Hands-on

BGS 2018: Dreams (PS4) estimula a criatividade com experiências diferentes

Título promete entregar um robusto sistema sandbox para permitir que jogadores coloquem todas as suas ideias de jogos em prática


Dreams, o novo título do estúdio Media Molecule — responsável por LittleBigPlanet e Teraway —, já tem história no PlayStation 4. Anunciado para o console três anos atrás, na E3 de 2015, o game promete fornecer ferramentas para que os jogadores criem e compartilhem qualquer experiência que vier à cabeça. Nossa equipe experimentou a mais recente demo do jogo disponível na Brasil Game Show 2018 e viu o quão profundo esse sistema sandbox pode ser.


A demonstração no estande do PlayStation possuía oito produções diferentes feitas pelos desenvolvedores do título. Infelizmente, não havia como testar a interface de criação em si, então não pudemos ver o quão intuitivo é colocar a mão na massa para inventar seu próprio “sonho”. Porém, usando como base os jogos apresentados e assumindo que todos foram feitos somente com a plataforma do título, é surpreendente a variedade de experimentos que podem ser criados.



Duas criações eram exclusivamente pensadas para dois jogadores. Hammer Time era um game competitivo em que cada participante controlava um martelo em uma série de disputas diferentes, que envolviam desde apertar o maior número de botões, empurrar bolas na parede do adversário em uma espécie de jogo de futebol e quebrar o chão, fazendo o inimigo cair. Já o conjunto Media Molecule Demo Content se apresentava como um título de plataforma 3D cooperativo em que dois robozinhos usavam eletricidade para prosseguir em fases lineares estilo Crash Bandicoot, mas bem mais sombrias. Além da diferença gritante entre as duas experiências, o que chama a atenção é a presença de cutscenes na segunda, indicando uma customização que poderá ir além do gameplay.



As criações single-player eram mais focadas em sessões curtas, algumas remetendo mais à arte interativa que a jogos. É o exemplo de Please Hug Me, em que controlava-se um cubo com braços e pernas que afugenta cones azuis, que se jogam de um disco para evitar um abraço. Uma forma geométrica também era a personagem principal de Comic Sands, um jogo de plataforma produzido pelo estúdio durante o Train Jam 2018. Aqui, o jogador assume o papel de um quadrado em um mundo com estilo de desenho que se transforma em um ambiente 3D, demonstrando que uma mesma produção pode ter controles e perspectivas diferentes.



Outro título de plataforma presente era Windy Glades, uma produção com comandos clássicos para o gênero, mas cenários muito reminiscentes de games como Ori and the Blind Forest ou Trine. No outro extremo, estava Given Time, um jogo de texto sem gráficos alguns, em que devia-se ler a história de uma personagem em uma festa e decidir o que fazer entre algumas opções pré-definidas.



Os dois últimos “sonhos” da demonstração tinham foco em naves e tiros. Moon Raiders era um game de luta espacial no estilo dogfight parecido com títulos como Ace Combat e com as fases abertas de Star Fox. Bastante detalhado, o jogo possuía um modo de visão dentro da cabine do piloto, desenvolvido para demonstrar a compatibilidade de Dreams com o PSVR, algo que, infelizmente, não estava disponível. Já Ferrovium era uma criação baseada em arcades como Gradius, mas com a possibilidade e ir e voltar pelo nível, como em Fantasy Zone. O objetivo: destruir torres localizadas em uma estação espacial gigante.



Apesar da falta do modo de criação, a demonstração de Dreams foi admirável. Chega a ser difícil pensar que o mesmo jogo permitirá o desenvolvimento de tantos gêneros diferentes, cada um com seu estilo. Assim como aconteceu com LittleBigPlanet, podemos estar a um passo de ver uma série de experiências bastante criativas compartilhadas online.

Dreams ainda não tem data de lançamento anunciada para PS4, mas o estúdio Media Molecule promete uma versão beta ainda em 2018.
Daniel Morbi é jornalista, analista de mídias e entusiasta dos games desde que conheceu Pokémon Azul no Game Boy Color quando criança. De lá para cá, dedicou-se a plataformas Nintendo, apesar de se aventurar no Xbox e no PC ocasionalmente. É capaz de demorar anos para zerar um jogo e tem mais games do que consegue jogar. Você pode encontrá-lo no Facebook e, futuramente, em outras redes sociais, quando ele tiver coragem para alimentá-las.

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