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Análise: Valkyria Chronicles Remastered (PS4) é um clássico revisitado

Revisitando os campos de batalha da Europa.

Valkyria Chronicles é um daqueles jogos estranhos que, mesmo depois de oito anos de seu lançamento original, continua um título gratificante e narrativamente excelente. Por que digo isso? Bom, há exatos seis anos, joguei, e ele permanece exatamente como era na minha mente: um excelente gráfico em cel-shading e dos melhores jogos com uma pegada animê que havia experimentado.

Remasterização

Segundo a Sega, desenvolvedora e distribuidora do jogo, texturas, sons e resolução foram melhorados para melhor satisfazer aos usuários de PS4. Valkyria Chronicles Remastered conta com jogabilidade a 60 quadros por segundo, resolução em 1080p, maior velocidade de carregamento e várias melhorias nas texturas para manter a fidelidade gráfica nessa maior resolução.

Na remasterização, há também a inclusão de três DLC’s que contam duas histórias paralelas e um modo de dificuldade super difícil. Se um jogo de 2008 relançado em 2016 ainda me impressiona tanto quanto me impressionou antes, é porque ele realmente está com gráficos atualizados. Você pode conferir um comparativo no vídeo seguinte:


Conflitos e o início de uma guerra

A narrativa de Valkyria Chronicles gira em torno de um conflito que começa a eclodir na Europa por causa de um mineral chamado Ragnite. Esse mineral é fonte de energia para tudo (pense nele como um tipo de petróleo) e objeto de extrema cobiça pelos impérios.

Na pequena cidade de Bruhl, no interior de Galia, estão Welkin Gunther e Alicia Melchiott, os dois personagens principais. Durante uma invasão à cidadezinha, Welkin, filho de um falecido general que foi muito importante na última guerra, se vê forçado a lutar e defender o lugar, desenrolando aí sua ascensão como grande figura de sua época.

Como o tom do enredo é todo preenchido por problemas causados pela guerra, há um certo pesar nas falas dos personagens e nas biografias, e há muitos temas encarados de forma pesada pelo jogo. Um exemplo claro disso são os Darcsens, uma raça de trabalhadores e exímios refinadores de Ragnite, que são tratados com extremo preconceito por ser dito serem criadores de armas devastadoras feitas do mineral. Sendo eles em boa parte do jogo tratados como escória e até mesmo perseguidos constantemente, visando serem exterminados.


Tática militar

Uma das coisas que mais me deixou fascinado ao jogar Valkyria Chronicles anos atrás foi seu sistema de batalha. É bom ver que realmente é tão agradável quanto me lembro. Chamado de BLiTZ (Battle of Tatical Zones), o sistema permite várias opções táticas e consequentemente uma gama enorme de estratégias para serem usadas. Para explicar melhor, há o mapa, e nele você pode controlar suas tropas por meio de pontos de ação; com cada ponto de ação, é possível andar com uma unidade e atacar ou curar outras unidades. Cada classe de unidade é forte contra outro tipo de classe, e um time misto é sempre necessário para vencer os desafios que o jogo propõe.

Outro ponto bem forte também é a dificuldade, que escala bastante a partir da metade do jogo, oferecendo cenários que podem durar até 40 minutos, um verdadeiro deleite para fãs de estratégia e desafios.


Personagens e histórias cativantes

Valkyria Chronicles apresenta sua narrativa e acontecimentos de uma forma diferente para o jogador: seu menu é um livro, e conforme você vai avançando, ele vai abrindo novos capítulos, novas “seções” (biografias, registros de acontecimentos, quartel-general, batalhas de treinamento) e novas histórias a respeito dos personagens, transformando a experiência em algo mais dividido e que deixa a curiosidade de seguir nas mãos do jogador.

Os personagens também possuem uma profundidade muito boa, e todas as suas histórias de guerra são palpáveis, tornando tudo mais crível dentro do mundo proposto. Rose, por exemplo, perdeu toda a sua cidade natal, onde era cantora, num extermínio a Darcsens. Por isso, tem um ódio mortal em relação a eles. Ao longo da trama, ela aprenderá mais sobre compaixão, crescendo como personagem.


Veredicto

Assim como era há oito anos, Valkyria Chronicles permanece como uma das joias do PlayStation 3, e seu relançamento é algo excelente para fãs de jogos de estratégia e para aqueles que não tiveram a oportunidade de jogar na geração anterior. Tendo uma ótima narrativa, personagens cativantes e um sistema de batalha que desafia a mente do jogador, permanece como um dos jogos que eu mais poderia recomendar tanto no PS3 como no PS4.

Então, se você gosta de games difíceis, que tenha boa história e exija boa formulação de estratégias, não se acanhe: pode adquirir Valkyria Chronicles Remasteredsem medo algum.

Prós

- Ótima progressão e história;
- Personagens cativantes;
- Sistema de batalha variado e estratégico;
- Gráficos e taxa de quadros melhorados;
- Suporte a troféus.
Valkyria Chronicles Remastered — PS4 — Nota: 8.0
Revisão: Henrique Minatogawa
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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