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Análise: Batman: Arkham Origins Blackgate traz uma rebelião até o PSVita

Três meses após Arkham Origins, para PS3, o Cruzado Encapuzado precisa neutralizar três grandes vilões que dominaram a penitenciária de Gotham.

A série Arkham ajudou a elevar muito mais o status do Batman nos últimos anos. Ao lado da sensacional trilogia dirigida por Christopher Nolan, dos diversos desenhos animados e dos ótimos arcos das histórias em quadrinhos, os jogos criados pela Rocksteady e posteriormente assumidos pela Warner Games Montrèal tornaram o morcegão ainda mais popular. E, junto do game que nos levou a conhecer o Cruzado Encapuzado em início de carreira, chegou Batman: Arkham Origins Blackgate, o primeiro título da série a ser lançado para consoles portáteis.

Três meses após os acontecimentos de Batman: Arkham Origins, em uma trama que lembra muito o primeiro game da série, Batman precisa invadir a prisão de Blackgate para investigar a misteriosa explosão que culminou na rebelião comandada pelos vilões Máscara Negra, Pinguim e Coringa, cada um dominando uma ala do presídio e tocando o terror com a ajuda de seus incontáveis capangas.


Trama reaproveitada?
Em Batman: Arkham Asylum, o Homem-Morcego precisa ir até o manicômio de Arkham, onde estão presos os piores criminosos de Gotham, e graças a um plano do Coringa acaba preso na instituição, usando todo o seu arsenal e potencial para pôr fim ao esquema de seu arqui-inimigo. Já em Arkham Origins Blackgate, Batman precisa ir sozinho à penitenciária de Blackgate, que sofreu uma explosão e acabou sob o controle de três perigosos vilões, parando a rebelião antes que seja tarde demais.

Em primeiro lugar, precisamos ser realistas: por mais potente que possa ser o hardware do PlayStation Vita, ele não é um PS3. Então, por mais que esperássemos que Blackgate trouxesse a mesma experiência de jogo que os demais jogos da série, essa tarefa é quase impossível. Pois é, quase. Porque, no final das contas, o pessoal da Armature Studios conseguiu um resultado surpreendente ao criar um jogo de ação em 2.5D que aproveita os principais conceitos que fizeram sucesso nos títulos da franquia em três dimensões. O combate fluido está lá, as sequências stealth também. Ou quase isso.


A principal diferença do combate de Batman: Arkham Origins Blackgate para os demais Arkham se dá por conta da perspectiva lateral em 2.5D. Como o Homem-Morcego e seus adversários estão — teoricamente — alinhados, é mais fácil lutar contra eles sem receber nenhum golpe físico. Durante todo o meu gameplay não houve um momento sequer em que mais de dois inimigos sem armas de fogo tentaram me atacar ao mesmo tempo: eles sempre vinham um de frente para o Morcegão e o outro tentando acertá-lo por trás. De certa forma isso é bom, pois facilita na hora de contra-atacar e manter o combo (um dos troféus do jogo exige uma sequência de 100 hits).

Por outro lado, justamente pela falta da terceira dimensão, ao ser avistado por um desses adversários é praticamente impossível se esconder e sair ileso se um deles tiver uma metralhadora, por exemplo. Não existe outro plano para onde fugir, o cenário é praticamente uma linha reta. Ou seja, se os inimigos estiverem armados a morte é quase certa, não há como escapar.

Já as sequências em stealth são as que mais sofreram com a perda de meia dimensão no Vita. Em uma sala com muitos inimigos, por exemplo, se eles estiverem próximos demais, você provavelmente só vai conseguir derrubar um em silêncio antes de ser avistado. Afinal, seus adversários têm duas direções para olhar, para frente ou para trás, e isso acaba tirando um pouco da graça. Os trechos de “Predador Invisível” são muito melhores no PS3, onde você pode abater um capanga, jogar o arpão e se esconder em um lugar alto, cair atrás da próxima vítima e pegá-la antes de se esconder em um dos dutos subterrâneos. Daí é só repetir a sequência até eliminar todos os brutamontes sem ser visto. No Vita isso já não acontece, o que é uma pena.


Uma surpresa bem agradável sobre Batman: Arkham Origins Blackgate veio justamente da parte gráfica. Por se tratar de um jogo para console portátil, era de se esperar que o visual do jogo fosse bem inferior ao visto nos outros títulos da série, lançados para consoles. Mas não, Blackgate possui gráficos bem bonitos, com texturas bastante detalhadas para um jogo “secundário”. Afinal, não se trata de um port para PS Vita como fizeram com The Amazing Spider-Man, onde pegaram a versão do PS3 e adaptaram ao portátil (levando a uma considerável queda no visual e alguns bugs). Arkham Origins Blackgate é uma experiência totalmente nova e diferenciada. A movimentação dos personagens pode parecer um tanto travada ou artificial demais, mas isso a gente releva porque não atrapalha em nada a experiência de jogo.

Blackgate também tem vozes para todos os personagens e diálogos, trazendo os mesmos intérpretes dos capítulos anteriores, e Roger Craig Smith no papel de Bruce Wayne/Batman. Os efeitos sonoros também são de qualidade, e isso fica ainda mais perceptível ao jogar usando fones de ouvido. Só é uma pena que as cenas de corte sejam “desanimadas”, apresentadas por desenhos no estilo das comics norte-americanas, quase que sem nenhuma animação. Se as cenas utilizassem gráficos do próprio jogo, ou até mesmo vídeos pré-renderizados como em Arkham Origins, o resultado seria muito mais satisfatório.

A nova voz do Morcego
Roger Craig Smith é figurinha carimbada da dublagem de videogames. O talentoso ator e dublador já emprestou a voz pra personalidades dos games como Sonic (em Sonic Lost Worlds), Chris Redfield (em Resident Evil 6) e Ezio Auditore da Firenze (Assassin’s Creed: Revelations)!

Por se tratar de um jogo de ação com exploração, onde você vai precisar revisitar o mesmo lugar algumas vezes, Arkham Origins Blackgate conta com diversos “colecionáveis” espalhados pelos cenários. Existem ao todo seis armaduras diferentes para o Morcegão, sendo quatro delas desbloqueáveis ao se coletar todas as cinco partes de cada uma. Algumas dessas vestimentas trazem vantagens, como causar 25% mais dano ao atacar ou ganhar invencibilidade. Além disso, há várias pistas de crimes cometidos na penitenciária escondidas em lugares de difícil acesso. Encontrá-las e “resolver os crimes” libera algumas artes conceituais.


Um ponto positivo de Blackgate é que você pode escolher em qual ordem vai terminar o jogo. Existem três áreas principais disponíveis para exploração desde o início da história, cada uma dominada pelo Máscara Negra, Coringa ou Pinguim. Já a trama, apesar de original, não chega a ser excepcional, praticamente se limitando a ser uma expansão/continuação de Arkham Origins. O layout dos cenários não ajuda em nada, pois como a ação se desenrola em um presídio, boa parte das instalações são muito parecidas, provocando a falsa sensação de que tudo é repetitivo demais.

Alguns elementos também confundem um pouco, dando a impressão de que o jogo começou a ser pensado antes do roteiro estar pronto. Por exemplo, por que diabos o Batman foi conter a rebelião em um presídio onde estão os mais perigosos criminosos de Gotham levando apenas Batarangs? E por que raios existem caixas da Wayne Tech com armas e armaduras do Batman escondidas dentro da prisão?

No geral, principalmente se levarmos em consideração que se trata de um jogo para console portátil, Batman: Arkham Origins Blackgate faz um belo trabalho levando a série para o PlayStation Vita. Os principais elementos de sucesso da série Arkham estão lá, só que em menor escala. Não chega a ser um jogo maravilhoso, mas diverte bastante e se destaca pela qualidade da dublagem e gráficos bem adaptados para a telinha do Vita.


Prós

  • Gráficos bem adaptados ao portátil;
  • Dublagem com as mesmas vozes dos outros games da série;
  • Mecânicas de combate e stealth simulam a jogabilidade dos títulos para consoles de mesa;
  • É a série Arkham na palma da sua mão!

Contras

  • Movimentação dos personagens um tanto travada;
  • Cenas de corte com pouquíssimas animações;
  • Sequências de “Predador Invisível” não funcionaram em 2.5D;
  • Trama mal planejada, parece uma versão de baixa renda de Arkham Asylum.

Batman: Arkham Origins Blackgate - PlayStation Vita - Nota: 7,0
Revisão: Bruna Lima
Capa: Leonardo Correia
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

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