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Análise: Tetris Effect (PS4/PSVR) melhora a experiência do clássico jogo de blocos do arcade

Com a missão de levar a experiência de Tetris a um novo patamar, Tetris Effect consegue trazer uma experiência sólida e divertida.

Tetris (Multi) é até hoje o jogo mais vendido da história. Lançado em 1984 e reproduzido em mais de 20 plataformas diferentes ao longo das décadas, o jogo acumulou uma bagatela de quase meio bilhão de unidades vendidas. Reformular uma mecânica de jogo tão enraizada e tão reproduzida por tantos outros jogos não é uma tarefa fácil. Em desenvolvimento desde 2012, Tetris Effect (PS4/PSVR) conseguiu a proeza de atualizar alguns aspectos da jogabilidade do título e também de trazê-lo para uma experiência mais próxima da atual geração de consoles.


Com modos online, vários níveis e estilos de desafio diferentes combinados com uma boa interação entre jogadores com o ar de competitividade dos arcades, Effect consegue com proeza atualizar a sensação de jogar Tetris. Mas boa parte disso fica por conta também dos excelentes efeitos visuais e músicas que combinam em cheio com tudo que fazemos durante as partidas. Mas uma coisa de cada vez, vamos à nossa análise.

Ainda o bom e velho tetraminó

Tetris Effect não foge em praticamente nada da jogabilidade do game clássico dos arcades e do Atari: o objetivo ainda é empilhar tetraminós que descem a tela de forma a completar linhas horizontais. Para quem nunca jogou nada próximo disso (o que seria bem surpreendente), quando uma linha se forma, ela é desintegrada, abrindo espaço para que as camadas superiores de blocos desçam, acumulando pontos para o jogador.

Porém, a principal forma de perder no jogo é justamente quando você não consegue manter um ritmo contínuo de formação de linhas horizontais, fazendo com que os blocos cheguem até o topo da tela. Tudo isso são mecânicas do jogo de 84 e ainda estão presentes em Tetris Effect, com controles bem afiados e fluidos. Só por aí, os amantes do game clássico já podem se animar, pois a espinha dorsal da experiência é a mesma de sempre. Entretanto, isso poderia também afastar alguns jogadores.



Mas foi pensando nisso que Enhance Inc. pensou em modos de atrair os jogadores da atualidade para o título. É preciso dizer que os métodos funcionam, tornando a jogatina que já era viciante nos anos 80 e 90 ainda mais desafiadora e viciante nos moldes de Effect.

Novos modos de jogar Tetris

Para começar, temos agora dois grandes modos de jogo. O primeiro é chamado de Journey Mode e se assemelha bastante a um game de fases, com vários “mundos” e diversos mapas diferentes para serem conquistados. Entretanto, tudo aqui gira em torno do blocos. O bacana desse modo é justamente a progressão tanto da dificuldade e velocidade de jogo como também das músicas e efeitos visuais.


Cada fase tem uma temática totalmente diferente, que serve para manter o ritmo das partidas mas são também um show a parte em efeitos visuais, sincronia sonora e excelentes e animadoras músicas. Tetris ainda é Tetris aqui, porém, os estímulos visuais, auditivos e até táteis que temos são muito superiores a tudo que já experimentamos antes relacionado ao clássico jogo de bloquinhos.

Além desse modo de jornada, temos também os Effect Modes. Estes são modos de jogo voltados para a competitividade online. Primeiramente, é importante dizer que para seu escore ser contabilizado e você ter acesso aos pontos dos diversos jogadores mundo afora, não é preciso uma conta Plus da PSN. Tudo funciona tranquilamente sem pagar pelo serviço online do PS4.



Esses modos são os mais interessantes, principalmente por terem uma variação de jogabilidade bem considerável, com desafios, tarefas específicas a serem cumpridas, desafios de eventos semanais a serem completados em conjunto por toda a comunidade de jogadores ao redor do globo e muito mais. Jogar estes modos, inclusive, serve de ótimo método de treinamento para as fases mais difíceis do Journey Mode

Tetris na realidade virtual funciona!

Tetris Effect pode ser jogador por qualquer um com um PS4. Entretanto, existem alguns fatores que complementam tanto a imersão quanto a completude da experiência que o jogo propõe. Um dos fatores mais gritantes é o PlayStation VR. O óculos de realidade virtual do PS4 foi muito bem aproveitado para o título, que possui portabilidade completa para o periférico. Além disso, os efeitos visuais que enchem a tela com luzes e cores de tirar o fôlego são muito mais impactantes utilizando o VR.



Além disso, outro ponto importante para aumentar a imersão é fazer uso de um bom headset. O próprio jogo ao ser iniciado recomenda o uso do utensílio, seja na versão em realidade virtual ou na tradicional. Talvez a recomendação de tantos periféricos para apreciar o jogo em sua totalidade seja algo um tanto problemático, principalmente para quem não pode utilizá-los, mas o jogo se torna muito mais interessante desse modo. 

A completude de som e imagem vem pelo tato. Isso porque os efeitos de vibração do Dualshock 4 foram muito bem aproveitados de modo sincronizado com a batida das músicas, uso de habilidades especiais e sinalizador de contagem regressiva. Juntando tantos estímulos diferentes, muitos podem não compreender como isso tudo funciona tão bem com um jogo de arcade tão “batido”. Mas o incrível é que funciona, trazendo de fato a experiência de Tetris para um novo patamar de tecnologia.


Colecionáveis, troféus e desafios

Outra das inovações de Tetris Effect são alguns conteúdos extras bem diferentes de tudo que já vimos no clássico game. Para começar, o layout do modo Effect é sem igual, com um globo terrestre mostrando pontos luminosos com os locais onde os jogadores cadastrados marcaram ser sua origem. Aqui precisamos de um comentário a parte: o Japão inteiro é uma fonte luminosa sem comparação com o resto do mundo. 

Além disso, podemos escolher avatares luminosos para nos representar ao redor desse globo. Estes são liberados completando desafios semanais, concluindo o modo Journey ou simplesmente progredindo no sistema de níveis criado para Tetris Effect. Aqui, cada partida que jogamos, independente do modo, gera pontos de experiência que nos dá acesso a conquistas, novos avatares luminosos e, claro, troféus.



O bacana desse conteúdo não é sua inovação, até porque hoje em dia é muito comum esses modos de incentivar o jogador a continuar jogando. Porém, foram muito bem encaixados com a proposta de Tetris, sem afetar demais o jogo. Aqueles ávidos por platinas podem gastar bastante tempo tentando fazer tudo que Tetris Effect propõe.

Novas formas de desafiar

Tetris Effect funciona quase como um compilado de tudo que Tetris e seus paralelos fizeram, mas vai além de tudo isso. No jogo temos várias mecânicas diferenciadas e contextuais, que encaixam muito bem em cada fase e ajudam a tornar a experiência ainda mais dinâmica, fugindo da repetição maçante que o clássico jogo dos bloquinhos pode representar num contexto de jogos cinematográficos, com mundos abertos infindáveis e muito mais.



Durante a jogatina, me deparei com fases nas quais simplesmente completar as linhas horizontais não era o objetivo. Umas tinham desafios de tempo, outras, tinham alvos os quais precisavam ser desintegrados o mais rápido possível. E isso falando só de objetivos. Muitas outras fases tinham elementos que serviam para atrapalhar de alguma forma o jogador, deixando o desafio ainda mais tenso.

Fases onde os blocos já montados mudavam de tempos em tempos, novos blocos eram introduzidos após algumas rodadas e até uma na qual toda a tela do jogo ficava espelhada e de cabeça para baixo! Tudo isso dá muito “pano para manga” para que jogadores ávidos por excelência possam gastar horas a fio tentando alcançar a maestria de Tetris.


Um show de efeitos e desafios

Tetris Effect não é um jogo totalmente inovador, criador de tendências e revolucionário em sua proposta. Porém isso não faz dele também um jogo medíocre. Na verdade, o título é muito competente naquilo que se propôs: recriar a experiência de jogar Tetris em moldes mais modernos. O objetivo foi mais que cumprido, com ótimas mecânicas, sistema online interessante e, principalmente, estímulos visuais, sonoros e táteis de primeira.

Entretanto, o preço cobrado pelo jogo precisa ser levado em conta aqui. Primeiramente por se tratar de um jogo o qual só pode se apreciado em sua totalidade com periféricos consideravelmente caros, como um bom headset com equalizador e um PSVR. Junto a isso, some o valor salgado de lançamento do jogo e temos um título muito interessante, mas com um preço um pouco aquém do esperado para uma nova versão de Tetris em pleno 2018.


Prós

  • Refinamento da jogabilidade clássica;
  • Novas mecânicas que dinamizam a experiência;
  • Efeitos visuais excelentes estimulam a jogatina;
  • Músicas sincronizadas com comandos do jogador aumentam a imersão;
  • Efeitos vibratórios no controle conversam muito bem com os outros estímulos;
  • Trilha sonora fantástica;
  • Modos de jogo dinâmicos e criativos;
  • Colecionáveis e desafios semanais podem motivar engajamento.

Contras

  • Experiência não é completa sem headset e PSVR;
  • Preço não condiz com longevidade do título;
  • Ainda pode ser visto como o “velho Tetris de sempre”.
Tetris Effect — PS4/PSVR — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4 e PSVR
Análise produzida com cópia digital cedida pela Enhance, Inc.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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