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Análise: Colonize o planeta E.D.N. III e descubra as raízes da NEVEC em Lost Planet 3 (PS3)!

Lançado ao final de 2006, Lost Planet: Extreme Condition era uma das promessas entre as novas franquias que estavam nascendo na então no... (por Gabriel Vlatkovic em 03/09/2013, via PlayStation Blast)


Lançado ao final de 2006, Lost Planet: Extreme Condition era uma das promessas entre as novas franquias que estavam nascendo na então novíssima sétima geração de consoles. Contando com uma narrativa diferenciada, gráficos fenomenais (para a época) e uma ambientação que proporcionava um alto grau de imersão, o título da Capcom só não decolou por conta de alguns problemas em sua jogabilidade, que em certos momentos era um pouco travada e acabava prejudicando a experiência. Quase sete anos – e uma sequência dispensável – depois, a franquia recebe mais um título pelas mãos da Spark Unlimited, desenvolvedora formada pelos idealizadores de Medal of Honor. Lost Planet 3 prometia voltar às origens da série com uma aventura mais focada no enredo.


A salvação da Terra

Lost Planet 3 se passa décadas antes do primeiro título da franquia e conta como se deu a colonização do planeta E.D.N. III pelas mãos da NEVEC, corporação antagonista de toda a série. Nessa época, o grupo buscava colonizar o planeta para torná-lo habitável para os seres humanos e de quebra extrair recursos do local para salva a vida na Terra. No controle de Jim Peyton, membro da NEVEC que acaba de desembarcar no planeta gelado, o jogador deverá explorar cada canto do local, enfrentando criaturas hostis, instalando estruturas termais que permitam a sobrevivência humana no local e, claro, controlando gigantescos Mechs.

Nada como um planeta inteiro para colonizar...
Ao contrário do segundo jogo da franquia, que deixou de ser completamente focado no enredo, Lost Planet 3 retorna às suas raízes e oferece uma experiência para apenas um jogador com missões bem mais envolventes, que se fazem valer graças à imersiva narrativa que mantém qualquer um preso ao jogo até o final. Mas não pense que o gameplay é completamente linear: apesar de não possuir um mundo aberto tal como os de sandboxes tradicionais, Lost Planet 3 conta com um imenso planeta a ser explorado e com diversas missões paralelas que podem fornecer os mais valiosos recursos para facilitar a jornada principal.

Explorando o inexplorável

Apesar do excelente enredo e da ótima ambientação, Lost Planet 3 não conta com uma jogabilidade tão refinada. Os controles de Jim Peyton são pesados e nem sempre respondem da forma que deveriam, o que torna a experiência frustrante em alguns momentos. Certos inimigos são fortes e muito ágeis, como deveriam ser, mas os comandos do herói simplesmente não foram feitos para acompanhá-los. Durante as seções de exploração os problemas são menos evidentes. Desbravar o mundo desconhecido é algo extremamente gratificante, ainda mais levando em conta o excelente trabalho artístico realizado pela desenvolvedora. Ainda assim, alguns bugs um pouco irritantes podem prejudicar ainda mais a experiência já debilitada. Jim atravessa algumas paredes e certos comandos automáticos, como o do ícone para usar o gancho para rapel, nem sempre aparecem quando devem aparecer, dificultando ainda mais a execução dos já não tão fáceis comandos do jogo. O problema fica ainda mais evidente quando precisamos utilizar os equipamentos no calor de uma batalha e a imprecisão acaba ocasionando mortes desnecessárias. Por sorte, o jogo possui checkpoints e saves automáticos aos montes, tornando o problema um pouco menos crítico.

Apesar dos problemas, explorar E.D.N. III não deixa de ser divertido!
No controle dos Rigs – os Mechs do jogo – a coisa fica bem mais legal. Apesar dos controles lentos, justificáveis pelo peso e pelas características do robô, explorar o planeta a bordo de um mech proporciona uma sensação incrível! Os Rigs ainda não são militarizados, dado que na época em que o jogo se passa, a NEVEC deseja apenas explorar o planeta para extrair seus recursos. Graças a isso, o mais próximo de uma arma que o equipamento possui é uma espécie de broca para abrir caminho pelo gelo e extrair minerais. Para completar, os Rigs possuem um comunicador, pelo qual os membros da equipe conversam entre si, e um tocador de música para embalar nossas andanças por E.D.N. III.

No controle dos Rigs a exploração é muito mais eficiente
Como dito anteriormente, certas missões do jogo dão prosseguimento à história e outras, paralelas, acrescentam mais à mitologia do planeta e nos esclarecem melhor a respeito da NEVEC. As missões paralelas são divertidas e fornecem itens que tornam a jornada mais fácil, e Jim e seu Rig mais fortes. É possível customizar o Rig com peças encontradas durante a aventura, para torná-lo mais eficiente – e o próprio protagonista vai recebendo novos equipamentos conforme avança em sua jornada.

A beleza de E.D.N. III

Além do enredo imersivo, outra coisa que chama a atenção em Lost Planet 3 é o empenho da Spark Unlimited em criar a atmosfera de um planeta hostil e não explorado. Os gráficos são belíssimos, sejam in-game ou durante as excelentes cutscenes que permeiam a aventura. E a qualidade não é apenas técnica, pois é fácil perceber que a desenvolvedora tem um senso artístico incrível para criar paisagens, sejam a céu aberto ou de cavernas escuras e desoladas. Os inimigos também possuem uma modelagem incrível e são realmente intimidadores, o que aumenta ainda mais a imersão da aventura.

Os gráficos são de deixar qualquer um de queixo caído!
Contudo, a melhor parte de tudo isso é a interpretação dos atores. Contando com uma dublagem acima da média, os personagens são críveis e parecem, de fato, possuir sentimentos. As conversas entre Jim e sua esposa, que o aguarda em seu planeta natal, são carregadas de emoção e a interação entre o personagem e sua equipe é, em grande parte, cômica. O texto colabora muito pra isso, fazendo com que o jogador se flagre rindo sozinho em alguns momentos, dado o carisma dos personagens. De quebra, o jogo possui legendas em português brasileiro, o que em um jogo focado no enredo, é excelente para os jogadores que não possuem domínio da língua inglesa.

Grande destaque da aventura, a atuação dos personagens é impecável

Oportunidade desperdiçada

Lost Planet 3 poderia ter sido um jogo excelente, mas é apenas bom. Com um enredo que conta as origens da série e uma ambientação de cair o queixo, o jogo se perde graças à imprecisão de seus controles e aos eventuais bugs que permeiam a jogabilidade durante toda a jornada. Mesmo assim, o título é altamente recomendado para fãs da franquia que desejam conhecer ainda mais sobre a mitologia do planeta E.D.N. III e sobre as motivações da NEVEC, que a levaram a se consolidar como o inimigo maior nas outras duas entradas da franquia. Lost Planet é uma série com imenso potencial, mas para que se torne tudo o que merece e pode ser, ela precisa, urgentemente, ter seus controles e mecânicas refinadas.

Prós

  • Gráficos belíssimos;
  • Excelente narrativa;
  • Personagens carismáticos;
  • Missões paralelas que adicionam muito à aventura;
  • Momentos épicos e divertidos.

Contras

  • Jogabilidade inconsistente;
  • Falta de polimento nas mecânicas.



Lost Planet 3 – PlayStation 3 – Nota: 7.0
Revisão: Samuel Coelho
Capa: Daniel Silva 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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