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Análise: Yakuza Kiwami 2 (PS4) — Embate entre Dragões

Remake de Yakuza 2 é um dos melhores jogos de toda a franquia.


A Sega parece ter encontrado uma bela maneira de introduzir novos fãs à franquia Yakuza, ao mesmo tempo que agrada veteranos. Após o lançamento de Yakuza Kiwami (PS4/PC), chegou a vez de Yakuza 2 receber um tratamento especial e chegar à atual geração de consoles sob o título Yakuza Kiwami 2 (PS4).


O Dragão de Dojima retorna

A trama de Yakuza Kiwami 2 se passa um ano após os acontecimentos de Yakuza Kiwami. Vivendo de maneira pacífica com a garotinha Haruka, Kazuma Kiryu se mantém distante da vida de yakuza da maneira como pode. Porém, como ex-membro da máfia japonesa e ex-presidente do Clã Tojo, Kiryu vê seu passado retornar para levá-lo de volta para onde ele havia se afastado. A pequena Kamurocho sofre com a disputa entre clãs, assim como é alvo de atentados misteriosos. Cabe a Kiryu trabalhar com seu grupo para proteger a cidade que tanto preza, a vida daqueles que ama e evitar uma guerra entre a máfia e derramamento de sangue.



Yakuza possui uma gama de personagens muito densa e interessante. Kiryu se porta como alguém introspectivo e extremamente centrado. Apesar de resolver muitos de seus problemas com seus punhos ferozes, seu coração é permeado por sabedoria e doçura, características que ele reserva para aqueles que realmente são próximos e importantes.

Mas o que seria de Kiryu não fosse os personagens com os quais interage? Os coadjuvantes possuem suas próprias histórias e evoluem em conjunto com o protagonista. Os diálogos expõem não somente detalhes da trama, mas características pessoais dos personagens. Aos poucos, vamos percebendo as nuances de cada um, e é interessante ver o desenvolvimento que eles têm durante o desenrolar da história. Há uma evolução nítida ao fim de seus arcos.

É difícil dizer que Yakuza têm vilões. Cada personagem possui suas próprias convicções, fazendo com que alguns deles as exerçam de forma mais cruel do que os demais. Como antagonista temos Ryuji Goda, o Dragão de Kansai. Com seus próprios métodos e motivações, Goda não se mostra alguém que é mal apenas por ser. Tem um caminho muito bem definido, e está determinado em segui-lo, mesmo diante de acontecimentos importantes que podem mudar sua vida. Essa profundidade dada a todos os personagens da trama, somada às reviravoltas e mistérios em cada capítulo, tornam a história de Yakuza Kiwami 2 memorável e um dos aspectos mais fortes do game.

Há ao menos dois momentos durante a história que parecem estar fora do lugar, com Kiryu tendo de parar a progressão para realizar uma outra atividade com algum coadjuvante. Embora tragam alguns detalhes a respeito da trama principal, a maneira como essas atividades estão inseridas e são conduzidas quebra de maneira sutil o andamento da narrativa principal, mas não é algo que diminua a qualidade geral.

A presença das substories

Assim como no jogo anterior, temos a presença das substories, que funcionam como uma espécie de side quests. Durante essas missões paralelas, encontramos uma seleção enorme de personagens absurdamente malucos, repletos de peculiaridades e que contam histórias bastante excêntricas e cômicas. Completar essas missões rendem não apenas pontos de experiência e dinheiro, mas também o desbloqueio de golpes especiais com o auxílio dos personagens de tais missões. Além disso, temos a possibilidade de comprar novos golpes para Kiryu.



Descendo a porrada de novo, e de novo e de novo…

Kiryu-chan possui uma vasta lista de habilidades que podem ser desbloqueadas através de pontos de experiência. Todas as ações realizadas rendem pontos. Das lutas com inimigos nas ruas de Kamurocho e Sotenbori, a missões secundárias, itens que consumimos e refeição dos diversos restaurantes do game. Esses pontos podem ser trocados por habilidades passivas e ativas que fortalecem as características de Kiryu e desbloqueiam novos movimentos de luta. Ainda que a lista seja vasta, Yakuza Kiwami 2 peca por oferecer um combate simples por demais.

A variedade de inimigos é razoável, assim como as lutas contra chefes. Mas o básico das lutas é sempre o mesmo, o que acaba se tornando repetitivo de maneira muito rápida. O que é uma pena, pois as lutas são divertidas e os controles respondem bem. Mas é possível finalizar o game utilizando apenas a mesma combinação de golpes básica que temos desde o começo da aventura.

Há grande facilidade de se ganhar pontos de experiência e fortalecer Kiryu durante as jogatinas. Mesmo que isso não seja algo ruim, (pois evita a necessidade de se repetir inúmeras vezes a mesma atividade para acumular pontos — o famoso grind), é possível atingir o nível máximo de alguns atributos ainda bem cedo durante a aventura, tornando algumas batalhas que poderiam ser desafiadoras em algo simples e fácil de ser superado.

As Heat Actions seguem presentes, tão absurdas quanto no primeiro Kiwami. Ao utilizar sua barra de Heat, Kiryu pode utilizar ações poderosas com o auxílio de objetos do cenário para causar dano extremo na saúde do oponente. Visualmente intensas, demonstram todo o poder contido nos punhos do Dragão de Dojima. Além disso, durante as lutas contra chefes, temos o “Feel the Heat”, que consiste em finalizações únicas, mostradas em ângulos especiais e demonstrando de maneira vigorosa a vitória.



Como opção para as lutas, podemos equipar Kiryu com itens que modificam seus atributos principais, como ataque e defesa. Também podemos equipá-lo com armas que podem ser usadas durante as lutas, que causam bastante dano nos inimigos, mas têm duração limitada, então é sempre bom ter um arsenal variado na reserva.

Muito o que fazer por Kamurocho e Sotenbori

Yakuza Kiwami 2 traz dois distritos para serem explorados: Kamurocho e Sotenbori. Há inúmeras atividades secundárias e minigames para Kiryu passar o tempo. Máquinas de pegar bichinhos de pelúcia, arcades de Virtua Fighter e cabine de vídeos são apenas alguns exemplos do que temos para fazer.

Complementando o pacote de conteúdo adicional, temos histórias secundárias como o Cabaret Club Gran Prix e o Clan Creator. O Cabaret Club Gran Prix coloca Kiryu como gerente do clube Four Shine, onde ele deve gerenciar diversas mulheres que trabalham como recepcionistas e animadoras, buscando fazer com que seus clientes gastem cada vez mais dinheiro. O objetivo é levá-lo à vitória, desafiando outros estabelecimentos em ligas de arrecadação de dinheiro.

Cada moça possui qualidades e defeitos próprios, e traços de personalidade únicos. Algumas são ótimas para animar clientes que gostam de farra, outras são mais carinhosas e boas de conversa. Cada cliente possui uma preferência, e atendê-las os deixa satisfeitos a ponto gastarem mais dinheiro. É preciso ficar de olho nos pontos de resistência das garotas para que não fiquem cansadas e precisem de uma recuperação maior. Atender seus pedidos de ajuda durante as sessões de entretenimento, como entregar cardápios e repor o gelo das bebidas, recupera sua barra de resistência, permitindo que fiquem mais tempo com nas mesas. Conforme o dinheiro entra, uma barra de especial se enche e, ao ativá-la, o “Fever Time” é ativado, acelerando seu gasto e aumentando ainda mais a arrecadação de Kiryu.



É possível recrutar novas funcionárias, e cada uma delas possui uma classificação e salário próprio. Quanto mais alta for a classificação da moça, maior será seu salário, mas também serão mais resistentes e terão maior facilidade de agradar os clientes. Ao fim de cada sessão, que dura três minutos, as garotas ganham pontos de experiência e as contas do clube são fechadas, debitando os custos e fechando a conta da sessão. É o modo mais fácil de se ganhar dinheiro em Kiwami 2, e um dos modos mais divertidos.

O modo Clan Creator é como um grande Tower Defense. Ao lado de Goro Majima, ex-membro do Clã Tojo e rival de Kiryu, embarcamos em uma série de missões cujo objetivo principal é eliminar a gangue inimiga. Há diversos tipos de unidade, como combate corpo a corpo, à distância, defesa e sabotagem. Ao cumprir missões, é possível arrecadar dinheiro e experiência, assim como tickets para evoluir nossas unidades e fortalecer nossa base. Ataques especiais ficam disponíveis durante as batalhas, custando pontos para serem ativados. Progredir nas histórias de ambos os modos desbloqueia personagens mais fortes e especiais. Se por um lado o Cabaret Club Gran Prix é divertido e simples de se jogar, o Clan Creator não carrega charme nenhum para suas batalhas.

Finalizar o modo principal desbloqueia capítulos extras de Goro Majima, ex-membro do Tojo e rival e amigo de Kiryu. Eles permitem que exploremos Kamurocho e Sotembori, desvendando a história de Majima entre Kiwami e Kiwami 2. Completar ações e missões neste modo e depositar dinheiro em caixas eletrônicos libera presentes e extras para serem usados por Kiryu em sua aventura. É uma excelente conteúdo pós-jogo, agregando ainda mais valor a Yakuza Kiwami 2.

As belezas de Yakuza

Kamurocho e Sotenbori transmitem uma sensação muito imersiva. Suas ruas vivem repletas de transeuntes, tornando os distritos vivos aos olhos. O game simula muito bem o Japão moderno, assim como a estética repleta de luzes neon. Há diversos estabelecimentos no game, onde é possível comer e passar o tempo, trazendo muito da cultura japonesa (e suas excentricidades) para a tela.



Totalmente refeito na engine de Yakuza 6: Song of Life (PS4), Kiwami 2 possui modelagem de personagens muito bem feita e realista, se destacando principalmente nas expressões faciais de seus personagens. Algumas animações, porém, parecem estranhas, como membros dos personagens mal posicionados ou gestos esquisitos, mas não é algo tão frequente e não prejudica em nada a qualidade geral do visual.

Yakuza Kiwami 2 (PS4) é um dos melhores remakes já feitos. Sua trama densa, com personagens profundos, interessantes e carismáticos, brilha imensamente, ofuscando a repetição dos combates e a falta de desafio nas lutas contra chefes. Mal posso esperar pela chegada dos próximos capítulos desta que é uma das melhores franquias da Sega.

Prós

  • História densa, repleta de mistérios e reviravoltas;
  • Excelente protagonista e ótimos personagens coadjuvantes;
  • Arcos de personagens bem desenvolvidos;
  • Inúmeras missões paralelas e atividades extras.

Contras

  • Pequenos momentos na trama principal que parecem fora do lugar;
  • Combate se torna repetitivo e sem desafios ao progredir na aventura.
Yakuza Kiwami 2 — PS4 — Nota: 9.5
Revisão: Rui Celso
Análise produzida com chave cedida pela Sega

Francisco Camilo é ex-viciado em platinas na família PlayStation e sonha em ser escritor no futuro. Divide suas jogatinas entre jogos de todos os tipos e partidas de Battlefield e Call of Duty.

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