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Análise: Horizon Zero Dawn: The Frozen Wilds (PS4) expande de maneira admirável o mundo de Aloy

Novas armas, missões, personagens e inimigos aguardam a protagonista em uma área graciosamente iluminada pelas cores do inverno.



Enquanto reunia as peças do quebra-cabeça sobre seu passado, Aloy não precisou visitar as gélidas terras do norte, habitadas por diferentes tribos Banuk. No entanto, quando rumores indicam que atividades estranhas ocorrem no interior de uma montanha que libera fumaça em seu topo, a caçadora não hesita em partir rumo à esta região castigada constantemente pela neve. É assim que começa a jornada de The Frozen Wilds, a primeira grande expansão lançada para Horizon Zero Dawn.

Você quer brincar na neve?

Durante minha experiência com a campanha principal do game, sempre me impressionei com os belíssimos cenários do mundo pós-apocalíptico dominado pelas máquinas. É deslumbrante observar como a Guerrilla Games conseguiu criar paisagens de uma Terra renovada, que guarda somente pequenos vestígios da primeira passagem da raça humana. E, para minha satisfação, The Frozen Wilds consegue reascender a vontade de parar qualquer caminhada por alguns minutos e ficar admirando as paisagens.

Confesso que estava meio receoso quando recebi a notícia que a expansão se passaria em uma área dominada pela neve. Temia que o branco dominasse boa parte da jogatina, porém, para meu alívio, as cores e luzes estão mais presentes do que nunca. O efeito do sol sobre a copa das árvores repletas de gelo ou a aurora boreal observada durante as noites fazem com que o modo fotografia seja tão divertido quanto sair para caçar máquinas. Aliás, o modo fotografia também foi agraciado pelo DLC e conta com novidades — como a possibilidade de fazer com que Aloy brinque de criar anjos de neve.
Um anjinho quer fazer?
Como a criação de cenários parece ser algo que os desenvolvedores conseguiram dominar desde o início, a equipe por trás do título teve tempo para solucionar um dos problemas que mais incomodaram os jogadores no lançamento do game: modelos de humanos mal finalizados. Prova que faltou um pouco de capricho nesse trabalho foi que uma das correções disponibilizadas poucos dias depois que Horizon chegou às prateleiras melhorava a expressão de NPCs que pareciam “não ter alma”.

Porém, o novo DLC mostra que essa dificuldade está completamente sanada. Os novos personagens se mostram mais vivo do que nunca, inclusive, alterando suas expressões e poses durante longos diálogos. Não foi somente a demonstração de sentimentos que evoluiu em comparação ao jogo base, a movimentação também foi substancialmente melhorada. É interessante, por exemplo, observar a maneira como Aloy caminha pela neve, com passos mais leves ou desajustados dependendo da camada de gelo acumulada.

Esses detalhes podem parecer simples, mas mostram o cuidado extra que os desenvolvedores tiveram para criar modelos mais humanos e com aspecto menos robotizados. No entanto, se graficamente houve um excelente avanço, a localização para o português ainda dá pequenas tropeçadas. São comuns diálogos em que falta sincronização entre os lábios e a fala dos NPCs.
Quem disse que o inverno é todo branco?

Arsenal aprimorado

Para explorar o território Banuk, Aloy pode coletar armas que se diferenciam bastante daquelas já conhecidas. No total, são três tipos diferentes de novas lanças, uma de fogo, outra de gelo e a terceira de eletricidade. Todas podem ser melhoradas e permitem a elaboração de estratégias únicas para os confrontos contra as máquinas. Horizon Zero Dawn é um game que permite o jogador enfrentar seus inimigos da maneira como bem entender. É possível passar meia hora atirando flechas em uma máquina ou abatê-la em poucos minutos analisando suas fraquezas. Essa característica está ainda mais presente em The Frozen Wilds.

As novas máquinas — Garrafria e Queimador — figuram facilmente entre as mais perigosas de todo o jogo. Assim, o planejamento continua sendo fundamental e indispensável para qualquer tipo de batalha, desde aquelas dentro das missões até as lutas que acontecem quando se está explorando o mapa. Nessa segunda situação, por exemplo, quase sempre minha opção foi evitar o confronto e encontrar uma saída baseada em “correr o mais rápido que as pernas permitirem”.

O DLC também traz novos desafios em áreas fechadas. Porém, essas etapas continuam sendo repetitivas e pouco interessantes. As missões que ocorrem no interior das fortalezas metálicas dos antigos apresentam cenários bastante repetitivos, escuros e pouco atraentes. Um dos principais diferenciais dessas etapas seriam os puzzles, no entanto, os quebra-cabeças são simples e monótonos. Um exemplo são os circuitos que precisam ser manuseados para que a luz o atravesse completamente — atividade que se repete por três vezes em The Frozen Wilds, apenas alterando seu nível de dificuldade.
O Queimador é inspirado nos lobos

Ligações com o passado (e futuro)

Os acontecimentos narrados no DLC ocorrem paralelamente à campanha principal. A história é autocontida, ou seja, começa e termina dentro da própria atualização. No entanto, apesar de ser uma narrativa completa, ela traz elementos extras que complementam a trama central, seja explicando mais como funciona o projeto Zero Dawn, seja explorando o passado do misterioso Sylens — homem que se comunica com Aloy através do Foco e aparenta ter grande conhecimento sobre a cultura dos antigos.

The Frozen Wilds também consegue deixar algumas pontas em aberto, para que sejam trabalhadas em títulos futuros. Mesmo com o final da história do DLC, fica a sensação de que o perigo real ainda está espreitando dentro de algum complexo, aguardando o momento exato para começar a agir. Não me surpreenderia uma possível sequência de Horizon começando a partir de elementos apresentados no conteúdo adicional.
O perigo ainda está por aí...

Como os DLCs devem ser

Nós estamos vivendo uma época conturbada no mundo dos videogames, com vários títulos sendo lançados incompletos e com atualizações pagas sendo anunciadas antes mesmo de o jogo chegas às prateleiras. Um recurso que surgiu para melhorar as experiências ou corrigir pequenas falhas está sendo usado como ferramenta de lucro pelas empresas, que visam ganhar duas vezes com o mesmo projeto.

Em tempos de DLCs que incluem poucas novidades aos jogos, The Frozen Wilds é exemplo de como esses conteúdos adicionais deveriam ser. A atualização traz material inédito que consegue complementar admiravelmente uma aventura que já estava finalizada. Não são apenas roupas de cores diferentes, mas sim uma quantidade aceitável de armas, missões, equipamentos, personagens, inimigos, entre diversas outras novidades.

No total, são cerca de 13 horas a mais de jogatina — praticamente um jogo novo. Para quem se envolveu na história de Aloy, The Frozen Wilds é um DLC mais do que recomendado. Afinal, o conteúdo extra repete aquilo que já estava dando certo no game e melhora alguns aspectos que haviam deixado a desejar.


Prós

  • Mantém a excelência gráfica dos cenários e melhora o modelo dos personagens;
  • Trama original que complementa o enredo principal;
  • Boa quantidade de conteúdo adicional — cerca de 13 horas;
  • Armas e máquinas novas são bastante interessantes.

Contras

  • Problemas de sincronização entre lábios e falas de alguns NPCs;
  • Missões em ambientes fechados continuam repetitivas;
  • Pouca variedade de puzzles.
Horizon Zero Dawn: The Frozen Wilds — PS4 — Nota 8.0
Vinicius Veloso é jornalista e obcecado por games (não necessariamente nessa ordem). Seu vício começou com uma primeira dose de Super Mario World e, desde então, não consegue mais ficar muito tempo sem se aventurar em um bom jogo. Está no Facebook ou Twitter.

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