Discussão

A Sony venceu a E3 2015?

Em 2015 a casa do PS4 trouxe muitas novidades e anúncios bombásticos. Teria ela vencido a E3?

Se você acompanhou a E3 2015 sabe que a Sony trouxe anúncios importantes em sua conferência. Como disse um colega aqui da redação nas redes sociais: "A Sony jogou para a galera". Fora da conferência também apresentou jogos, alguns exclusivos, em seu canal de cobertura ao vivo do evento. Entretanto, teria a Sony vencido a E3 trazendo jogos há muito aguardados? Sim e não.


Não, porque a E3 é um grande comercial no qual somos estimulados a todo momento pelo hype, com as empresas tentando manipular nossas emoções através de vídeos, imagens, etc. Escrevi um texto sobre o assunto ainda essa semana, mais precisamente sobre como devemos permanecer céticos em relação a eventos como a E3, bem como a obras que ainda não foram lançadas, que não são um produto final. Seria uma contradição muito grande vir aqui agora e defender de forma apaixonada os méritos da Sony e de seus jogos.

Mas de certa forma ela "venceu a E3", pois como disse o amigo, jogou para a galera e conquistou a atenção da mídia e de jogadores de forma bem contundente. E é exatamente essa a proposta de uma dessas grandes companhias: chamar o máximo de atenção possível e convencer que seus jogos são incríveis. Vamos analisar os anúncios.

The Last Guardian

Depois de anos de especulações e incertezas, a Sony começou sua apresentação já com a confirmação de que The Last Guardian chegará exclusivamente para PS4 em 2016, se tudo der certo. Um anúncio certeiro, que além de deixar de lado uma das maiores dúvidas em relação aos estúdios da empresa, traz mais um jogo do aclamado Team ICO ao seu console, deixando mais interessante e robusta sua linha de exclusivos.
Vem comigo, jogador, que vamos te levar para o maravilhoso mundo do Hype.
É claro que o selo de qualidade de Fumito Ueda e sua equipe possui muito peso, mas o conteúdo apresentado em si ainda não difere tanto do que já vimos ao longo dos anos. Não que necessariamente precisasse diferir, mas fica a sensação de que durante todo esse tempo o jogo mal saiu do lugar.

Se o título trouxer a qualidade esperada, teremos um grande jogo em mãos. A expectativa está muito grande, e talvez seja melhor baixar ela um pouco. No entanto a confirmação do jogo logo no início da conferência foi uma tacada certeira.

Horizon Zero Dawn

Algumas notícias já especulavam sobre o novo projeto da Guerrilla Games e, sinceramente, é muito animador ver a desenvolvedora deixar Killzone um pouco de lado. O conteúdo mostrado é interessante. A premissa agrada e abre possibilidades boas para a narrativa.
Horizon tem potencial, mas vamos aguardar com calma.
De qualquer forma, é ponto para a Sony apresentar uma nova IP, ainda mais em se tratando de uma proposta que difere bastante da série anterior da Guerrila e que pode dar muito certo. Se vai dar ninguém sabe, até porque o padrão de jogos de mundo aberto foi elevado ainda mais por títulos como The Witcher 3: Wild Hunt. 

Street Fighter V

Garantir a exclusividade nos consoles de Street Fighter V foi algo muito acertado por parte da Sony. Na conferência pudemos ver um pouco mais do jogo e ter a confirmação de novos personagens. Em relação ao SF V a empresa foi sucinta. Mostrou o necessário e reafirmou a importância do jogo para sua biblioteca.

No Man's Sky e Dreams

O que dizer desses jogos que conheço há tão pouco tempo e já acho que podem ser tanto experiências incríveis quanto grandes furadas? O já conhecido No Man's Sky se uniu ao novo projeto da Media Molecule, Dreams. A proposta de ambos os títulos é ousada, até mesmo inovadora. Mas a forma como os jogos se darão ainda é muito nebulosa.

É verdade que nessa conferência vimos um pouco mais de No Man's Sky, e o título começa a se tornar mais claro. Dreams, por sua vez, está menos definido ainda, ouvimos apenas o anúncio que mostra conceitos interessantes, mas ainda nada concreto.
Dreams é um jogo para "criação de sonhos".
Garantir esses títulos originais em seu console, bem como apostar neles, é um ponto positivo da Sony, ainda mais quando essa se trata de uma empresa acusada de copiar as propostas de outras companhias inovadoras como a Nintendo, por exemplo.

Hitman, Call of Duty, Destiny e multiplataformas em geral

A Sony continua apostando no seu mantra de que "o melhor lugar para jogar é no PS4" e isso inclui de forma decisiva os títulos multiplataforma, que são grandes pilares da indústria. No geral isso representa que muitos jogos trarão algum conteúdo exclusivo para PS4, variando de missões extras até beta exclusivo.

É inegável a importância dos jogos não exclusivos, afinal estamos falando de franquias que vendem muito bem e movimentam muito dinheiro. Não acho, pessoalmente, que esses conteúdos exclusivos signifiquem um diferencial tão grande em relação ao Xbox One (até porque a Microsoft também traz conteúdo exclusivo de outros desses jogos), mas é o papel que as empresas tem que cumprir.

Final Fantasy

O primeiro título Final Fantasy a ser anunciado na conferência da Sony foi World of Final Fantasy. Até acho que o jogo tem potencial, e sua proposta de trazer novos jogadores à franquia é importante, mas vamos combinar que ninguém ligou para esse anúncio. Para o outro, entretanto, o mundo dos jogos parou.

Final Fantasy VII: Remake (nome ainda provisório) foi confirmado e chegará primeiro ao PS4 (e depois sabe-se lá para que mais). Também não é possível negar a importância que o título tem para os jogos em geral, e principalmente para a marca PlayStation. Fico feliz em se tratar de um remake completo, que mudará muitas coisas e aspectos do jogo. 
Ôooo, o campeão voltou?
Não tem muito o que falar, basta ver a reação das pessoas e a repercussão na mídia para compreender que o anúncio foi muito bem recebido.

Shenmue III

E para quem achava que as novidades há muito esperadas tinham terminado, a Sony chamou Yu Suzuki ao palco para anunciar que Shenmue III estava chegando ao kickstarter e que "o futuro do jogo só dependia de você". Não é o tipo de jogado de marketing que me deixa animado, inclusive achei uma sacanagem fazer todo aquele teatro para armar um "financiamento" que não será a única fonte de dinheiro do projeto, projeto aliás que a Sony está envolvida.


À parte da discussão moral sobre a apresentação, do ponto de vista publicitário eles ganharam muito mais do que se apenas anunciassem que "Shenmue III está sendo desenvolvido e chegará ao PS4". Tudo repercutiu de forma ainda mais avassaladora. O jogo bateu recordes e conseguiu o dinheiro pedido rapidamente. Resta esperar para saber se este título também conseguirá superar ou mesmo atingir as expectativas gigantes em torno dele.

Morpheus, Spotify e Vue

A Sony fez questão de reafirmar o sucesso do Netflix e, mais recentemente, do Spotify no PlayStation 4. São serviços cada vez mais essenciais a um console, de fato. Também apresentou seu aplicativo de televisão, o Vue, que trará a possibilidade de assinar os canais individualmente, o que é bem legal. O serviço, porém, está se expandindo ainda de forma devagar nos Estados Unidos. De qualquer maneira, é importante que a empresa traga novidades para esse mercado importante.

Também foram prometidos lançamentos e jogos para o Project Morpheus, o aparelho de realidade virtual da Sony. É difícil para mim avaliar o impacto dos aparelhos VR, porque até o momento eu não ligo para eles (talvez por não ter experimentado ainda), mas é claro que é importante o investimento nessa tecnologia.

Uncharted 4

O grande lançamento de 2016 da Sony e, espero eu, o último jogo da franquia Uncharted. Não consigo me animar tanto assim com Uncharted porque o título é sempre muito parecido com o anterior. Mas eu sempre compro e acabo gostando porque a Naughty Dog é uma desenvolvedora muito competente, então não liguem para minha acidez. O trecho de gameplay apresentado foi escolhido de forma muito sagaz, pois além de mostrar a beleza do game ainda conseguiu empolgar com a perseguição em um carro, aparentemente com mais possibilidades de caminhos do que em outros jogos da série.

O grande vencedor da E3 foi...

Você jogador! Mentira, não foi você não. Do lado da Sony, podemos dizer que a empresa conseguiu trazer novidades e jogos que mudaram um pouco o quadro de seus exclusivos (e exclusividades para console) para os próximos anos. Até então a Microsoft parecia ter uma linha muito mais sólida e vasta, e a Nintendo continua a possuir franquias de grande qualidade. A Sony precisava fazer algo em relação a isso e fez. Esse foi o segundo grande trunfo da Sony. O primeiro foi conseguir maravilhar, embasbacar e causar grandes expectativas. Suas jogadas foram pensadas de forma minuciosa para que todos bradassem "a Sony venceu a E3", "a Sony enterrou a concorrência", etc.

Ultimamente estou chateado com muitas coisas que acontecem nesses eventos, bem como com a postura das empresas, mídia e jogadores. Mas meu lado ranzinza não pode deixar de reconhecer que a Sony fez a lição de casa certinho, e conseguiu fortalecer ainda mais sua marca. No fim, é para isso que serve a E3.

Capa: Felipe Araújo
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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