Jogamos

Análise: Sinta a nostalgia, empunhe sua espada e prepare sua magia – do RPG a luta em Dissidia Final Fantasy (PSP)

Lá pelos idos de 2009, a  Square Enix  lançou Dissidia Final Fantasy, e com isso houve muita apreensão – afinal, como misturar a série ... (por Diego Leon em 13/09/2013, via PlayStation Blast)

Lá pelos idos de 2009, a Square Enix lançou Dissidia Final Fantasy, e com isso houve muita apreensão – afinal, como misturar a série de RPG Final Fantasy com um jogo de luta? Felizmente, a apreensão foi desnecessária – Dissidia foi sucesso de crítica e público e um dos jogos que sempre figuram na lista dos melhores para o PSP. E verdade seja dita: gráficos exuberantes, jogabilidade eficiente, música de primeira – e tudo embalado pela nostalgia – não poderia ter um resultado diferente. O resultado foi tão positivo que em 2011 a Square-Enix lançou uma continuação, intitulada Duodecim, colocando Vaan, de Final Fantasy XII e Lightining, de Final Fantasy XIII nas batalhas.


Pancadaria em 3D de qualidade

Se você joga há algum tempo, provavelmente poderá lembrar-se de um grande hit no Dreamcast: a série Power Stone. Ora, mas porque estou relembrando este jogo? Guardadas as devidas proporções, Dissidia bebe da mesma fonte: cenários abertos, jogabilidade livre e utilização do espaço na mecânica do jogo. Claro que as semelhanças param por aí, pois o sistema de combate do jogo da Square Enix é muito mais profundo do que apenas bater e lançar magias. A base do combate consiste em acumular Bravery Points,  que causam dano direto ao HP do adversário. E nisso tudo ainda há os ataques EX, que são liberados quando coletados os cristais chamados de EX Core. Os ataques EX são combos únicos baseados nas franquias de cada personagem – Terra, por exemplo, assume sua forma Esper e ataca o inimigo com a magia Riot Blade.

Bartz e o seu Ex Mode

E onde está a parte RPG em tudo isso? Conforme o jogador vence as batalhas, adquire pontos para aumentar seu nível. Além disso, também ganha novos itens para incrementar o ataque ou defesa. Com o aumento do nível do personagem, também poderá comprar novos ataques ou movimentos. E também há a possibilidade de invocar os famosos summons durante a batalha.

Um esquema que também lembram os RPGs é o World Map e o encontro com os monstros. Em Dissidia, o World Map é representado por um tabuleiro e só entra em modo de batalha quando o jogador encontra uma peça adversária. No tabuleiro, também são espalhados baús que contém itens como poções. Cada movimento do jogador custa Destiny Points, então, quanto menos movimentos, mais pontos. Alguns adversários exigem condições específicas para ganhar estes pontos – como vencê-lo em dez segundos. Quanto mais Destiny Points, mais pontos para trocar em itens.

Ande pelo tabuleiro para enfrentar adversários e coletar baús.
A câmera também merece atenção especial: em ambientes amplos ela funciona de maneira grandiosa, traduzindo toda a emoção dos combates. No entanto, em ambientes fechados, existem alguns problemas como ângulos que não enquadram o jogador ou mesmo uma câmera lenta que não consegue acompanhar a velocidade da luta. No entanto, não são todos os momentos que apresentam este ligeiro problema e, por esta mesma razão, não tira todo o brilho da obra da Square Enix.

De encher os olhos
Que o pequeno console da Sony tem capacidade gráfica, isso todos nós sabemos. Agora, quando jogar Dissidia, você entenderá o que o PSP é capaz de produzir. O jogo flui sem engasgos ou travadas e a modelagem dos personagens é bastante detalhada para um portátil. E assistir as famosas animações da Square na tela do PSP é realmente um espetáculo visual.

Sephiroth, um dos vilões mais queridos pelo público, também está presente.

A eterna luta do bem contra o mal

Sim, existe uma história por trás de todos esses eventos – mas não espere nada grandioso. Tudo se inicia com a eterna luta entre dois deuses, Cosmos, a deusa da harmonia e Chaos, o deus da discórdia. Para restaurar o equilíbrio, Cosmos invoca dez guerreiros para trazer os dez cristais necessários para combater Chaos. Assim, os guerreiros partem numa Odisséia do Destino (Destiny Odissey), enfrentando seus antigos oponentes, medos e segredos.

Por mais que a história seja clichê, ela funciona no jogo. Cada personagem tem o seu drama particular, explorado na jornada. É o caso de Tidus (Final Fantasy X) e seus problemas com seu pai, Jecht, ou a complexa relação dos irmãos Cecil (Final Fantasy IV) e Golbez.

Conflitos familiares em Dissidia – o drama vivido por Tidus e Jecht.

Músicas inesquecíveis – a trajetória de Final Fantasy

Quem já se aventurou pela saga Final Fantasy certamente irá lembrar-se de temas épicos. E os fãs agradecem: To Zanarkand (FF X), Melodies of Life (FF IX) e One Winged Angel (FF VII) estão presentes – assim como outros temas clássicos. As músicas dos jogos mais antigos receberam um tratamento especial e ganharam uma versão remixada. Estas grandes obras musicais – a maioria composta pelo lendário Nobuo Uematsu – acrescentam emoção às batalhas e também permitem ao jogador relembrar grandes momentos vividos com os heróis da saga Final Fantasy. Ponto também para a dublagem – excelente qualidade! E finalmente ouvimos a voz de alguns heróis, como Warrior of Light e Firion.

Uma mistura que deu certo

Dissidia é um exemplo de que uma ideia um tanto exótica pode dar certo. Percebemos que o mercado de videogames respira a nostalgia - e colocar os grandes ícones da série Final Fantasy em um jogo de luta, mais acessível, não foi apenas uma jogada de marketing, mas de renovação da própria franquia. Assim, embarque em uma aventura solo ou chame um colega para uma partida via Ad-hoc, mas não perca um dos melhores jogos do PSP, que reúne toda a excelência da saga Final Fantasy em um belo jogo para o portátil da Sony.

O Logotipo de Dissidia mostra o confronto dos dois deuses, Chaos e Cosmos, o eterno clichê do Bem contra o Mal

Prós

  • Gráficos acima da média para o PSP;
  • Trilha sonora inspirada em temas épicos da saga Final Fantasy;
  • Jogabilidade inteligente misturando o universo dos RPGs com os jogos de luta.

Contras

  • Em momentos específicos a câmera não acompanha a velocidade do combate;
  • Enredo pouco profundo.
Dissidia Final Fantasy - PSP - Nota final: 9,0
Revisor: Rafael Neves
Capa: Douglas Fernandes
Diego Leon escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook