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Análise: The Last of Us Remastered (PS4) nos leva de volta ao belíssimo apocalípse da Naughty Dog

A odisseia de Joel e Ellie chega ainda mais impressionante no PlayStation 4!


A Naughty Dog é uma das mais renomadas desenvolvedoras de toda a indústria. Desenvolvendo franquias de peso desde a era PlayStation, a empresa consolidou de uma vez por todas o seu status de gigante com o PlayStation 3 e a franquia Uncharted. Para fechar a geração com chave de ouro,  a desenvolvedora lançou The Last of Us, uma superprodução que, com sua jogabilidade perfeita, enredo profundo e gráficos espetaculares levou o console da Sony a um patamar que ninguém pensava que ele poderia chegar. O título abocanhou mais de duzentos prêmios de jogo do ano e se consagrou como um dos melhores jogos de todos os tempos.



Pouco mais de um ano depois, com o PlayStation 4 já no mercado, a Sony e a Naughty Dog viram uma boa oportunidade para relançar o seu clássico para o novo console. Com um visual ainda melhor, todos os conteúdos baixáveis já inclusos no disco e um divertido Photo Mode, como o de INFAMOUS: Second Son, as empresas apostam que um público que ainda não teve a chance de jogar o título possa conhecê-lo, e, por mais que os jogadores possam criticar essa atitude, ela não poderia ter sido melhor.

A meta da Naughty Dog

Se enganam aqueles que pensam que a Sony e a Naughty Dog lançaram The Last of Us Remastered unicamente para conseguir dinheiro fácil de fãs cegos que se apaixonaram pelo jogo. Como duas empresas que visam o lucro, a busca por ganho de capital é o seu maior objetivo, e isso não deve ser recriminado de maneira nenhuma, já que é isso que faz com que qualquer empresa se mantenha viva para produzir seus produtos.


A geração passada foi marcada por uma guerra de exclusividades que fez com que muitos jogadores deixassem de jogar muita coisa por não terem condições de ter mais de um console ou mesmo por não desejarem ter mais do que um. O PlayStation 4 é um verdadeiro fenômeno de vendas e está abrindo uma vantagem cada vez maior em relação a seus concorrentes diretos, e parte deste público era proprietário de um Xbox 360 ou mesmo de um Wii na geração passada. Proprietários de Wii U também vêm dando uma chance ao PlayStation 4 para tê-lo como segundo console para não perder os grandes lançamentos de third parties. Entenderam onde quero chegar?


No ano passado, The Last of Us causou comoção em toda a indústria, e muitos jogadores que não possuíam um PS3 queriam pelo menos testar o jogo. Com as vendas absurdas do PS4 e o longo tempo de desenvolvimento da geração atual, que fará com que Uncharted 4 só seja lançado no ano que vem, é natural que a Sony esteja tentando preencher a lacuna de lançamentos para seu console. E, ao contrário do que muitos pensam, o jogo é novidade para grande parte dos proprietários do PS4, e certamente tem espaço para crescer e ser adorado por ainda mais jogadores.

Sobrevivendo ao fim do mundo

The Last of Us Remastered é exatamente o mesmo jogo lançado no ano passado, mas com um série de melhorias que tornam a experiência mais prazerosa. Para quem não sabe, em The Last of Us o jogador assume o controle de Joel, um sobrevivente de uma forte epidemia provocada por um fungo que assolou boa parte da humanidade. Joel deverá escoltar Ellie, uma garota de personalidade forte para um grupo de revolucionários que se auto denominam “Os Vagalumes”. Sem entender bem as motivações do grupo para proteger a garota e não tendo nada a perder, o rapaz aceita a missão mesmo sabendo de todos os perigos que poderá enfrentar.


The Last of Us não chega a ser um survival horror, mas faz com que o jogador tenha que saber se virar para sobreviver no mundo apocalíptico do jogo. Com pessoas infectadas por todas as partes que, apesar de não enxergarem, possuem a audição muito aguçada, Joel e Ellie devem conseguir passar desapercebidos por diversos ambientes e o clima de tensão predomina o tempo todo. Apesar disso, os principais inimigos dos heróis do jogo são os seres humanos: de sobreviventes tentando conseguir suprimentos até policiais na cola dos Vagalumes, as pessoas do jogo são extremamente hostis e perigosas, sendo capazes de tudo para conseguirem o que desejam.


É claro que o jogo tem vários momentos contemplativos, e estes são alguns dos mais belos da história dos videogames. Os diálogos de Ellie, que no início é apenas uma garota mimada, com Joel são comoventes, e a maneira com que a relação entre os dois vai tomando forma é emocionante e supera muitas produções hollywoodianas no que se refere à construção de personagens e consistência de enredo.

O ápice da jogabilidade

Para quem não sabe, The Last of Us é um jogo em terceira pessoa que utiliza muitos elementos da jogabilidade de tiro de Uncharted somados à novas mecânicas stealth. Durante a jornada, Joel utiliza diversas armas, desde potentes espingardas até facas ou pedaços de madeira. Apesar de funcionar muito bem, o sistema de combate não deve ser muito utilizado no jogo, que dá muito valor à jogabilidade stealth. Neste sentido, Joel é capaz de se esconder, distrair inimigos com objetos espalhados pelo cenário e até mesmo aguçar sua audição para detectar inimigos ao seu redor.


Tudo funciona muito bem e os controles são extremamente precisos, o que faz com que os jogadores se sintam à vontade para experimentar novas estratégias para sobreviver. Falando em sobrevivência, o jogo ainda conta com um sistema de montagem de objetos como facas, kits de primeiros socorros e outros utensílios para tornar a jornada de Joel menos sofrida.


The Last of Us é um jogo longo e com desafio na medida certa e é capaz de ocupar jogadores por muito tempo, ainda mais com seu modo multiplayer robusto e divertido, que coloca grupos de mercenários para lutarem entre si. A versão Remastered já conta com todos os mapas disponibilizados via DLC no decorrer do ano passado, além do excelente Left Behind, conteúdo para um jogador em que você deve controlar Ellie vivendo eventos anteriores à campanha principal.

O mais belo fim do mundo

Se The Last of Us já era lindo no PlayStation 3, no novo console da Sony o jogo consegue o milagre de ficar ainda melhor. Com modelos de personagens na mesma qualidade das cutscenes da versão do ano passado, sombras e texturas melhor trabalhadas e uma taxa de framerate melhor, o jogo supera todas as expectativas e se mostra uma verdadeira pérola visual. A evolução gráfica não é tão gritante como alguns esperavam, mas pequenos detalhes fazem a diferença e tornam o jogo um dos mais bonitos já lançados não apenas no PlayStation 4, mas em todos os consoles. O trabalho de dublagem é o mesmo da versão para PlayStation 3, assim como a trilha sonora, o que é excelente, já que o jogo já chegava a níveis altíssimos de qualidade.

Clássico revisitado

The Last of Us Remastered pode não ser uma boa pedida para os que tiveram a oportunidade de jogar o título no ano passado, já que as mudanças não chegam a ser drásticas, mas é um excelente jogo e completamente obrigatório para quem não teve a chance de aproveitá-lo no PS3. Um clássico que prova que a Naughty Dog é uma das melhores desenvolvedoras de jogos de todos os tempos e uma prova de que videogames são uma forma de arte capaz de tocar a alma de qualquer um que se permitir.

Prós

  • Enredo profundo e belo;
  • Jogabilidade refinada que beira a perfeição;
  • Gráficos ainda mais bonitos;
  • Trilha sonora magnífica;
  • Todos os DLCs estão inclusos no disco;
  • Photo Mode produz imagens maravilhosas.

Contras

  • Mesmo com tanto conteúdo, um dia a aventura acaba.
The Last of Us Remastered – PlayStation 4 – Nota 10
Revisão: Luigi Santana
Capa: Sybellyus Paiva
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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