Com fraca apresentação na E3, o PSVita decepciona novamente. Será que o portátil da Sony foi pro limbo de vez?

A E3 acabou e tivemos boas revelações, principalmente para os fãs da Sony (que ganhou a feira na minha humilde opinião). O console novo f... (por Rayner Lacerda em 23/06/2013, via PlayStation Blast)


A E3 acabou e tivemos boas revelações, principalmente para os fãs da Sony (que ganhou a feira na minha humilde opinião). O console novo finalmente foi mostrado, bons jogos foram anunciados e todo mundo ficou naquela alegria danada, não é verdade? Não, não é verdade. Os donos de um certo portátil (será que a Sony ainda lembra o nome dele?) novamente ficaram chupando o dedo. Será isso uma previsão de um futuro sombrio? Ou apenas mais uma mancada da gigante japonesa?

Não sei vocês, mas eu geralmente odeio quando as minhas previsões ruins se concretizam. Em uma conversa descontraída com amigos poucos dias antes da E3, fui o único que se mostrou cético quanto ao aparecimento do PlayStation Vita na feira. E ainda disse mais: “se o portátil não aparecer, ele morreu de vez”.


É óbvio que o grande foco da empresa era o PS4, fato inegável. Mas isso não justifica o tratamento ridículo que o portátil recebeu. Os fãs mereciam mais, é uma pena que isso não aconteceu.

Cadê as novidades?

Quando começou a apresentação da Sony, quase tive uma síncope ao ver que ela começaria a exibição falando do portátil. E ainda começaram dizendo que o Vita está no seu primeiro ano de vida, como se isso fosse desculpa pelas más escolhas que a Sony vem tomando, mas isso é outra história. O discurso deixava a entender que o portátil ainda teria muito apoio e que uma enxurrada de novos jogos estariam por vir.

O problema, querida Sony, é que você nem sequer deu espaço para mostrar isso. Em pouco menos de 20 segundos, todas as novidades foram apresentadas: o novo Batman, Killzone e o esperado Tearaway passaram voando. Logo após isso, o que foi feito? Começaram a falar de velhas novidades.

Minha frustração começou quando colocaram o logotipo de God of War na telona. Quem dera se fosse um jogo exclusivo, mas não, é apenas uma versão remasterizada dos dois primeiros jogos de PS2. Sim, aqueles mesmos que você comprou para o PS3. Após isso, falaram do Final Fantasy X, de um jogo chamado Flower e depois terminaram com o anúncio de The Walking Dead (que já deveria ter aparecido no Vita a séculos, diga-se de passagem).

E adivinhem o que mais? Nada, foi só isso. Pouco mais de três minutos sobre um produto que está muito aquém do esperado. Pode parecer implicância gratuita minha, mas acreditem, não é. Ao reservar três minutos para falar sobre o portátil e dentro desse tempo, apenas 15 segundos para os jogos novos, a Sony simplesmente confirmou o que já sabíamos: o Vita vive de ports.

A prova clara disso é que as adaptações estão mais nos holofotes do que os novos lançamentos. Nos últimos meses, o que de novo o Vita recebeu além do decente Soul Sacrifice? Nada. Epic Mickey e Jax and Dexter Collection acabaram de sair do forno, mas não são nenhuma novidade.


Ao que parece, as Third-Party preferem simplesmente adaptar alguns títulos (muitos de forma porca, diga-se de passagem) para descolar alguns trocados, do que investir mesmo em jogos exclusivos. E a culpa disso é de quem? A Sony deve pensar que é do público, por não estar comprando o portátil, só pode.

Bom, eu simplesmente odeio aquelas discussões inúteis dos “istas” de plantão, e nem de longe esse é o propósito da matéria, mas como só é possível chegar a um consenso com argumentos, vamos analisar friamente a situação.

O que mudou desde o lançamento?

Quando a Nintendo lançou o seu portátil, o 3DS, teve praticamente os mesmos problemas que o Vita: preço elevado, falta de jogos e uma decepcionante estratégia de marketing. Pois bem, sabendo disso, o que ela fez? Em primeiro lugar, assumiu a culpa, tratou logo de abaixar o preço e lançar alguns jogos do bigodudo para alavancar a popularidade do portátil. Não preciso nem dizer o resultado disso, não é mesmo? As vendas falam por si.

Pois bem, e a Sony? Não é possível que ela não tenha percebido o quão mal das pernas anda o seu produto. É claro que percebeu, o problema é se ela está disposta ou não a dar a cara a tapa e assumir as consequências. Em discussão anterior, citei todos os problemas que o Vita enfrenta, e as más escolhas feitas pela gigante japonesa. Será que alguma coisa mudou ao longo desse tempo?

Para começar, o problema com os cartões ainda continua, são caros e limitados por uma conta da PSN. Já perdi a conta das vezes em que eu quis baixar uma demo ou comprar um jogo disponível na PSN europeia, e não pude pela limitação. Seria preciso deletar todo o conteúdo do meu cartão atual (registrado em uma conta americana) para poder fazer isso. Simplesmente continua não fazendo sentido essa “estratégia”.

Pelo menos enquanto durarem os jogos
O Vita ainda é caro. Alguns dizem que eu sou extremista ao dizer que a Sony abandonou o portátil, mas vejam bem, ela abaixou o preço apenas no Japão. Existe algum motivo por trás disso? Ela não se importa com os outros consumidores? Ou será que a Sony realmente desistiu e quer apoiar o Vita apenas em território japonês? Onde poderá se concentrar em lançamentos específicos que agradam aquele público. Não há motivo plausível que explique essa atitude. Se a empresa quer que o Vita se popularize, abaixar o preço internacional é uma medida básica.

Por último, mas não menos importante, voltamos aos jogos. Sinceramente, se você já terminou Gravity Rush, Soul Sacrifice, Assassin`s Creed III: Liberation, Rayman Origins, Uncharted: Golden Abyss e Persona 4: The Golden, não deve ter muito o que jogar no seu portátil. Como eu disse, não há jogos novos e exclusivos, sendo bastante otimista, podemos contar com um ou dois lançamentos por semestre. Não creio que um monte de ports vão fazer você desejar desesperadamente um Vita.



Não me entendam mal, não sou contra os ports, só acho que eles não deveriam ser a prioridade agora. Será possível que só eu fiquei mega frustrado ao ver que Puppeteer não seria lançado para o Vita? Acredito veemente que o jogo ficaria lindo na tela do portátil, com uma experiência sensacional. Isso sem falar em jogos como o já anunciado Rain. Está cada vez mais claro que as produtoras não querem se arriscar. Quem sabe se a Sony, assim como o fez a Nintendo, lançasse dois ou três jogos de peso para o Vita, a situação não ficaria melhor?


Tearaway parece lindo, e já é compra garantida, mas ele sozinho não vai fazer diferença. Um Infamous ou mesmo um God of War são tudo o que o portátil precisa para cair nas graças do público e deslanchar de vez. Ou melhor, que tal uma série nova, que abuse de toda a capacidade e dos recursos do aparelho? Isso, e um preço justo, seriam as medidas ideais para o Vita sair do limbo.

Por falar em limbo, uma medida paliativa, como eu disse em outras matérias, são os jogos indie, eles são perfeitos para jogar no portátil. E parece que finalmente a Sony está começando a perceber isso. Já temos Limbo, Guacamelee e Machinarium, jogos muito divertidos, apesar de que, novamente, são apenas ports. Mas quem sabe com o tempo essas pequenas produtoras não resolvem fazer jogos focados no portátil? Usando e abusando de sua capacidade? Aguardemos.

Futuro incerto?

Novamente, o futuro do Vita permanece uma incógnita. A Sony não se mostra preocupada o suficiente, e se medidas sérias não forem tomadas ainda esse ano, a coisa toda pode desandar de vez. E pensar nisso é absolutamente revoltante, além de uma frustração enorme. Vou dizer isso sempre: o Vita é um portátil fantástico, com uma capacidade e recursos incríveis. É realmente triste vê-lo abandonado desse jeito.

E você, caro leitor, o que achou da participação do Vita na E3? Será que o portátil ainda tem salvação? Deixe sua opinião e discuta com a gente.

Revisão: Alan Murilo
Capa: Vitor Nascimento
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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