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Análise: Octodad: Dadliest Catch (PS4) é uma das aventuras mais engraçadas de 2014

Viva umas das experiências mais peculiares dos últimos tempos no controle de um polvo que tenta se passar por humano!

Uma das características mais especiais dos videogames é a sua capacidade de fazer-nos viver situações épicas e até mesmo impossíveis na vida real. Graças a eles, podemos explorar novos planetas, tornar-nos soldados infalíveis e aventureiros incansáveis, quase sempre vasculhando mundos criativos e até então inimagináveis. Contudo, poucas desenvolvedoras ousam sair da zona de conforto dos jogadores e apresentar experiências que são malucas o bastante a ponto de ninguém tê-las imaginado. Este é o caso de jogos como os da franquia WarioWare, com seus minigames frenéticos e nonsense, ou mesmo algo que se pode ver em toda a obra de Suda 51, dado que seus jogos sempre apresentam uma mistura bizarra de referências a cultura pop com um toque de insanidade. Mesmo assim, em mais de 20 anos jogando videogames, nunca havia me deparado com algo tão peculiar quanto Octodad: Dadliest Catch, título desenvolvido pela novata Young Horses, que é diversão do começo ao fim com uma das temáticas mais divertidas e adoráveis que já testemunhei em um jogo.


Vivendo em família

Octodad conta a história de um polvo que gosta de viver como um ser humano. E como isso funciona? Eu ainda não sei, mas ele fez muito bem o seu trabalho, já que conseguiu se casar e até mesmo ter dois filhos, todos humanos. Com uma rotina pacata em um bairro americano, com direito a churrascos em família e brincadeiras no jardim, a vida de Octodad entra em crise quando a sua família decide visitar o aquário municipal, o que resulta em uma situação que pode acabar revelando sua real identidade. No meio de toda essa maluquice, o polvo ainda terá que escapar de um chef de cozinha que sabe de seu segredo e que deseja cozinhá-lo a qualquer preço. É… e você reclamando dos seus problemas banais de um ser humano qualquer.


No controle de Octodad, você deverá cumprir uma série de missões que dão andamento ao enredo enquanto tenta se comportar como um ser humano. É claro que a tarefa não é nada fácil, já que o polvo é completamente desengonçado e controlá-lo de maneira que ele pareça um ser humano beira ao impossível. E aí está a graça do título, já que as situações inusitadas pelas quais o jogador deve passar tornam o jogo um verdadeiro filme de comédia.

Se aventurando pela humanidade

Durante a curta jornada, que dura cerca de três horas, Octodad terá que servir café da manhã aos seus filhos, fazer compras em um super mercado, e até mesmo jogar ice hockey com um desconhecido. Tudo isso para viver como o ser humano que sempre almejou ser. Para realizar as tarefas, o jogador terá que ter uma coordenação motora quase impecável e uma paciência de ferro. Muito desengonçado, Octodad esbarra em tudo o que vê pelo caminho e várias vezes parece fugir ao controle do jogador, o que torna tudo muito desafiador.


O polvo é controlado basicamente pelos botões de ombro do DualShock em conjunto com as alavancas analógicas. Cada um dos botões controla um dos tentáculos, enquanto as alavancas servem para movimentá-los para diferentes direções. É inegável que os comandos são deveras confusos e até difíceis de serem executados, mas ainda assim eles fazem bastante sentido, já que a intenção dos desenvolvedores é fazer com que o jogador erre muito e tenha dificuldades em realizar até as mais simples ações desempenhadas por seres humanos no controle de um polvo.


Certos momentos da aventura chegam a ser até um pouco desesperadores, tamanha a dificuldade em realizar certos movimentos. Em uma passagem do gameplay, por exemplo, o polvo deverá subir em um escorregador cheio de obstáculos para encontrar-se com seu filho e, enquanto faz isso, você será grato como nunca por possuir mãos e dedos ao invés de tentáculos.


Octodad é uma aventura bastante linear, e se não fosse tão divertida e inusitada não seria digna de uma revisita. Com alguns poucos colecionáveis para serem encontrados, o jogo preza pela exploração e os cenários foram criados de maneira que o jogador não apenas morre de rir enquanto joga mas também enquanto destrói todo o ambiente devido a falta de estabilidade e coordenação do personagem.

A beleza da simplicidade

Octodad: Dadliest Catch não possui gráficos de ponta e tampouco faz jus ao hardware do PlayStation 4. A verdade é que o título rodaria sem dificuldade alguma no PlayStation 3 e que é até inexplicável como o título não foi lançado para as duas plataformas. Mesmo assim, os gráficos do jogo são adoráveis e não farão com que você reclame em nenhum momento. Jogar Octodad é quase como assistir a um desenho animado divertido, daqueles que marcam a sua memória, e os gráficos simples são capazes de transportá-lo facilmente para as situações que o jogo deseja que o jogador viva.


Leve e carismática, a trilha sonora aumenta ainda mais o clima de desenho animado do jogo, que conta até com uma música tema cantada para o polvo. Todos os personagens do jogo são dublados e o texto tem vários momentos engraçados, com destaque para a filha do casal, que é, de longe, a mais inteligente. Octodad não fala inglês, mas, por alguma razão desconhecida, todos conseguem entender seus gemidos de polvo, que sempre são muito engraçados.

O poder da criatividade

A estreante Young Horses apostou em sua criatividade e desenvolveu um título cativante, encantador e extremamente divertido logo de cara. Octodad: The Dadliest Catch pode não ser um AAA, mas certamente possui charme e carisma suficientes para agradar qualquer tipo de jogador. Apesar da jogabilidade ser um pouco complicada, ela é completamente coerente com a proposta do jogo e faz com que o jogador se sinta ainda mais imerso no universo do título, o que acaba fazendo dela uma qualidade peculiar para um título ainda mais peculiar ainda. Imperdível!


Prós

  • Proposta inusitada e divertidíssima;
  • Situações constrangedoras e engraçadas;
  • Jogabilidade difícil dá ainda mais coerência à proposta.

Contras

  • Poderia ter sido lançado também para PlayStation 3;
  • Jogabilidade complexa pode afastar alguns jogadores.
Octodad: Dadliest Catch – PlayStation 4 – Nota 8.0
Revisão: Samuel Coelho
Capa: Felipe Araújo
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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