The Last Guardian (PS4) - Após a espera, surge uma obra prima

Em mais um dia de E3, na cidade de Los Angeles, nossa equipe teve a oportunidade de assistir a uma apresentação fechada do jogo The Last Guardian.


Quem acompanhou a saga do jogo de The Last Guardian sabe o sofrimento que foi sequer saber se ele seria, de fato, lançado. Pegando todo mundo de surpresa, finalmente vimos imagens do que deve ser lançado em 2016, trazendo muita empolgação e expectativa. Agora exclusivo para PlayStation 4, ele contará com gráficos de ponta e qualidade muito maior do que o previsto em seu primeiro anúncio.



A história gira em torno de dois personagens principais: um garoto e um enorme animal, que tem seu corpo feito de uma mistura de aves e mamíferos. Ambos parecem ter um enorme vínculo e dependem um do outro para progredir. Vivendo em um cenário totalmente nostálgico, já que tudo lembra muito os antigos jogos da desenvolvedora, os dois se auxiliam em quebra cabeças que os levam para novos espaços. Apesar de ainda haver muitas dúvidas e lacunas na história, tentamos entender um pouco do que devemos encontrar no produto final, utilizando as informações cedidas durante a conferência da Sony e um encontro em uma sala fechada com Fumito Ueda, projetista e diretor do jogo.

Mundos conectados


Já nas antigas imagens, era possível perceber que a ligação entre os dois personagens era forte.

No primeiro jogo do Team Ico, vimos um pequeno garoto preso em uma masmorra, tendo que guiar uma garota até a saída. Já em Shadow of the Colossus, o personagem principal era obrigado a escalar criaturas colossais e encontrar seus pontos fracos, para ressuscitar a sua amada. Desta vez vemos uma mistura de ambos os jogos: há a parte de escalar e se equilibrar, e também a necessidade de andar juntos o tempo todo. É, literalmente, o encerramento de uma saga — e parece que ocorrerá com chave de ouro.

Após entrarmos na sala fechada, onde Fumito Ueda estava, fomos informados que não seria permitido tirar fotos, filmar e até mesmo fazer perguntas. Eramos apenas espectadores, de um espetáculo que não podemos compartilhar, nos obrigando a narrar o que vimos.
Os saltos do garoto ocorrem em câmera lenta, de modo que ele possa ser controlado precisamente.

The Last Guardian já tem porções jogáveis, como a vista na E3. Segurando o controle, Ueda controlou a demonstração e contou um pouco da história do jogo, além de mostrar cenas completamente inéditas. Logo no menu principal, já vemos semelhanças com os outros jogos da antiga Team Ico: o nome do jogo se encontra parado, enquanto, ao fundo, um belo cenário com muita natureza balança ao vento. O jogo começa e tentamos piscar o mínimo possível.

Um jogo sensível e humano

O fato de Trico estar machucado pode indicar a presença de inimigos no jogo.

O pequeno garoto está dentro de um castelo, muito parecido com o de Shadow of the Colossus, mas com muito Sol e cores fortes. Fumito Ueda controla a câmera e gira ao redor, nos mostrando a movimentação das plantas e detalhes do cenário — que jamais poderiam estar em um PlayStation 3. Enquanto isso, nos conta que o enorme animal, chamado de Trico, sequestrou o menino e os dois ficaram presos dentro deste espaço por algum motivo. O objetivo é que consigam escapar de lá, juntos e a ligação entre ambos é essencial para isso.

O menino corre em direção a um espaço enorme no castelo, onde encontra Trico, deitado. É possível escalá-lo, então ele dá a volta e sobe pelas suas costas. Espetadas nelas, há três lanças, que o garoto tira com muito esforço. Trico reclama, mas parece aliviado segundos depois, quando levanta e começa a andar pelo ambiente. Vemos que a saída está fechada, então o menino entra em um pequeno espaço para realizar um pequeno quebra-cabeça que abrirá a porta.
Trico não tira os olhos do menino, durante todo o jogo.

Durante as escaladas e corridas do menino, é interessante ver as reações do animal, que o esperam do outro lado: no começo, apenas curioso, ele coloca a cabeça e tenta enxergar o que ocorre do outro lado, mas isso muda para ataques ansiosos ao chão, querendo se aproximar do menino. Ao abrir o portão, os dois se reencontram, e o menino faz um carinho em seu focinho.

A maior parte dos enigmas, porém, ocorrerá com os dois juntos. É difícil de entender a mecânica, mas aparentemente cada botão fará o garoto dar uma ordem diferente ao animal, como "avance" e "pare". É preciso repetir o comando algumas vezes para que ele entenda, o que garantiu gargalhadas de quem assistia — o menino pulava e gritava de maneira totalmente desajeitada. Do lado de fora do castelo, a demonstração exibida na E3 começa, e vemos que tudo funciona extremamente bem.

Confira, abaixo, um antigo vídeo que mostra algumas das cenas citadas, quando ainda seria lançado para PlayStation 3.

Tudo em tempo real

Um dos enigmas do jogo mostra o menino avisando que vai para o outro lado, enquanto o animal espera.

Ao contrário do que muitos pensam, tudo o que foi exibido ocorre em tempo real, e o personagem pode ser sempre controlado. Isso envolve os momentos como os pulos e tentativas de agarrar o animal, que podem dar errado e fazer com que seja necessário voltar ao último ponto de salvamento. Ainda assim, é possível ver que algumas coisas ainda precisam ser melhoradas, como a interação do garoto com os objetos — ele chega a atravessar alguns, ou não tem nenhum tipo de reação ao seu peso e textura. 

Por fim, Fumito Ueda disse estar mais empenhado do que nunca com o projeto e que a equipe está trabalhando com muito afinco, e que estão tentando ao máximo que o jogo saia em 2016. Terminamos o dia muito esperançosos e com a sensação de ter visto o nascimento de uma obra prima. É claro que não poderíamos deixar de tirar uma foto com o visionário por traz disso tudo. Foi um dia para ficar na história.
Um momento indescritível: Leandro Rizzardi e Fumito Ueda.
Capa: Felipe Araujo

se aventura nas terras de redação de games, livros e roteiros de fantasia. Extremamente apaixonado por universos imaginários, descobriu nos videogames o lugar perfeito para viver — o que resultou no crescimento de sua barba. Pode ser encontrado em seu Facebook, quando não estiver jogando.

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