Blast from Japan

LSD: Dream Emulator criou uma experiência bizarra no PlayStation

Produzido pela Asmik Ace Entertainment e baseado em um diário de sonhos, pouco ainda se compreende sobre esse game lançado em 1998 para o PlayStation.


Quando dormimos, podemos sonhar. Mas o que seriam os sonhos? Seriam representações do que vemos e sentimos? Ou seriam meras imagens aleatórias geradas pelo nosso cérebro? Poderiam até ser premonições do que está por vir, quem sabe?


A questão é que é difícil definir a natureza de nossos sonhos. Logo, fazer um jogo baseado neles não deveria ser fácil. Mesmo assim, LSD: Dream Emulator – game com essa proposta, lançado em 1998 para PlayStation, no Japão – tentou cumprir essa missão. O resultado? LSD continua sendo tão compreendido hoje quanto era 16 anos atrás.

Sonhos, pesadelos e flashbacks

LSD é baseado em um diário de sonhos de um dos funcionários da Asmik Ace Entertainment, produtora de games no Japão. Não é necessário falar que a empresa viu potencial no diário, que foi mantido por 10 anos. Isso significa que as situações mostradas no game são todas baseadas em sonhos reais, que um ser humano teve. 

Após jogar Dream Emulator, é impossível não pensar que o tal funcionário devia ser doido. O jogo é muito esquisito, com eventos ocorrendo sem explicação plausível, texturas estranhas e uma trilha sonora mais estranha ainda.
Esse parece ser um sonho legal...
O tempo do jogo era dividido em dias, com cada sonho correspondendo a um dia. As sessões entre os sonhos (ou seja, quando seu personagem estivesse "acordado") eram constituídas de um menu principal, onde podíamos configurar as opções de jogo e ver a classificação do sonho anterior. Essa classificação poderia ser "Feliz/Divertido", "Triste/Assustador", "Sem graça" e "Dinâmico". A maneira como os sonhos fluíam podia determinar a natureza dos sonhos seguintes.

O problema é que não era possível ter muito controle sobre a experiência. Isso se devia à natureza altamente aleatória do jogo. O jogador poderia estar caminhando em uma simpática vila japonesa, com bailarinas dançando no meio da rua e, no segundo seguinte, estar em um bairro assustador, com corpos no chão e pessoas enforcadas nos postes. LSD pode ser divertido, mas também pode ser igualmente macabro.
... esqueçam.
O gameplay era muito simples: o jogador andava pelos cenários, observando o que ocorria. Quando cansasse do local em que estava, bastava encostar em uma parede, objeto ou NPC, que isso o faria ser transportado a outra área. Esse processo, chamado de linking, era o único tipo de interação que se tinha com o jogo. Encostar em coisas específicas ou difíceis de serem achadas levava o personagem a locais "especiais", com vários eventos ocorrendo. 

Após o 15º dia, aparecia uma nova opção no menu principal, chamada de Flashback. Esse modo permitia que os jogadores revisitassem sonhos anteriores, permitindo ver eventos que pudessem ter perdido. Como o mesmo sonho nunca acontecia duas vezes no jogo, Flashback era o único jeito de revisitar o mesmo local com os mesmos eventos.

Também devemos fazer uma menção ao Grey Man, o personagem que mais se aproxima de ser um antagonista. Grey Man usa um sobretudo e chapéu cinza, e seu rosto não é visível. Ele aparece aleatoriamente nos sonhos e, ao ver o jogador, irá perseguí-lo. Se chegar muito perto, ele simplesmente desaparece em uma explosão de luz branca. No entanto, após isso ocorrer, o jogador não conseguiria mais revisitar o sonho usando o modo Flashback. Em alguns casos, ele também mudaria as texturas das paredes e dos objetos.
O misterioso Grey Man assombra os sonhos do jogo.

No limite do surreal

LSD usou todo o potencial gráfico do PlayStation para criar cenários bizarríssimos. O game atuava em dois extremos: ou havia muita iluminação, com cores vibrantes e reluzentes, ou tudo estava escuro e cinza. Por meio do linking, não era difícil pular de um para o outro em questão de milésimos. Paredes de casas por vezes apresentavam quadros e fotos aleatórias, e o chão (não raramente) estava pintado com letras. É até difícil descrever como funciona toda a combinação de elementos gráficos, mas quase sempre ela beira o nonsense.

O título segue a mesma linha na parte sonora. Houve atenção especial aos efeitos, principalmente aos dos passos do personagem. Pode-se ouvir claramente quando ele está pisando em concreto, em grama, em lama, em borracha e em elefantes rosas (sim, é possível). Alguns NPCs e objetos também apresentam efeitos sonoros, podendo ser engraçados, macabros, ou uma estranha mistura entre os dois. 

Quanto à trilha sonora, podemos dizer que ela dispensa comentários. Vamos apenas dizer que ela misturou techno com industrial… e o resultado é melhor ser ouvido do que discutido.

Bons sonhos…

LSD: Dream Emulator pode não ser o jogo mais famoso do mundo, mas conseguiu atingir a posição de cult entre os jogadores que o conhecem. A proposta única do título é bem interessante, e é legal ver que uma desenvolvedora teve coragem de explorar um tema tão nebuloso como os nossos sonhos. 

Muito pouco se conhece sobre Dream Emulator. Talvez os personagens, o processo de linking e o modo Flashback estejam todos conectados, ou talvez não. Os produtores pouco falam sobre o game. Como consequência, muitos boatos a seu respeito foram espalhados na internet, e alguns são bem obscuros. Verdadeiros ou não, o fato é que LSD: Dream Emulator é um jogo diferente e instigante. Hoje em dia, é possível encontrá-lo na PSN japonesa para download.

Em última nota, vale lembrar que LSD é uma sigla para Lovely Sweet Dream, e não uma referência à droga alucinógena do mesmo nome. Se bem que, devido à natureza aleatória e maluca do game, qualquer interpretação acaba sendo válida. 


Revisão: Bruno Nominato
Capa: Vitor Nascimento
Gabriel Gonçalves é estudante do Ensino Médio e joga videogames desde que ganhou seu primeiro console aos 5 anos de idade. Quando não está jogando algum jogo de terror qualquer ou entrando em hype para um novo Zelda, normalmente está dando uma olhada no Facebook.

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