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Análise: Assassin's Creed III: Liberation (PSVita)

Será que existe algum gamer que nunca ao menos ouviu falar na série Assassin's Creed? Creio que não. O título ficou famoso por sua ori... (por Rayner Lacerda em 24/11/2012, via PlayStation Blast)

Será que existe algum gamer que nunca ao menos ouviu falar na série Assassin's Creed? Creio que não. O título ficou famoso por sua originalidade e conquistou uma grande legião de fãs nos consoles. Aproveitando a ansiedade de todos com os novos jogos da série, foi uma surpresa e tanto quando a Ubisoft anunciou Assassin's Creed III: Liberation, com a promessa de uma experiência totalmente nova para os donos do encalhado portátil da Sony. Nem preciso dizer que a expectativa foi às alturas. Lançado o jogo, o que podemos concluir? Vale a pena dar uma chance ou ele é só mais um daqueles jogos tapa buraco do Vita? Descubra lendo a nossa análise.

Em primeiro lugar, não vou ficar sempre batendo na mesma tecla de que o Vita precisa urgente de jogos inovadores, ao invés de simples ports, até por que, todo mundo já sabe disso. A questão aqui é outra: o excelente trabalho da Ubisoft em Assassin's Creed III: Liberation. Sem sombra de dúvidas é o melhor jogo AAA do portátil. É óbvio que ele não é perfeito, mas é uma experiência completa em vários sentidos e você simplesmente esquece as falhas ao começar a jogar. Se você se divertiu com Assassin's Creed III, aqui não vai ser diferente.

Semelhanças e diferenças fundamentais

Todos os elementos de um típico jogo da série estão presentes aqui: passear por um lugar exótico com uma paisagem urbana de cair o queixo; despachar para o outro mundo trocentos inimigos de forma violenta e furtiva e se envolver em uma conspiração contra os já conhecidos Templários.


É importante deixar claro o seguinte: o jogo não possui relação nenhuma com Desmond Miles, o enigmático  personagem da franquia para os consoles. Há uma alusão clara ao Animus e a Abstergo, mas você deve encarar ACIII: Liberation como uma aventura dentro do mundo ficcional da série. Dessa forma, você está na pele da personagem principal, e não apenas usando-a como um avatar para reviver memórias que podem decidir o destino do mundo. Trocando em miúdos, é como se a história fosse um grande jogo em realidade aumentada apresentado aos habitantes da série.



Em minha humilde opinião, a Ubisoft acertou em cheio ao não incluir mais personagens na já conturbada história de Desmond. Imaginem se a versão do Vita fizesse parte da história oficial, com uma nova Animus e tudo mais, ia ficar um samba do crioulo doido daqueles. Com uma história independente, teoricamente a empresa tem mais liberdade para se concentrar no personagem em si. E foi mais ou menos isso que aconteceu.

Chega de testosterona

O pano de fundo da série se passa na cidade de New Orleans, mais precisamente entre os anos de 1765 e 1780, época em que os franceses e os índios entraram em guerra, no auge de outro acontecimento histórico singular, a Revolução Americana.

Liberation traz muitas novidades à série; uma das principais é justamente sua protagonista. Chega de marmanjos, dessa vez você controla Aveline de Grandpré, uma mestiça filha de um magnata francês com uma escrava africana. Ela nasceu em New Orleans e foi recrutada por Agaté, um ex-escravo que atua como seu mentor durante o jogo. Tudo o que sabemos é que Aveline entra para a Irmandade dos Assassinos no ano de 1759 e, por isso, acaba se envolvendo nos acontecimentos da revolução.

Infelizmente, você não vai descobrir muito mais sobre as origens dela ao longo do jogo, o que é realmente uma pena. Pelo fato de ser a primeira protagonista feminina da série, a história de sua origem deveria ter sido melhor aproveitada, afinal, ela é uma personagem singular: filha de um homem rico com uma escrava e dotada de muitos bens. Sem falar na questão de como ela deixou de ser uma simples fidalga e se tornou uma Assassina. Esses são alguns fatos ignorados ao longo do desenvolvimento da história. Por outro lado, suas motivações e objetivos ficam cada vez mais claros:

Eu procuro a liberdade, não para mim, mas para aqueles cujo direito mais fundamental foi negado. Eu sou seu escudo, sua espada, sua única esperança. As estradas pelas quais caminho são escuras, mas me deixam mais perto da luz. Me movo sem ser vista e ataco quando menos esperam. Eu sou Aveline de Grandpré. Eu sou uma Assassina.

Nesse ponto, podemos perceber uma semelhança muito grande com Connor, o protagonista de Assassin's Creed III. Ambos querem a liberdade, não para si, mas para os outros. Enquanto Connor luta para libertar as terras do seu povo, Aveline, como mestiça, busca a liberdade para os escravos oprimidos. Vale lembrar que o período em questão é marcado por profundas distinções raciais, daí o seu interesse em lutar por um mundo melhor e igualitário.

Funcionalidades de uma Assassina

Um dos primeiros aspectos que chama a atenção quando falamos de Aveline é o seu arsenal. São várias armas disponíveis, com usos variados. Além da clássica hidden blade, da machete e das pistolas, o destaque fica para duas armas exclusivas: uma zarabatana e um guarda sol carregado com dardos envenenados. Tudo isso para você escolher o melhor jeito de matar seus inimigos.

Outro aspecto muito bacana que já tinha dado as caras discretamente em outros títulos, mas é profundamente explorado aqui, é o sistema de personalidades. Ao longo do jogo, Aveline pode assumir diferentes papéis, cada um possuindo seus pontos positivos e negativos. Ao se vestir de dama, você pode passear livremente pela cidade, sem chamar a atenção dos guardas, podendo até mesmo seduzi-los. O único problema é que você não pode escalar, lutar e nem correr direito.

Como uma escrava, ela também possui descrição, apesar de despertar a atenção dos guardas em determinadas ocasiões. Como possui pouca proteção, essa personalidade também não é indicada para um conflito aberto. Por outro lado, como escrava, ela pode incitar outros escravos a se rebelarem, além de poder escalar qualquer construção. Por fim, temos a personalidade Assassina, que possui todos os equipamentos para uma boa matança.

Essa função é bastante controversa. Por um lado, permite uma diversidade maior no modo de jogar, pois você pode assumir diferentes papéis. Por outro, o jogo não permite a liberdade desejada para essa função, o que acaba limitando a jogabilidade em alguns pontos. Mas de modo geral, essa mecânica adiciona mais dificuldade ao jogo e o deixa mais coerente. Pensem comigo: seria bastante suspeito Aveline ou mesmo Connor matar desenfreadamente e sair impune pelas ruas sempre do mesmo jeito.

Diversão que cabe no bolso

A narrativa se concentra principalmente nas personagens femininas. Em determinado momento do jogo, você percebe que os personagens masculinos são vistos ora como vilões, ora como personagens de apoio. Aqui fica nítido o destaque desempenhado pelas mulheres. O que, em minha opinião, é mais do que merecido, pois mostra que independente do sexo, o que importa são as suas convicções e o desejo de mudar o mundo.

A história de ACIII: Liberation é mais curta do que em ACIII. Aqui são apenas 10 capítulos, mas não se engane, há muitas horas extras de diversão em forma de missões paralelas. Mesmo após terminar o jogo, ainda é possível percorrer o ambiente, comprar lojas, gerenciar navios, entre outros.


A versão do Vita incorpora muitos recursos de Assassin's Creed III. Os movimentos de Aveline, apesar das limitações do portátil, são tão bonitos quanto os de Connor. O mesmo pode ser dito da jogabilidade em si. Se você jogou qualquer outro título da série, não vai ter dificuldade alguma em se adaptar. Os controles ficaram ótimos, encaixando-se perfeitamente ao design do Vita.

Mas, assim como em outros jogos, os problemas começam nos controles touchscreen. Alguns recursos ficaram realmente bacanas, como o touch to kill, no melhor estilo Splinter Cell. O problema é que a Ubisoft quis abusar demais dos recursos do Vita, e se isso é feito sem cuidados, o resultado é frustrante, para não dizer mal executado. Pensei que fosse exagero, mas é realmente chato ficar mexendo constantemente os dedos para abrir cartas e também usar o giroscópio para alguns enigmas.



Deixando os controles de lado, se você planeja comprar o jogo, vai ficar abismado com os detalhes gráficos. New Orleans ficou absolutamente fantástica na tela do Vita, isso sem falar nas outras localidades (não vou estragar a surpresa). Arrisco-me a dizer que os cenários aqui ultrapassam os de Uncharted: Golden Abyss. Obviamente, ficam nítidas algumas diferenças entre a versão portátil e a caseira do jogo, principalmente quanto ao número menor de pessoas circulando pelas ruas e a perda de um pouco daquela sensação de algo vivo. 

Mas isso é totalmente compreensível, devido às limitações técnicas do aparelho e nem de longe influencia na diversão. Porém, o problema das constantes quedas de frame podem sim irritar ao longo do tempo. A Ubisoft poderia ter adotado estratégias para fugir desse deslize. Na verdade, ultimamente, ela tem lançado cada vez mais jogos "inacabados", precisando, assim, corrigir diversas falhas em futuras atualizações. Eu não me apego muito a essas questões, mas quando elas influenciam diretamente na jogabilidade, devem ser citadas.

Multiplayer, para que te quero?

Um dos aspectos que está se tornando constante nos jogos do Vita é a falta de um multiplayer decente, e isso também é visto aqui. Se você está acostumado a matar todo mundo nas partidas de consoles, vai ficar chupando dedo. Isso porque o multiplayer dessa versão é como se fosse um jogo de tabuleiro, não possuindo combate direto. Você apenas comanda tropas e pode escolher entre os Templários ou a Abstergo para comandar.


Definitivamente eu não entendo essa ânsia do mercado em incorporar funcionalidades multiplayer em todos os jogos. Seria muito melhor ter concentrado os esforços e deixar a campanha ainda mais envolvente e interessante do que fazer um multiplayer meia boca e que não convence. Talvez se a Ubisoft tivesse se preocupado menos com as imposições do mercado, e mais com o seu produto em si, teríamos uma visão muito mais profunda e privilegiada de Aveline.

Exemplo a ser seguido

Se você é fã de Assassin's Creed e tem um PSVita, está esperando o que para botar a mão na sua cópia? Sinceramente, não me arrisco a dizer que o jogo em si vale a aquisição do portátil, são muitos prós e contras. Mas se você já possui um, pode comprar sem medo, é diversão garantida.

Assassin's Creed III: Liberation está longe de ser perfeito, mas é sensacional. Apesar de ter seu próprio sabor, complementa a aventura de Connor em diversos aspectos, de modo que você deve jogar os dois para compreender melhor a mitologia do século XVIII. Se puder ir mais longe, assista ao filme O Patriota, com Mel Gibson; além de compreender melhor alguns aspectos, a sua sede de justiça vai aumentar drasticamente.

Parabéns novamente, Ubisoft, por mostrar ao mercado como se adapta toda uma franquia para um portátil, ao invés de simplesmente transferir - de forma porca e sem respeito ao público gamer - um jogo de console para outro aparelho com funcionalidades bem distintas (Activision, estou olhando para você).

Prós

  • Diversão garantida;
  • Aventura não perde em nada para a versão caseira;
  • Visual fantástico;
  • Mundo aberto envolvente;
  • Um dos poucos jogos do Vita que valem a pena.

Contras

  • A história de Aveline deixa a desejar;
  • Quedas de frames que atrapalham a jogatina;
  • Algumas funcionalidades touch são desnecessários;
  • Multiplayer capenga.
Assassin's Creed III: Liberation – PlayStation Vita – Nota Final: 8.0 
Visual: 10 | Som: 8.0 | Jogabilidade: 8.0 | Diversão: 9.0

Revisão:  Rafael Becker
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

Comentários

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6 comentários:

  1. comprei o bundle do vita branco com o liberation adorei o jogo realmente eh tudo o que diz a reportagem, inclusive o pessimo multiplayer, mas enfim eh uma opção a mais para o restrito panteao de jogos do vita

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    1. Manow o vita branco é uma jóia! :D

      Mas vc adquiriu por Loja nacional? E em qual versão ele vem (wifi ou wifi com 3G)?

      Acho que é uma versão que vale a pena! :)

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  2. O único ponto a ser acionado de forma negativa nessa analise é o fato da comparação das capacidades do portátil com o PS3.

    Obviamente, apesar do PS Vita ser um console com um hardware endiabrado (superior ao portátil concorre te e até mesmo aos mais avançados smartphones atuais em questão de CPU, RAM e etc.), não há como fazer comparações técnicas com um console de mesa.

    A comparação deveria se limitar somente a essência do Game em si e seus aspectos gerais... Mas tirando este fato, a analise foi ótima!

    Realmente descreve a realidade, prós e contras do Game, que é incrível e que, pelo menos pra min em relação aos últimos lançamentos, juntamente com Need for speed Most wanted, faz valer a pena ter comprado o Vita! :)

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  3. Não cara, eu comprei por um importador mesmo, e mesmo nessa versão bundle, ainda saiu mais barato que comprando aqui pelo Brasil o simples. Esse veio somente na versão wifi, com um cartão de memória de 4 gb, o jogo e o console branco, numa caixa bem estilosa

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    1. Hahaha bem loko!

      E realmente vc tem razão, tem locais por aqui que vc paga na versão wifi R$ 1.399,00, bem simples... Pesquisa do bem e te do a possibilidade de importar é de uma vantagem absurda!

      Se o 13* salário não tivesse comprometido (isso pq nem caiu ainda, hahaha) eu veria a possibilidade de adquirir um, mas por enquanto o 'black' me da aquela força! ^^

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  4. Gostei do game... Mas tem problemas na jogabilidade semelhantes ao AC3 dos consoles de mesa, nada que não possa ser corrigido via DLC. Gráficos legais mas de fato a história é muito fraca mas deixa o Uncharted (até então o melhor game de vita na minha opinião) no chinelo... Recomendo e acho que mesmo assim ainda acho q vai ta sempre entro o top10 do ps vita....

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