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Análise: Tales of Hearts R é um divertido JRPG para PS Vita

O novo título da série Tales utiliza fórmulas já consagradas, mas não deixa de ser uma ótima experiência.


Tales of Hearts (DS) é considerado um dos destaques da série de JRPGs: o jogo, que não foi lançado fora do Japão, utilizava conceitos interessantes e não muito utilizados anteriormente na franquia. Muitos anos se passaram e a Bandai Namco decidiu revisitar o jogo, assim como foi feito com Tales of Innocence (DS). Assim surgiu Tales of Hearts R para PS Vita, uma “reimaginação” do título original. Hearts R é completamente diferente da versão de DS e se aproxima muito mais dos outros títulos 3D da série, ao mesmo tempo que introduz alguns novos elementos.

Reconstruindo uma alma fragmentada

No mundo de Celland, a essência das emoções das pessoas assume a forma de um cristal, que é chamado de Spiria. A paz do planeta é perturbada pela chegada dos Xerom, monstros terríveis que se alimentam dos Spirias dos individuais. O resultado disso é uma doença chamada despir, que altera drasticamente as emoções do infectado e pode levar até a morte. Para combater estas criaturas, os humanos criaram as Somas: armas especiais que refletem o Spiria da pessoa. Por meio destes equipamentos, os Somatics — aqueles capazes de utilizar Somas — conseguem entrar no Spiria dos infectados e destruir os Xerom invasores.

Kor Meteor é um garoto que acaba de herdar uma Soma de seu avô, depois de muito treino. Sua vida pacata muda quando ele encontra uma garota desacordada na praia perto de sua casa. Ela se chama Kohaku Hearts e está viajando na companhia de seu irmão Hisui. Os dois estão fugindo de uma feiticeira que está tentando matar a garota a todo custo. A única esperança deles é conseguir uma Soma para poder se defender.

Kor decide ajudar os irmãos e partem para um santuário perto da vila, onde uma Soma está guardada. Lá o grupo é surpreendido por Incarose, a feiticeira que está caçando Kohaku. Eles são atacados por ela e por vários Xerom, sendo que um dos monstros consegue entrar no Spiria de Kohaku. O grupo consegue fugir, mas a garota agora está infectada e doente. Kor usa sua Soma para entrar no Spiria de Kohaku e derrotar as criaturas. O garoto consegue eliminar os Xerom, mas algo dá errado e ele danifica o Spiria de Kohaku, que se divide em inúmeras partes e se espalha pelo mundo. Por conta disso, a garota perde todas suas emoções. Sentindo-se culpado, Kor decide sair em uma jornada para recuperar todos os pedaços do Spiria de Kohaku. Esse é só o ponto de partida de uma grande aventura que pode mudar completamente o destino do mundo.

Utilizando novamente a fórmula já conhecida

Tales of Hearts R segue a fórmula já consagrada na série Tales: explorar calabouços e cidades, com um sistema de batalha direcionado à ação. Enquanto o jogo original de DS inovou em vários aspectos como a ausência de mapa-múndi e combate diferenciado, a reimaginação de Vita segue uma linha mais tradicional da franquia. As mudanças foram profundas e só o conceito básico da história foi mantido, todo o resto foi alterado.

A mudança mais aparente está no visual: Hearts R apresenta gráficos poligonais, com direito a um imenso mapa-múndi e movimentação 3D. Infelizmente a parte visual não foi muito bem trabalhada. Enquanto os modelos dos protagonistas são até bem feitos, o mesmo não pode ser afirmado de todo o resto: as cidades e localidades contam com visual simples e genérico, repletos de texturas em baixa resolução e objetos feitos de qualquer jeito. A movimentação dos personagens também não é das melhores e é um tanto robótica, fato que fica ainda mais aparente nas cenas não interativas. É meio decepcionante ver que o poder técnico do Vita não foi bem aproveitado. Títulos antigos da série, como Tales of the Abyss (PS2/3DS) e até mesmo Tales of Symphonia (GC/PS2/PS3) apresentam mais esmero em sua parte técnica do que Tales of Hearts R. A trilha sonora está repleta de composições desinteressantes e nada memoráveis, salvo os energéticos temas de batalha.

Fora isso, o jogo segue a fórmula básica da série: descubra seu próximo objetivo em uma cidade e explore calabouços, sempre derrotando todos os oponentes que aparecem no caminho. Todos os lugares estão repletos de segredos escondidos, como missões paralelas, receitas de comida e itens raros. A quantidade de conteúdo é grande, sendo que alguns eventos só estão disponíveis em jornadas subsequentes. Os diálogos são divertidos e cada personagem tem personalidade bem única — não deixe de assistir às tradicionais skits para conhecer melhor os protagonistas. Somente a dublagem japonesa está disponível, o que deve agradar aos fãs fervorosos.

Combate na terra e no ar

A parte mais divertida de Hearts R é, sem sombra de dúvidas, seu combate. Como é de praxe na série, as batalhas acontecem em tempo real e os personagens são controlados diretamente pelo jogador. Os confrontos acontecem em uma arena 3D, mas os heróis se movimentam em um plano de duas dimensões em relação com o alvo escolhido — o analógico esquerdo do portátil permite andar livremente pelo cenário de maneira independente. Os botões executam ações como atacar, defender e ativar técnicas especiais e feitiços; também é possível acessar um menu para usar e equipar itens e outras opções.

Uma novidade bem-vinda nesta versão é a flexibilidade ao montar combinações de ataques: golpes simples e especiais podem ser utilizados em qualquer ordem (e até mesmo mais de uma vez), com pouquíssimas limitações. Cada personagem conta com um atributo chamado Tecnical Counter (TC), que determina quantas vezes as técnicas especiais podem ser utilizadas em sequência. Um herói com TC 4, por exemplo, consegue executar quatro golpes especiais no mesmo combo. Uma vez utilizado todo o TC, basta ficar alguns segundos sem atacar para recuperar estes pontos. Os personagens também podem ativar o Spiria Drive, que é um estado especial no qual o TC não diminuiu, além de outros benefícios.

O sistema de batalha de Hearts R conta com forte componente aéreo. É possível jogar inimigos no ar e executar vários ataques em sequência sem tocar o solo. Depois de avançar um pouco na história, é liberado o Chase Link: esse recurso permite lançar oponentes no ar e executar combos ainda maiores, pois basta um toque no botão quadrado para que o herói vá imediatamente para perto do inimigo sem interromper a sequência de ataques. Durante o Chase Link outros aliados podem atacar em conjunto, basta tocar a ilustração do herói quando ela estiver brilhando. O combo pode ser finalizado com um poderoso ataque especial.

Administrando estratégias e personagens

O jogador controla somente um único herói durante os embates, enquanto os demais personagens são guiados pelo computador. Felizmente o título conta com um sistema robusto para determinar a ação deles nas batalhas. No menu é possível criar regras bem específicas, o que permite controlar bem toda situação. São regras condicionais como “Ataque o inimigo mais distante quando os pontos de vida estiverem abaixo de 50% do total” ou “Use itens de cura quando um aliado estiver com energia baixa”. Com o passar da aventura novas variáveis são liberadas, aumentando as possibilidades de estratégia. No meio do combate é possível também dar ordens diretas aos aliados com a alavanca analógica direita ou tela de toque.

O combate do jogo pode parecer intimidador no começo por conta de tantos detalhes, mas rapidamente o jogador aprende essas nuances e consegue fazer combos longos e rápidos. Os golpes muito especiais tradicionais da série — de nome Mystic Artes — também estão presentes em Hearts R e até contam com versões em que uma dupla de personagens ataca em conjunto. Dominar estes sistemas é importante, pois algumas batalhas podem ser particularmente difíceis. Lutar contra inimigos em Tales of Hearts R é muito divertido e recompensador.

A evolução de personagens é outro ponto interessante. Ao subir de nível, os heróis recebem pontos que podem ser distribuídos em vários atributos diferentes. Isso permite controlar como cada personagem vai desenvolver. É possível, por exemplo, dar prioridade à defesa ou magia de algum dos heróis. Habilidades especiais, feitiços e novas armas Soma são recebidas ao investir os pontos em atributos específicos. Esse sistema é flexível e permite montar heróis bem distintos.

Uma reimaginação divertida

Tales of Hearts R é ótimo JRPG para PS Vita. O título conta com um sistema de batalha ágil e recompensador, além de muito conteúdo e alto grau de customização de personagens. O problema fica por conta da parte técnica, que é mediana: os gráficos e visual estão muito abaixo do que o portátil é capaz de fazer e a trilha sonora não é muito interessante. Felizmente as qualidades da aventura acabam deixando esses detalhes menos aparentes. Se você procura um RPG de ação para Vita, Tales of Hearts R é uma ótima opção.

Prós

  • Sistema de batalha ágil e divertido;
  • Muitas opções de customização de personagens;
  • Extensa quantidade de conteúdo;
  • Fator replay alto.

Contras

  • Gráficos e visual medianos;
  • Trilha sonora desinteressante.
Tales of Hearts R — PS Vita — Nota: 8.5
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araujo
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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