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Análise: A equipe de Dustforce chegou para tentar tirar o pó de seu PS Vita

Você já se perguntou sobre o que os zeladores fazem quando ninguém está olhando? Sim, eles limpam, espanam, enceram e passam pano. Mas voc... (por Gustavo Dourado em 17/02/2014, via PlayStation Blast)

Você já se perguntou sobre o que os zeladores fazem quando ninguém está olhando? Sim, eles limpam, espanam, enceram e passam pano. Mas você já se perguntou como? Bom, é isto o que o título Dustforce veio nos mostrar! Sendo lançado inicialmente para PCs, o jogo recebeu um port para os consoles e acabou dando as caras, também, no PS Vita, que, ironicamente, precisava dar um jeito na própria poeira. No jogo, você terá de incorporar um grupo de zeladores para combater as coisas grotescas que podem surgir em decorrência da sujeira! Mas será que o título faz jus ao que veio?


Xô preguiça, tchau sujeira!


Uma das grandes qualidades (ou defeitos) de grande parte dos jogos indie são as referências feitas por eles a grandes clássicos. Como muitos outros do gênero, Dustforce não foge a esta regra, mas, felizmente, o título também possui uma identidade própria. O jogo segue o estilo plataforma 2D em alta velocidade, assim como os jogos do Sonic para Master System e os novos Rayman, nos quais o jogador precisa tentar chegar ao fim da fase no menor tempo possível. Mas acha que é só isso? Caso sim, engana-se! É necessário também que o jogador varra (literalmente) o máximo possível de sujeira – pó, gosmas, folhas e até mesmo monstros – que puder, tudo para poder completar a fase totalmente e conseguir a maior pontuação possível.

Para cumprir esses objetivos básicos, temos à nossa disposição quatro personagens. Eles são zeladores de cores, aparências e habilidades diferentes. Cada um tem suas próprias vantagens e desvantagens dentro de cada fase escolhida, que podem depender de fatores como altura máxima de pulo e área de abrangência dos ataques.

Cada zelador possui uma habilidade diferente que poderá ajudar na limpeza.

Pegue esta vassoura, filho. Vai precisar!


Dustforce requer uma grande habilidade do jogador para que ele possa passar pelos níveis. Os controles são simples e, de certa forma, poucos, mas quando colocados em uso nos níveis de extremo desafio, algo que é frequente, tornam-se um pouco confusos, devido à velocidade do jogo, mas isso não chega a ser nada que atrapalhe, de fato, o gameplay. Além do mais, a resposta aos comandos do jogador é realmente muito boa, algo que não poderia faltar em um jogo deste estilo.

Os personagens podem correr, dar saltos duplos, deslizar, usar ataques leves, ataques carregados, e podem até usar as paredes para executar manobras acrobáticas. Esses comandos em si são bem básicos e, caso o jogador se adapte rapidamente ao jogo, tornam-se bem fáceis de serem executados. Algo que pode incomodar alguns jogadores é o fato do jogo apenas disponibilizar um tutorial básico, contendo somente algumas dicas de movimentação (controles básicos). Após essa rápida introdução, o jogador é posto para escolher uma fase e iniciar o jogo.

Alguns wall-jumps são muito legais e até que fáceis de realizar.

Pego a vassoura e…?


Como já foi questionado acima, e como também já foi enfatizado na nossa análise da versão para PS3 do jogo, Dustforce apenas nos oferece um breve e incompleto tutorial inicial, que nos ensina a realizar os movimentos básicos e que, logo depois, já nos coloca na tela de seleção de fases. Sem explicação maior do quê e do porquê de estarmos limpando.
O tutorial é simples e básico, mostrando apenas a movimentação e algumas manobras.
 O fato de o jogo não possuir uma trama é até que plausível, já que os produtores tentaram fazer com que a história fosse contada pelo design e pela jogabilidade do jogo em si. Mas algo que acaba incomodando é o fato de absolutamente nada, além dos comandos básicos, possuir explicação. Os monstros, os locais, e até mesmo os zeladores, tudo isso existe simplesmente por existir.

De fato há alguns NPCs aleatórios espalhados pelas telas de seleção de fase, mas eles apenas lhe presentearão com uma dica sobre algum movimento, algo que você já pode até ter descoberto por si mesmo em alguma das belas fases do jogo.
As fases são tão detalhadas a ponto de impressionar.

A ambientação das fases do game é realmente muito boa. Nos aventuramos ao longo de laboratórios cheios de gosma, florestas enfestadas de folhas,  e até mesmo ao longo de mansões empoeiradas, as quais são realmente muito bem trabalhadas, juntamente de todo o visual e das animações do título, que não deixam a desejar.

Infelizmente, não foi possível jogar no modo multiplayer do PS Vita, por conta da instabilidade dos servidores do jogo e também devido ao fato de as salas serem quase que totalmente inexistentes.

Quem disse que seria fácil?


Um dos grandes atrativos de Dustforce é a sua dificuldade, que em alguns momentos chega a ser um tanto quanto insana. De varreduras no chão a acrobacias no teto, há momentos em que simplesmente ficamos sem tempo para perguntas ou para se pensar no que fazer, só podemos agir. O jogo é rápido, e suas fases são complexas, assim como os antigos jogos de Sonic, para Master System, de tal modo que um desafio maior sempre pode aparecer a qualquer momento.

Os monstros podem ser empregadas ou até pássaros infectados pela sujeira.
Além da sujeira impregnada pelos cenários, os quais os zeladores limpam enquanto andam, alguns monstros, compostos desta mesma sujeira, estão espalhados pelas fases, e cabe a você recuperar a forma original destas criaturas, ou não. Estes “monstros” são, na verdade, humanos, animais ou objetos, que foram infectados pela sujeira e que, de certa forma, foram até possuídos pelas mesmas, que fizeram com que ficassem agressivos e tomassem uma forma grotesca.

Limpar nunca foi tão divertido!


É fato que Dustforce tenta ao máximo fazer jus ao que veio e se esforça bastante para deixar uma marca no mercado dos indies com sua própria identidade. Algo que também merece elogios é a trilha sonora memorável do título, que possui um acervo de músicas que conseguem ajudar e muito na imersão das fases e que jamais ficam monótonas. Outra coisa boa é o sistema de leaderboards (ranqueamento) do jogo, que estimulam o replay das fases. O título é deveras divertido, e pode render horas de jogatina, seja para você ou para algum familiar seu que goste do gênero (Manhê!). Infelizmente, como nem tudo é perfeito, a falta de explicações, que nos deixa perdidos, e a presença de um modo multiplayer com falhas graves acabam tirando o mérito do título.

Prós

  • Divertido;
  • Trilha sonora memorável;
  • Visual bonito;
  • Dificuldade elevada;
  • Comandos respondem bem.

Contras

  • Sem explicações sobre as situações;
  • Sem explicações sobre os personagens;
  • Modo multiplayer instável.

Dustforce - PS Vita - (PSN) - Nota: 8.5

Revisão: Samuel Coelho
Capa: André Perez Segato 
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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