Blast from the Past

Final Fantasy Tactics (PS): o RPG tático da SquareSoft

Lançado há mais de 20 anos, Final Fantasy Tactics trouxe uma nova roupagem à série, unindo elementos históricos de seu mundo com um mecanismo tático de batalha.



Quando a SquareSoft, em 1997, lançou o Final Fantasy Tactics, a empresa deu uma nova cara ao jogo. Ele foi desenvolvido por Yasumi Matsuno, que também foi responsável pela série Ogre Battle da Enix e produzido por Hironobu Sakaguchi.


Embora o game ainda ocorra no mundo de Final Fantasy, seus elementos de batalha foram mudados por completo, fugindo das telas genéricas onde os protagonistas se posicionavam de um lado e os inimigos do outro. 

Adotando uma visão tridimensional isométrica onde cada detalhe influi no resultado da batalha, desde a escolha dos campeões até seu posicionamento. Uma escolha errada resulta em derrota.

A história

O jogo se inicia no reino de Ivalice ainda se recuperando da Guerra dos 50 Anos contra o reino de Ordelia. Você assume o papel do mais jovem dos Beoulve, a família real de Ivalice. Com a morte do rei Omdoria, o trono de Ivalice fica com dois pretendentes, a Princesa Ovelia, apoiada pelo Príncipe Goltanna e o Príncipe Orinas, apoiado pela Rainha Ruvelia e seu irmão, o Príncipe Larg. Este conflito pelo trono acaba gerando uma guerra em larga escala com ambos os lados usando todos os meios possíveis para subir ao trono, tendo como resultado a eclosão de outra guerra, chamada de Lions War.


No meio deste conflito os plebeus são os que mais sofrem, principalmente pela escassez de mantimentos e as altas taxas de impostos, sendo eles tratados como verdadeiros animais pela grande maioria dos nobres, criando mais uma frente de batalha, os Death Corps.

Neste ínterim você acaba descobrindo que, por traz de tudo isso, existe uma trama desenvolvida pela Igreja de Glabados para dominar Ivalice, usando a lenda conhecida como Zodiac Braves, onde constam as Zodiacs Stones que conferem um enorme poder àqueles que a empunham.


Uma história repleta de reviravoltas prende o jogador neste incrível mundo medieval. Uma temática bastante politizada a nível shakespeariano, lembrando muito o clássico MacBeth, do eterno autor inglês.

Os personagens

Ramza é o personagem principal da história, o mais jovem da nobre família Beoulve. No início do jogo ele aparece ligado ao grupo de mercenários liderados por Gafgarion tendo por objetivo proteger a Princesa Ovelia. No decorrer do jogo, Ramza vai descobrindo todas as tramas dos bastidores da guerra, colocando-o em conflito com seus irmãos e seu melhor amigo Delita e fazendo-o repensar sobre seus valores e os da nobreza.

Ramza e Delita: Melhores amigos

Delita é o melhor amigo de Ramza, foi criado pela família Beoulve e é considerado como um verdadeiro irmão pelo protagonista do jogo. Algumas reviravoltas põe em dúvida esta amizade, porém, no decorrer do jogo, os dois se unem novamente para recuperar as Zodiacs Stones. Delita protagoniza uma das cenas mais tristes do jogo, a morte de sua irmã Teta.

Príncipe Bestrada Larg é representado pelo White Lion Crest, irmão da rainha Louveria e tio de Ramza. Após a morte repentina do rei Omdoria, Larg entra em conflito com seu irmão Goltanna o que acaba eclodindo na Lions War.

Draclau é Cardeal em Lionel Castle e também membro da Igreja de Glabados. Ele ajuda a equipe de Ramza. Além do grupo de Ramza, Draclau também promete ajudar Mustadio, cujo pai foi sequestrado pela Bart’s Company.


High Priest Marge Funeral é o líder da Igreja de Glabados. Ele planeja aumentar o poder da igreja usando o conflito entre Larg e Goltanna para começar uma guerra. Depois que ambos os lados enfraquecem, ele planeja usar a Igreja para mediar o conflito e usar o Auracites para criar um novo grupo de Zodiac Braves. Porém, mesmo manipulando Larg e Goltanna, ele próprio está sendo manipulado pelo Folmarv Tengille, líder da igreja dos Cavaleiros Templários. Folmarv faz parte da trama de Lucavi para reviver o demônio Ultima.

Um verdadeiro xadrez do mundo Final Fantasy

O seu modo de jogo transforma o Final Fantasy Tactics em um verdadeiro xadrez, pois tudo influencia na batalha e qualquer movimento ou escolha errada poderá resultar em uma derrota humilhante.


Por isso, tudo tem que ser minuciosamente pensado neste jogo, deve-se escolher sabiamente quais soldados irá escolher para batalha dentre as diversas classes a sua escolha. Os Cavaleiros são ótimos para ataques corpo a corpo, já os arqueiros e os magos são excelentes para ataques a distância, porém são mais vulneráveis fisicamente e mais fáceis de serem abatidos.

O posicionamento dos heróis, no início das batalhas, também é muito importante. Alguns preferem colocar os cavaleiros a frente protegendo os magos e arqueiros atrás, permitindo fazer ataques poderosos a longa distância e forçando os inimigos a se aproximar para um corpo a corpo com os cavaleiros. Muito importante também é a movimentação dos personagens, pois, nessa estratégia, se deixar um mago desprotegido, este fica suscetível ao contra-ataque inimigo e você poderá perder uma grande força de ataque.


No meio da batalha uma figura importantíssima é a do Chemist, pois ele tem a função de restaurar os pontos de vida, os pontos de mente dos magos (que permite ele lançar as magias) e reviver personagens mortos. Também é um dos únicos que sabe manusear as armas de fogo, permitindo ataques a longa distância.

Mas cada estratégia depende de cada batalha, dos inimigos que você irá enfrentar e, até mesmo, do campo de batalha. Não adianta traçar a mesma estratégia para todas as batalhas, o importante é constituir várias estratégias de acordo com o que você irá enfrentar. A estratégia certa significa uma vitória neste jogo.

Curiosidades de Final Fantasy Tactics

Por ocorrer no mundo de Ivalice o jogo tem ligações com Final Fantasy XII e Vagrant Story. Outra curiosidade que, além de utilizar os pontos de experiência para aumentar o nível dos personagens, também foi utilizado os Job Points (pontos de trabalho) adquiridos a cada tarefa usada (usando um item, uma magia ou, até mesmo, um simples ataque), que serve para “comprar” novas habilidades no decorrer do jogo.


Existem 20 classes de campeões neste jogo, sendo a Squire e Chemist as classes básicas. Porém, numa versão posterior lançada para o PSP, foram acrescidas duas classes: a Onion Knight e a Dark Knight.

Alguns personagens ilustres aparecem no jogo: um deles é Cloud Strife (FF VII) como personagem jogavel, é possível recrutá-lo quase no final do jogo. Outra é a Aeris que aparece vendendo flores (desta vez ela não é morta).

Outras versões

Quando lançado em 1997, o Final Fantasy Tactics era exclusivo do PlayStation (PSOne), porém, na virada do século outras versões foram lançadas. Uma delas foi o Final Fantasy Tactics Advances, em 2003, para o Game Boy Advance. Apesar de não ser uma sequência do original, o jogo se passa também em Ivalice e teve uma sequência direta chamada de Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift, para o Nintendo DS.


Já, para o PSP, foi lançado Final Fantasy Tactics: The War of the Lions que trouxe algumas melhorias do original, principalmente nos gráficos e CGIs, e na sua tradução, pois a versão americana do PSOne tinha muitos erros de tradução, inclusive em nomes de lugares. Este foi lançado também para os dispositivos móveis como Android e IOS.

Final Fantasy Tactics foi uma inovação, trouxe um novo aspecto de jogabilidade aos RPGs da franquia, diferenciais bastante atrativos dando importância ao raciocínio tático de batalhas, indo bem além do simples “farmar” de personagem para ganhar XP.


Com uma história cativante, cheia de reviravoltas, traições e mortes – inclusive de personagens importantes – o jogo foi muito além de um RPG comum. Inteligência tática, saber se programar e preparar personagens para cada batalha, e uma trama shakespeariana, trouxe um patamar único a este jogo, tornando-o um clássico atemporal e divertido de jogar, mesmo após 20 anos de seu lançamento.

Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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