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Análise: Heavy Rain (PS4) mostra que uma boa narrativa não envelhece

Seis anos depois do primeiro lançamento, a versão remasterizada de Heavy Rain chega ao PlayStation 4.

É quase impossível falar de jogos focados em narrativa e não citar Heavy Rain. É impossível falar dos meus jogos favoritos do PlayStation 3 sem citar Heavy Rain. A primeira experiência que eu tive com o jogo trouxe algo totalmente inovador para minha vida, pois nele escolhas e ações influenciam diretamente tanto o andamento da história quanto os finais que ela pode ter. Foi o primeiro jogo em que eu pude perceber que as diferentes alternativas realmente fazem diferença e impactam em toda a jogatina.


Não distante dessa realidade, Heavy Rain chega em sua versão remasterizada para o PlayStation 4. O jogo, com mecânicas inovadoras e bem diferentes do que estamos acostumados a ver na maioria dos demais, teve algumas melhorias na nova versão, mas conservou todas as suas características básicas já conhecidas por aqueles que o experienciaram no console da geração passada. Em pleno ano de 2016, será que ainda vale a pena jogar Heavy Rain?

Um amor antigo

Apesar de Heavy Rain ter sido lançado, originalmente, em fevereiro de 2010, eu só tive meu primeiro contato com ele em novembro de 2011. Ainda que eu nunca tivesse sido uma caçadora de troféus fervorosa, platinei Heavy Rain em apenas quatro dias na ocasião, o que dá ao jogo, até hoje, o título de Troféu de Platina mais rápida pra mim. Esse fato demonstra que esse jogo tem uma capacidade tão incrível de envolver as pessoas de uma forma tão plena que dificilmente alguém consegue sair dessa experiência sem ter sido tocado de alguma forma.

É indiscutível que Heavy Rain ajudou a revolucionar a indústria de jogos focados em narrativa. O drama da Quantic Dream certamente serviu de inspiração para jogos com esse viés narrativo não linear que vieram depois, como The Walking Dead da Telltale e Life is Strange da Square Enix. Para os fãs desse tipo de jogo, Heavy Rain possui uma profundidade que vale muito a pena ser explorada.


Mas do que se trata?

Para quem nunca ouviu falar de Heavy Rain, o enredo conta uma história de investigação relacionada ao Assassino do Origami. A vida de quatro pessoas se entrelaçam no decorrer da história, na tentativa de resolver o caso. Cada personagem possui uma motivação diferente e sua própria profundidade: um pai que tenta salvar seu filho de ser mais uma vítima do assassino, um detetive particular que se envolve na busca pela solução do caso, um agente do FBI que conta com instrumentos de alta tecnologia para auxiliar na investigação e uma jornalista que sofre de insônia e acaba cruzando com a vida daquele pai desesperado.

O mais interessante disso tudo é que os acontecimentos do jogo vão sendo determinados pelas escolhas e ações do jogador. O jogo possui uma série de diferentes finais que variam de acordo com os caminhos que foram seguidos ao longo da trama. Esse fato torna a primeira experiência de Heavy Rain diferente para cada pessoa. Dificilmente um jogador mais dedicado irá conseguir largar o jogo sem ter vontade de correr atrás de todos os finais em novas experiências posteriores.

Toda a emoção de analisar uma cena do crime

Novidades da versão remasterizada

Quem já jogou no PlayStation 3 não vai sentir nenhuma diferença em termos de mecânica e história, mas vale ressaltar que a movimentação do personagem no jogo é diferente dos jogos tradicionais, nos quais basta controlar a direção do personagem para ele ir. Em Heavy Rain, é preciso apertar R2 para ele caminhar e/ou se mover, usando o analógico apenas para estipular a direção. Durante as ações, é imprescindível o conhecimento pleno dos botões do controle, pois um erro pode ser fatal durante uma briga, fuga ou perseguição que exigem pensamento rápido e ações instantâneas. O uso dos sensores de movimento do controle é constante; é bem comum se ver sacudindo o controle desesperadamente em uma cena ou dando solavancos para cima e para baixo em outras.



A grande promessa no anúncio da versão remasterizada de Heavy Rain era em termos gráficos. Eles realmente estão mais polidos e com um tratamento diferenciado, mas para os jogadores que já se acostumaram com o potencial gráfico do PlayStation 4, essa remasterização deixa um pouco a desejar. A grande novidade é a possibilidade do jogo rodar em 1080p, além de pequenas melhorias na saturação, brilho e nitidez. Em termos mais gerais, parece que o jogo foi apenas portado para rodar no console da atual geração, uma crítica que vem se repetindo ao longo dos anúncios de remasterização da Sony.

Poderia ser melhor

Uma das minhas maiores decepções no início do jogo foi com a localização. Na minha cabeça eu lembrava de ter jogado Heavy Rain com áudio e legendas em inglês, mas quando o jogo começou e ele me sugeriu o português, eu fiquei empolgada que pudessem ter feito uma localização brasileira para a versão remasterizada. Que grande engano. Existe sim, de fato, a opção de jogo tanto de áudio quanto de legendas em português, porém no de Portugal. Há quem goste de ter essa alternativa, mas não é o meu caso. Preferi jogar novamente em inglês e percebi que a Quantic Dream perdeu uma ótima oportunidade de agradar ainda mais os fãs brasileiros.

Outro fator que ficou a desejar foi a correção de queda de taxa de quadros que era uma reclamação frequente na versão de PlayStation 3. Particularmente, não me recordo de ter tido problemas desse tipo na minha primeira experiência com Heavy Rain em 2011, mas dessa vez, o que era pra não existir, aconteceu e “estragou” um pouco, principalmente, o início da minha jornada. Nas cenas em que apareciam multidões e eu tinha que fazer o personagem passar por várias pessoas, o congelamento de tela foi frequente, prejudicando consideravelmente parte da experiência.


Mas e aí, vale a compra?

Depende. Se você ainda não o conhece, vale muito a pena. Heavy Rain é um jogo que merece ser explorado por todos os apreciadores de videogames. Caso você já tenha vivido essa experiência, só vale se você tiver vontade de reviver a trama e reencontrar aqueles personagens com os quais tanto compartilhou sentimentos em outro momento. Ou até mesmo para aqueles que, assim como eu, encantaram-se muito com o jogo e haviam se esquecido de todos os detalhes devido ao tempo que passou.

Prós

  • Uma das mais envolventes narrativas já criadas;
  • Diferentes finais impactados pelas escolhas do jogador;
  • Mecânicas diferentes;
  • Oportunidade perfeita para quem ainda não jogou.

Contras

  • Melhoria gráfica não empolga;
  • Dublagem e legendas não foram localizadas para o Brasil;
  • Ainda possui queda da taxa de quadros em alguns momentos.
Heavy Rain — PS4 — Nota: 8.0

Revisão: Robson Júnior
Capa: Diego Migueis
Ana Krishna Peixoto é graduanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é Social Media e Redatora. Suas paixões são os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Facebook e no Twitter.

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