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Análise: Vane (PS4) é uma experiência pouco explorável e esquecível

A falta de características marcantes prejudica em excesso o título da Friend & Foe.

Vane (PS4) é um jogo de aventura e quebra-cabeça desenvolvido pela Friend & Foe. Com uma vibe introspectiva ao estilo ABZU (Multi) e Journey (Multi), Vane conta com bons puzzles e uma trilha sonora peculiar, mas falha em conceber uma história memorável, ainda que a mesma seja interpretativa.


A evolução de um corvo

Vane coloca os jogadores no controle de um corvo. Ao sobrevoar desertos áridos e cânions imensos, é possível avistar outros pássaros da mesma espécie, que podem ajudar no progresso do jogo ao solucionar em conjunto certos quebra-cabeças através de mecanismos deveras simplistas. Os corvos, ao entrarem em contato com ouro, se transformam em garotos humanos, dando um novo significado à jogabilidade.

A bem da verdade, Vane conta com uma história tão interpretativa que este redator que lhes escreve não sabe nem ao certo se sua interpretação está correta. Para mim, Vane trata do crescimento e evolução de um ser vivo. O ciclo da vida com início, meio e fim.

A necessidade de se ter outros corvos conosco para solucionar problemas indica que dificilmente venceremos na ida sozinhos; o toque do ouro reluzente em meio à escuridão dos cenários simboliza as transformações quando “chegamos à luz” e nos abrimos para o mundo. E ainda assim, a luz, onde tudo começa, é onde tudo termina.


É difícil dizer que a “história” de Vane é memorável. Passei tanto tempo tentando entender o que estava sendo contado que acabei não aproveitando a narrativa da maneira devida, e a mesma acabou parecendo vazia e excessivamente solta.

Quebre a cabeça ou… “dá um jeito aí”

A maioria dos puzzles de Vane não são exatamente intuitivos. Ainda que alguns exijam esforço mental por parte dos jogadores, não é incomum que o jogo lhe coloque em uma situação praticamente dizendo “dá um jeito aí de avançar”. Isso não seria um problema se uma dessas situações em particular não progredisse de maneira quase que aleatória para mim; ou se houvesse algum foco em exploração de cenários que, por sua vez, são vazios, escuros e um tanto quanto sem propósito.

Vane perde a oportunidade de incorporar suas próprias mecânicas na solução de puzzles e trazer um desafio intelectual mais aguçado. Teria sido interessantíssimo ver a transformação de corvo e garoto sendo implementada em enigmas. O que temos, afinal, é um conjunto de desafios mediano e pouco satisfatório.

Em busca de uma identidade

Visualmente, Vane faz bonito. Mesclando formas geométricas tridimensionais, cria um próprio conceito que mistura o abstrato e o realismo. A fantasia de seus seres, especialmente os corvos e os garotos banhados a ouro, é um charme a ser lembrado, mas que não se destaca mais por oferecer um mundo insosso.

Por ser um “adventure”, fica difícil não comparar Vane com outros jogos do gênero. Falta, na produção da Friend & Foe, algo que seja tão marcante como a poesia de Journey (Multi), a vivacidade visual de ABZU (Multi) ou a inocência de Rime (Multi).

Tecnicamente lento

A jogabilidade de Vane, embora funcione de maneira geral, sofre com a lentidão de movimentos. Controlar o garoto parece extremamente pesado, o que torna momentos de pulo sofríveis. A grande vantagem é que tais momentos são realmente escassos.



Há também uma certa lentidão no desempenho técnico do título. Desenvolvido com a engine Unity, o game sofre com quedas de quadros por segundo e engasgos em diversos momentos. Com a atualização 1.02, já disponível para download, a performance sofreu uma pequena melhora, mas ainda é possível encontrar engasgos em áreas que demandam mais dos elementos visuais (a área da tempestade é um ótimo exemplo).

Em determinado momento, um elemento crucial para concluir um quebra-cabeça sumiu do cenário, impedindo que eu progredisse. Com a ausência de pistas de para onde eu deveria ir, perdi aproximadamente 45 minutos perambulando pelos cenários, tentando identificar algum elemento que eu poderia estar deixando passar batido. No fim das contas, tive de reiniciar uma seção inteira para identificar o que havia ocorrido de errado.

Vane (PS4) é uma boa ideia, porém com problemas em quase todos os seus aspectos. Narrativa vazia e excessivamente interpretativa, mecânicas que não são incorporadas em quebra-cabeças e desempenho técnico abaixo do desejável tornam o game uma experiência vaga e insatisfatória.

Prós

  • Visualmente bonito;
  • Alguns poucos quebra-cabeças são criativos e divertidos.

Contras

  • Falta algum aspecto que seja de fato memorável;
  • História excessivamente interpretativa;
  • Cenários vazios e insossos;
  • Controles pesados e imprecisos em certos momentos.
Vane — PS4 — Nota: 5.0
Francisco Camilo é ex-viciado em platinas na família PlayStation e sonha em ser escritor no futuro. Divide suas jogatinas entre jogos de todos os tipos e partidas de Battlefield e Call of Duty.

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