MIND≒0, uma promessa de bom jogo para PSVita no Japão que você provavelmente nem sabia que existia

“Caramba, o PSVita é um console sem jogos” , disse o gamer brasileiro. Apesar de realmente não estar recebendo tantos games, no Japão o ... (por Rodrigo Estevam em 14/07/2013, via PlayStation Blast)

“Caramba, o PSVita é um console sem jogos”, disse o gamer brasileiro. Apesar de realmente não estar recebendo tantos games, no Japão o Vita não é exatamente um peso de papel; no intervalo de tempo entre o momento em que esse texto está sendo escrito e o dia 10 de outubro de 2013, no mercado ocidental o portátil vai receber apenas sete jogos, enquanto no Japão nada menos do que vinte títulos serão lançados no mesmo período. Isso mesmo, quase o triplo.

Yoichi e sua MIND
O problema não é que o Vita não tenha jogos, mas sim que muitos deles não saiam do mercado oriental. Por exemplo, já ouviu falar sobre MIND≒0? Não? Tudo bem, você não é o único: trata-se de um dungeon crawler RPG exclusivo para PSVita que vai ser lançado no dia 1º de agosto desse ano... somente no Japão. Pois é.

Mas o que importa mesmo é que MIND≒0 tem tudo pra ser um sucesso de vendas. A receita é simples: um game com mecânicas semelhantes às da aclamada série Persona, visual bonito e estiloso, trama interessante e famosas localidades como cenário. Some isso ao fato de o game estar sendo desenvolvido pela Acquire (das séries Tenchu e Shinobido) em conjunto com a ZeroDiv (de Class of Heroes) e pronto, não tem como não esperar por um resultado satisfatório.

Esses monstros são apenas coisa da sua cabeça

O MIND do título é uma sigla para Mental Inside Nobody Doll (ok, aqui precisamos ser sinceros: esse nome nem faz sentido, então nem tentaremos traduzir) e se refere aos seres criados pela mente dos protagonistas, que os auxiliam em suas explorações de dungeons e batalhas contra diversos monstros. Ao que tudo indica (já que as informações sobre o game ainda são bem escassas) os MINDs vão ser usados durante as visitas a um mundo paralelo espiritual, e é lá que vai acontecer a maior parte da ação. Quando no mundo “normal”, famosas localidades do Japão, como por exemplo Akihabara e Yokohama, serão palco de um estilo mais visual novel, com foco na interação entre os diversos personagens.

As comparações com a série Persona são mesmo inevitáveis, visto que ambos os títulos compartilham mais semelhanças do que diferenças. Desde os personagens principais (estudantes adolescentes capazes de controlar monstros criados a partir de suas mentes) às mecânicas de jogo (como a exploração de masmorras em primeira pessoa, semelhante aos primeiros games da série Persona, para PlayStation), passando pelos próprios MINDs que dão título ao game e são extremamente parecidos com os summons da série Shin Megami Tensei (da qual Persona é um spin-off), muita coisa parece ter sido “inspirada” na franquia da Atlus.


As mentes por trás dos MINDs

MIND≒0 vai ser um daqueles típicos jogos estrelando colegiais: Kei Takanashi, Sana Chikage e Leo Asahina estudam em uma escola em Saitama, uma região próxima a Tóquio e, em um dado momento, eles descobrem a existência de um mundo paralelo onde podem controlar MINDs... e que outras pessoas também podem! Kei é o tradicional protagonista, sempre disposto a ajudar qualquer um em perigo; Sana é a menina com estilo esportista, que age por impulso sem pensar nas consequências; Leo é o cara de alto-astral mas desmiolado que tem um sexto sentido bem apurado. Durante suas aventuras eles conhecem Yoichi Ogata, um misterioso homem de meia-idade que também é capaz de usar MINDs e é dono de uma agência de detetives.

Leo, Kei e Sana, o trio de colegiais protagonistas de MIND≒0
Além do quarteto principal, algumas informações sobre outros personagens já foram liberadas. Kotone Shiragiku é uma menina de estilo simples e antiquado que frequenta uma outra escola particular, e Kanade Sakyo é um rapaz que gosta de agir sozinho e é bastante misterioso. Ambos também possuem a habilidade de controlar MINDs.

Batalhando com MINDs

Saber utilizar os MINDs vai ser essencial. Eles são fortes e consequentemente de grande ajuda, mas se não forem usados de maneira apropriada poderão acabar te deixando em uma enrascada. Durante as batalhas vai ser de extrema importância ficar de olho nos Life Points (vida dos personagens) e nos Mind Points (vida dos MINDs), que vão funcionar de forma semelhante aos Hit Points e Magic Points da maioria dos RPGs tradicionais.

Sana e sua MIND entrando em ação
O interessante aqui fica por conta do sistema de defesa, onde você vai poder utilizar seu monstro como escudo, sacrificando alguns MPs para poupar LPs. Atacar com seu monstro também vai gastar MP, e se em algum momento o contador de vida do seu monstro chegar a zero acontece um MIND Break e seu personagem fica impossibilitado de executar algumas ações (como ataques especiais) por algum tempo. Se todo o seu time entrar MIND Break a coisa fica feia e a quantidade de turnos necessária para uma total recuperação aumenta muito, então é bom cuidar bem de seus companheiros!

Poupar seu monstro para não gastar Mind Points pode ser uma opção, mas alguns inimigos terão forte resistência contra ataques dos personagens humanos, aumentando bastante o fator estratégico dos combates. Para compensar o excesso de pontos gastos para executar ataques e até para se defender, os MINDs recuperam MP gradativamente ao longo das batalhas. No final das contas a receita para o sucesso vai ser conseguir balancear o uso de LPs e MPs.


Tudo em MIND≒0 chama a atenção: desde o visual dos personagens pelas mãos do character designer japonês KYO, passando pela trilha sonora composta pelo ZIZZ Studio, não tem como não ficar curioso e querer saber mais sobre o título. Mesmo com os gráficos, sons e animações das batalhas sendo um tanto ultrapassados, a semelhança com a série Persona é tanta que o jogo, no mínimo, merece uma chance de provar que o “genérico” pode ser tão bom quanto o original.

É muito bom saber que o PSVita vem recebendo uma quantidade boa de jogos no Japão – e jogos bastante legais, diga-se de passagem. Mas é bem triste ver que o portátil ainda está bem aquém de seu potencial, principalmente por conta do aparente descaso da Sony com seu poderoso console de bolso. Só o que nos resta fazer é torcer para que jogos como MIND≒0 sejam sucesso de vendas em terras nipônicas para poder sonhar, então, com uma localização para o mercado ocidental.

Revisão: Thomas Schulze
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

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