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Bloodborne (PS4) revisitado: o que mudou desde 2015

Como a FromSoftware lidou com alguns pequenos problemas e ainda adicionou um conteúdo tão relevante para um dos exclusivos mais caprichados do PS4.



O refino de uma obra-prima quase perfeita: é assim que defino o trabalho da FromSoftware ao longo dos dois últimos anos. Desde o lançamento de Bloodborne (PS4), a legião de fãs de jogos do estilo soulslike só cresceu — eu, inclusive, me tornei um grande admirador do título graças ao espetáculo de horror e sangue tão bem equilibrado com o desafio e a sensação de recompensa a cada cantinho explorado. Chegou a hora de nos questionamos: será que Bloodborne chegou ao seu nível máximo de perfeição e tornou-se um quase imbatível candidato dentro do gênero?

Acabamento e polimento

Não sei ao certo se Bloodborne saiu do forno cedo demais, ou se era preciso ele demonstrar seus poucos problemas técnicos em público para que a equipe de desenvolvimento tomasse ciência de que reparos eram necessários. Infelizmente, não acompanhei seu lançamento com emoção pois (ainda) não havia conhecido os jogos do emblemático diretor Hidetaka Miyazaki. Mesmo assim, após alguns meses, comecei a notar que alguns amigos que estavam se aventurando por Yharnam estavam um pouco insatisfeitos com o desempenho do jogo. Não chegou a ser uma decepção, mas um certo incômodo que poderia ser corrigido.

Nas discussões de fóruns especializados, os problemas reportados mais frequentemente eram: queda de framerate em locais muito vívidos e ricos em cenário no jogo offline, queda de framerate durante a conexão online — desencorajando o modo PvP de invasão característico dos jogos da FromSoftware —, dificuldade nas tentativas de conexão entre jogadores — o sistema de sinos parecia menos eficaz que os sinais de invocação previamente usados na série Dark Souls —, e os tempos de carregamento, que beiravam os 40 segundos dependendo da área a ser carregada.


Aos poucos, updates foram liberados e consertaram, mesmo que parcialmente, os problemas citados acima. As quedas de framerate tornaram-se quase pouco significativas, tanto no modo online como no offline, o que colabora com a fluidez da imagem em movimento e naturalidade de movimentação e mecânica. Infelizmente, nenhum tipo de suporte a 60 fps foi desenvolvido (nem mesmo para o recém-lançado PS4 Pro). Os tempos de carregamento sofreram redução — advinda de uma atualização que trouxe uma melhor e mais eficaz programação de processamento de imagem.

Infelizmente, a questão dos sinos continuou sendo um problema. Apesar do sistema de discernimento e da combinação do ressoar dos sinos parecer uma ideia tremendamente criativa, ela apresenta desempenho pouco satisfatório. Em alguns momentos, aleatoriamente, os sinos conseguem ressoar juntos durante o primeiro minuto. Porém, durante a maior parte da minha experiência, um período de dois até quatro minutos eram necessários para que os dois jogadores se encontrassem em um mesmo mundo, qualquer que fosse a posição global deles. Isso ainda é frustrante, principalmente quando, após aguardar alguns minutos, seu sinal é cancelado automaticamente e você corre o risco de perder discernimento, que é como uma “moeda para jogar online”.

Muitas edições, mas com um mesmo propósito

Diante da grandiosidade de outros títulos de 2015, como The Witcher 3: Wild Hunt (Multi) e Metal Gear Solid V: The Phantom Pain (Multi), Bloodborne fez bonito e perdeu a disputa da maioria das premiações por pequenas questões técnicas, que limitaram a experiência dos críticos. Vencedor ou não, Bloodborne recebeu uma edição física de jogo do ano, que fora lançada apenas em terras européias, na Austrália e em alguns países de cultura árabe. Já Japão e Hong Kong receberam uma edição física com o mesmo conteúdo, porém com capa e nome diferentes, intitulada The Old Hunters Edition. Entretanto, a edição mais vendida entre os pós-lançamentos foi a Complete Edition Bundle, versão digital completa. Todas as três contém o jogo base e a expansão The Old Hunters.


O propósito das edições definitivas, sejam elas as citadas acima ou as raríssimas respectivas edições de colecionador, era trazer ao jogador um pouco do que se passou antes dos eventos de Bloodborne. O DLC The Old Hunters, de dificuldade mais acentuada que o jogo base, conta um pouco sobre a cidade de Yharnam antes dos eventos apocalípticos da caçada contemporânea, explica a origem das vertentes da Igreja da Cura e de Byrgenwerth e ilustra a incessante luta entre caçadores antigos e feras, sem distinção de forma ou espécie. É de extrema importância para um melhor entendimento da lore de Bloodborne, além de apresentar uma maior variedade de armas de truque e vestimentas.

Ainda é tempo de temer o sangue antigo

Os servidores de Bloodborne ainda estão funcionando e, mais do que isso, possuem muitos jogadores online diariamente mesmo após quase três anos. Há muitos motivos para isso acontecer, e dois deles são óbvios: as dungeons para co-op — que são criadas proceduralmente a partir de rituais —, e a busca por mais informações e coerência para a lore do jogo. Assim como Demon’s Souls (PS3) e a série Dark Souls, cada vez que você jogar novamente, você é recompensado com descobertas inéditas. Quando começamos um New Game após o jogo ser finalizado (NG+), temos certeza que sabemos tudo sobre o título, só para depois nos surpreendemos novamente com momentos inexplicáveis e inesperados.


Em 2017, Bloodborne ainda se mantém como um dos títulos mais maduros da geração atual, além de um exclusivo de peso para o PS4. Sua importância e influência ainda estão sendo delimitadas e traçadas pelo fator do tempo, mas isso será discutido daqui a alguns anos, tendo em vista sua ótima execução como RPG de ação e como sendo uma espécie diferente de survival horror. Se você sente curiosidade de se aventurar por Yharnam e ainda não se sentiu seguro, pode ir tranquilo. Sua experiência será punitiva, recompensadora, aterrorizante e contemplativa, seja em 2015, 2017 ou em tempos futuros.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Arthur Maia escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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