habitam. Derrotando-os, o protagonista ganha pontos de experiência e dinheiro, o que ajuda a evoluir. Ao passar de nível, o jogador ganha três pontos de habilidade para poder distribuir no sistema de alteração de alma (o equivalente aos pontos de atributos), recuperando assim as habilidades perdidas de seu servo, devido à sua falta de memória.
Dentro da arena, o jogador é livre para enfrentar monstros e procurar itens.
Nesta guerra são realizados duelos de vida ou morte entre dois mestres. Ao anunciar quem duelará contra quem, é dado um prazo de uma semana para que os jogadores se preparem para a batalha. Dentro deste prazo, o jogador deve evoluir as habilidades de seu servo recuperando-as, pois, já que não possui memória, o servo fica limitado às habilidades do mestre, conseguir informações sobre o adversário, para que a sequência deste seja revelada, e adquirir as chaves que dão acesso à arena de duelo. Lutar fora da arena de duelo é ilegal, portanto caso ocorra algum confronto entre os participantes, o sistema desativará a batalha na terceira rodada.

No total são duas chaves, uma em cada andar da arena, geralmente se localizando ao final destas em algum dos baús de itens que podem ser encontrados por lá. Sem as chaves, o jogador não pode entrar na arena de duelo de eliminatórias, fazendo com que sua morte seja iminente.
Os duelos de eliminação, mesmo dramáticos e mortais, conseguem ser épicos.

O poder da informação

Algo que sempre esteve presente na série Fate é o fato de que a informação é crucial para a vitória. Conhecer o inimigo, estudando suas habilidades e, principalmente, descobrindo a verdadeira identidade do servo do adversário, o que pode levar à vitória certa.

Com esse princípio, Fate/Extra traz um sistema interessante de sequências para as batalhas. Baseadas em turnos, o jogo adota um sistema inspirado na tríade “pedra, papel e tesoura”. Há três comandos disponíveis: break, ataque e defesa. Break é um ataque pesado que quebra a defesa do oponente e desfere dano, ou seja, não pode ser defendido. Ataque consiste em um golpe mediano, com o mesmo dano de break, mas, contrariando, pode ser defendido. Já defesa, como o próprio nome já diz, repele ataques normais, dando a chance de um contra-ataque.
Algumas partes da sequência do inimigo estarão visíveis, podendo ajudar a descobrir qual padrão utilizar.
Como é um sistema equilibrado, cada um possui seu acerto, mas também sua falha, criando assim uma igualdade justa. Break pode quebrar a defesa do adversário, mas sua sequência pode ser quebrada pelo ataque. O ataque é efetivo contra break, mas quando bate contra a defesa, é repelido e o personagem que repeliu o comando recebe o direito de um contra-ataque, desferindo assim um golpe, seguindo o ciclo. Caso algum dos golpes seja igualmente desferido por ambos os lados, pode ser anulado ou ambos recebem o dano. Seguindo este ritmo, o jogo compila o sistema de turnos em rodadas, cada rodada possuindo seis turnos ou possibilidades de ataques. Caso algum dos servos atinja com sucesso o adversário três vezes seguidas, um turno extra lhe é concedido, podendo estender a rodada a até oito. Nos turnos, o jogador pode optar por utilizar as habilidades normais, as skills do servo, uma habilidade do mestre ou um item.

Cada adversário, seja com monstros ou apenas com humanos, possui seu estilo de luta e sua sequência própria, o que não se aplica totalmente aos outros mestres. Ao adentrar em uma luta uma barra de opções será mostrada. Lá o jogador deverá inserir a sequência desejada, tentando prever e anular a sequência inimiga. Mas não se desespere, pois nem todas estarão escondidas. Quando se enfrenta os monstros normais alguma parte de suas sequências é revelada e, quanto mais se enfrenta o mesmo monstro, mais partes da sequência são reveladas, dando a possibilidade de ser totalmente visível.
Ao terminar de inserir a sequência, o jogador pode revisá-la.

O futuro está em suas mãos

Como em vários outros jogos do gênero, Fate/Extra possui um sistema de escolhas que leva a vários finais alternativos, podendo resultar em uma morte instantânea ou em alguma consequência ao final do jogo, tal como qual será o rumo tomado ou próximo servo a ser enfrentado ou quantos selos de comando possuirá até o fim do game. Caso o mestre perca todos os três selos, ele perde o direito de comandar o servo e é morto instantaneamente, pois um mestre sem servo não é capaz de lutar. Isso se aplica às mortes do personagem em si, pois, caso o servo morra em batalha, o personagem fica indefeso contra os monstros à sua volta, levando à sua morte.
Algumas das side missions de Tiger podem até mesmo influenciar no que estará por vir.

O Graal está em boas mãos

Mesmo sendo limitado apenas à escola, Fate/Extra possui proporções imensas. Contando com vários (mesmo) finais alternativos, uma trilha sonora amigável e imersiva e uma história muito bem adaptada e cativante, que consegue variar, mas sem perder o foco da original, tanto que chega ao ponto de fazer com que o vazio dos corredores seja percebível, de modo a se importar com cada personagem morto. A relação entre os personagens consegue chamar a atenção, pois, mesmo possuindo uma inimizade extrema, a ponto de alguns NPCs se recusarem a falar com o protagonista pelo fato de não querer revelar informações, ou então pela relação ser tão forte que faz com que cada duelo possua uma nova surpresa, tendo também o desenvolvimento da relação entre mestre e servo no decorrer do jogo, que guarda o segredo do servo até o momento certo.

As informações necessárias dos servos é um dos fatores que mais chamam a atenção, pois, à medida em que as informações são adquiridas, o que é feito aos poucos, mais cresce a vontade de saber quem é o personagem que estamos lutando contra, o que faz com que o carisma de cada um seja muito alto.

O sistema de batalhas é muito bem explorado, fazendo com que o jogador tenha de planejar muito bem os atos, o que também serve para os momentos fora da batalha. A exploração da arena, embora pareça repetitiva, consegue ser divertida e diversificada, com obstáculos criados pelo próprio sistema ou algum improviso do adversário. Além de, é claro, possuir um efeito replay, não só pelo fato dos vários finais, mas sim pela vontade de conhecer mais sobre os outros servos disponíveis para a escolha.

Prós


  • História, embora adaptada, possui a própria identidade;
  • Personagens muito carismáticos;
  • Espíritos Heróicos muito bem escolhidos;
  • Sistema de batalha interessante e de fácil compreensão;
  • Exploração de calabouços divertida e interessante;
  • Duelos conseguem ser trágicos e épicos ao mesmo tempo.

Fate/Extra - Aksys Games - PSP - Nota: 10
Revisão: José Carlos Alves
Capa: Stefano Genachi 
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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