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Análise: The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II (PS Vita/PS3) é a sequência que todos esperavam

Segundo episódio muda o tom e estrutura de desenvolvimento da trama, trazendo ainda os pontos altos do primeiro novamente.

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II é uma continuação direta do jogo inaugural da mais recente subsérie do universo The Legend of Heroes. Se a missão do primeiro Trails of Cold Steel era renovar e dar um passo adiante na evolução da tradicional franquia da Falcom, a do segundo é dar prosseguimento a um enredo rico, mantendo o alto nível atingido na primeira parte da aventura. Algo tão difícil quanto, ou talvez até mais do que, a bem-sucedida meta inicial.


A primeira coisa a se observar que é trata-se de uma sequência imediata do enredo do jogo anterior, sendo extremamente recomendável jogá-lo previamente para se entender plenamente todos acontecimentos. Apesar disso, Cold Steel II traz um resumo em texto de todo o ocorrido na parte inicial, bem como os perfis dos personagens mais importantes da trama, podendo funcionar como uma obra individual. Entretanto, a experiência de jogar ambos é muita mais rica.


Há ainda um incentivo aos veteranos da subsérie na possibilidade de se importar o save se jogador tiver concluído o game antecessor ao se iniciar este. Com isso, trazemos os progresso dos links entres personagens, os diálogos se tornam ainda mais personalizados e alguns itens, inclusive DLCs, vão para o inventário.

Reunindo amigos em meio a guerra

A narrativa desta vez assume um tom mais obscuro, em oposição ao clima mais alegre e colegial de antes. Rean, o protagonista, foi derrotado e acorda sozinho, a não ser pela companhia da gata Celine, em uma montanha gelada. Ele sente que fracassou em seu dever para com os outros, mas está obstinado a reencontrar seus amigos. Também há um pouco do sentimento de revanche após a traição sofrida. Não se trata aqui de uma história de vingança, como Kill Bill ou John Wick, por exemplo, mas é um sentimento que de certa forma impulsiona herói, juntamente com o desejo de proteger e ver bem aqueles que lhe importam.


Com a eclosão do conflito militar no Império de Erebonia, a vida cotidiana dos personagens que encontramos nas diferentes localidades que visitamos sofreu fortes alterações e é possível sentir nos diálogos em geral o impacto dos acontecimentos. Neste ponto é necessário ressaltar novamente a ótima qualidade do roteiro, maduro e que traz personagens com profundidade e histórias pessoais únicas, por mais que não pertençam ao núcleo central da trama.


Uma alteração com relação ao primeiro game e que decorre justamente do novo panorama do mundo de Cold Steel é que não há mais o ciclo de atividades que se repetia. Rean e seus amigos não frequentam mais a academia de Thors, não têm que responder perguntas em sala de aula, não têm mais que fazer estudos regulares, etc. Além disso, as viagens entre as localidades são feitas através de novos meios de transporte e não mais de trem, já que a as linhas ficaram sob o domínio de forças militares.


Por muitas vezes, o ritmo da narrativa parecia lento e preso demais à estrutura cíclica no jogo anterior. Outro ponto positivo desta sequência é que desta vez o enredo apresenta uma fluidez maior e com muita naturalidade. Apesar de alguns clichês aqui e ali, é tudo muito bem desenvolvido e com a profundidade necessária. Os acontecimentos se seguem e prendem ainda mais o jogador no desejo de continuar.


Uma coisa que faz aumentar a relevância de personagens com os quais Rean se relacionava em Thors, mas que não fazem parte do núcleo central, é inserção de um modo de recrutamento. É possível chamar seus antigos colegas de academia, espalhados pelas diversas localidades de Erebonia, para auxiliarem os heróis em sua missão de forma paralela. Há um sistema de gerenciamento para acompanhar suas atividades. É uma interessante função e complementa a linha principal dos acontecimentos.

Lutas, táticas e recursos

O combate, em sua essência, continua o mesmo. A forma como a lutas se iniciam ao colidirmos com os inimigos em campo determina se começamos em vantagem ou desvantagem. É possível no turno de cada personagem, realizar um ataque comum com sua arma; utilizar uma técnica própria de ataque ou de suporte (Craft), ou ainda o ataque especial S-Craft quando a respectiva barra estiver cheia; fazer uso de alguma magia baseada em orbs equipados (Arts); se mover pelo campo de batalha; fugir; e, graças aos combat links, ao realizar um ataque crítico ou que deixa o inimigo vulnerável, o parceiro realiza um ataque complementar que ajuda a causar ainda mais dano, tudo como antes.


A novidade agora fica por conta do Overdrive, um novo recurso que permite restaurar um pouco de HP, CP e EP dos personagens e atacar e usar arts prioritariamente em um momento da batalha. Ele pode ser usado quando completamos um medidor que vai enchendo conforme vamos lutando com um link ativo entre personagens. A inclusão é muito bem-vinda e complementa a estrutura tática característica dos embates, principalmente porque os inimigos parecem estar mais desafiadores nesta nova parte da aventura. De toda forma, há de se ressaltar que continua não sendo necessário fazer grind para subir os levels, a vitória vem da capacidade do jogador em utilizar os elementos e ferramentas apresentados.


Além disso, outra menção importante é que uma parte muito divertida do jogo são os “momentos Jaspion”, ou “Evangelion”, de Rean quando ele invoca Valimar, algo como um mecha, para enfrentar inimigos gigantescos. Apesar de não tão dinâmicas quanto o combate padrão, essas lutas têm o seu charme. Nelas, há um certo equilíbrio de forças e é necessário encontrar o ponto fraco dos oponentes para gerar mais dano e conseguir se sair vitorioso. Uma sequência de golpes em pontos errados pode levar a contra ataques, culminando em uma amarga derrota. Mas como no combate comum, raciocinar e aprender com seus erros leva ao sucesso.

Uma bela continuação

Se, por um lado, não podemos dizer que os gráficos são excelentes, por outro, também não podemos dizer que são ruins. A engine é a mesma do primeiro título e tudo se constrói mais ou menos da mesma forma. Há uma leve melhora nas texturas das roupas dos personagens, mas nada de destaque. O mundo parece mais amplo e os cenários continuam tendo bastante personalidade, sendo que há uma presença maior de tons sombrios, o que corrobora com o clima da trama. Vale ressaltar também o primoroso trabalho sonoro e de atuação vocal realizado pela XSeed/Marvelous.


Em suma, The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II repete todos os acertos do jogo anterior e ainda melhora alguns pontos como o ritmo mais fluido da narrativa, a inserção do recurso Overdrive nos combates, mais personagens jogáveis, etc. Todavia recomenda-se novamente começar a jornada de Cold Steel pelo primeiro jogo da subsérie para o total proveito desta excelente obra da Falcom.

Prós

- Trama rica;
- Fluxo mais natural da narrativa;
- Personagens bem caracterizados;
- Sistema de combates robusto;
- Poucas, mas bem implementadas adições.

Contras

- Alguns loadings um pouco demorados;
- Falta de detalhamento gráfico em algumas partes.

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II — PS Vita/PS3 — Nota: 9.0
Versão utilizada para a análise: PS Vita

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Luiz Filipe Cremonezi do Valle é formado em Direito pela UFJF. Adora videogames desde que se entende por gente. Gosta de jogos antigos, mas está sempre ligado nos novos games e tecnologias. Pode ser encontrado no Facebook e no Twitter.

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