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Análise: Beyond Two Souls (PS4) quase te leva além do que os olhos podem ver

Embarque em uma jornada densa e cercada de perigos de uma garota e seu amigo sobrenatural.


Assim como fez com Heavy Rain, a Quantic Dream percebeu que os donos de PS4 precisavam ter uma chance de experimentar um de seus outros sucessos no console da nova geração. É assim que Beyond Two Souls faz seu retorno diretamente do PS3. O game pode não ter tido tanto sucesso e apreciação da crítica como seu antecessor teve, mas certamente é um título imperdível para qualquer jogador que curta uma boa história com ótimos personagens. Mesmo que ela não tenha mudado em praticamente nada em relação à sua versão original.

Um corpo, duas almas

Logo que você entra na pela da jovem Jodie pela primeira vez, uma coisa é certa, ela é essência desse game. Aliás, ela e Aiden. Uma pena que nunca podemos ver, ouvir ou apreciar a atuação desse segundo personagem, já que ele se trata de uma entidade sobrenatural. Um poltergeist, para ser mais exato. Jodie nasceu com uma entidade que está sempre ao seu lado e ela é capaz de controlá-la e utilizar seus poderes para mover objetos, possuir ou até mesmo matar pessoas. Já dá pra imaginar que não é fácil viver assim, não é mesmo?
Nunca "vemos" Aiden. Apenas sabemos que ele está lá, conectado à Jodie por um fio espiritual.
Obivamente, poderíamos esperar que uma trama com essa premissa teria uma história muito interessante, além do mais quando colocada sob um contexto de narrativa interativa, em que as decisões do jogador podem afetar o desfecho da trama. Isso não acontece com Beyond Two Souls. A história tropeça em si mesma em vários trechos e, felizmente, quando parece perder sua força e a atenção do jogador, a brilhante atuação de Ellen Page como Jodie salva a aventura. A sensação de jogar como Jodie e seu amigo fantasma Aiden é incrível e a maneira com que eles interagem com o mundo à sua volta nos faz pensar que realmente são reais. Ah, William Dafoe também está lá como o Professor Dawkins, auxiliando Jodie,mas ele é tão relegado à personagem secundário que quase esquecemos dele.
Ellen Page e William Dafoe dão vida aos personagens.
O que diferencia Beyond de outros games de narrativa interativa é a possibilidade de fazer mais do que apenas algumas ações simples quando estamos sobre o controle de Aiden; controlar a entidade é muito simples e natural. A experiência através do modo Duo, em que outro jogador pode controlar Aiden usando um segundo controle, contribui para um maior nível de irmersão na história. E se é imersão que você procura, a versão do PS4 também é compatível com o app para iOS/Android Beyond Two Souls Touch. Quando conectado ao game através do console, ele funciona como um controle secundário, em que o jogador pode usar controles touch para manipular tanto Jodie quanto Aiden.
O aplicativo é uma boa pedida para aqueles que querem uma experiência mais imersiva.
Além da opção Duo e do app, o game ainda oferece a oportunidade de interagir com a história de duas formas: cronológica ou não-cronológica. No entanto, tanto faz qual modo o jogador escolher. A história de Beyond Two Souls não oferece um grande mistério que somente é resolvido no final. Experienciar a história na ordem correta dos eventos apenas ajuda o jogador a se situar em qual período da vida de Jodie ele se encontra. A minha recomendação fica para jogar o game no seu modo original, em que os capítulos ocorrem de forma desordenada. Nesse modo o jogador pelo menos se sente mais “preso” à história ao tentar compreender os detalhes do destino de Jodie.

Repaginada visual

Seguindo à risca o ditado “Em time que está ganhando não se mexe” a Quantic Dream optou por não mexer na essência do game. Quem jogou Beyond Two Souls no PS3 encontrará a mesma experiência no PS4. Obviamente, o game faz todo o proveito do poder de processamento gráfico do PS4, como resolução de 1080p e rodando à sólidos 60 fps. Além disso, as texturas do ambiente em personagens receberam um tratamento especial e estão mais realistas do que nunca.
Visualmente, o game está mais bonito do que nunca.
O único aspecto do game modificado em relação ao original foi o uso da precisão do giroscópio do Dualshock 4, para deixar os movimentos do jogador durante os QTE (Quick Time Events). Enquanto na primeira versão o jogador apenas podia usar o movimento do controle para fazer ações para cima, baixo, direita ou esquerda, agora posições laterais e até mexer com a inclinação do controle é possível. Essa novidade foi ótima para “desengessar” os movimentos fixos com o controle ou os direcionais. Uma pena que essa funcionalidade somente é utilizada em algumas cenas de combate.
Os QTE continuam lá para estimular o jogador a não demorar em responder.
Mesmo dando algumas “engasgadas” no meio do caminho, Beyond Two Souls permanece como uma experiência única no gênero da narrativa interativa. A possibilidade de controlar dois personagens e poder ver o mundo sobre os olhos de uma entidade sobrenatural é um tema que pode ser explorado à exaustão e a Quantic Dream criou uma mecânica fácil e divertida para aproveitar essa trama ao máximo. Existem aqueles que dizem que o game ficaria melhor como um filme, mas isso seria incorreto. A força e o carisma de Jodie e dos personagens secundários só dependem de uma pessoa: você. E filme nenhum conseguiria colocar o espectador em um lugar tão alto.
Uma história "quase" além do que poderíamos imaginar.

Prós

  • Personagens fortes com ótimas atuações;
  • Melhoramentos gráficos.

Contras

  • História inconsistente em certos pontos.
Beyond Two Souls - PS4 - Nota: 8.5
Revisão: Gabriel Verbena
Capa: Peterson Barros
Luis Antonio Costa escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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