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Análise: Death Mark (Multi) é um interessante experimento de horror

Jogo de terror desenvolvido pela Experience combina estilos diferentes de gameplay de forma incomum.


Desenvolvido pela Experience (Ray Gigant), Death Mark é um jogo de terror curioso. Combinando elementos de point-and-click e exploração de dungeons, o jogo apresenta uma experiência de terror incomum.

Marcados para morrer


Na cidade H da região metropolitana de Tóquio, uma lenda urbana tem sido muito comentada. Dizem os rumores que uma sinistra marca no formato de mordida tem aparecido misteriosamente no corpo das pessoas e quem é pego por essa maldição acaba sofrendo uma morte horrível.

Na pele de um protagonista sem memórias, o jogador se vê diante da mansão Kujou, onde uma famosa paranormal chamada Saya vive. Lá ele descobre que a marca consome as memórias de suas vítimas pouco a pouco e que, para derrotar a maldição é necessário enfrentar o espírito que a causou.

Determinado a sobreviver e desvendar seu passado, o protagonista se alia a outras vítimas da marca e começa a investigar as lendas urbanas da cidade H.

Investigando a maldição


No decorrer do jogo, é necessário explorar os locais associados às lendas urbanas em busca de pistas sobre as causas da maldição. Para fazer isso, o jogador sempre conta com um parceiro à sua escolha e, conforme a história avança, novos personagens com a marca aparecem, cada um com suas peculiaridades e habilidades próprias.

De forma geral, a escolha de parceiro altera pouco a exploração dos ambientes, mas há alguns raros momentos em que é fundamental estar com um personagem específico para prosseguir. Normalmente a necessidade de trocar de personagem é bem clara, mas há um momento em particular no final que foge a essa regra de forma bastante inconveniente.

Quanto aos locais a serem explorados, a ambientação escura, iluminada com o auxílio de uma pequena lanterna, e o bom uso de efeitos sonoros auxiliam bastante na sensação imersiva de terror. Em alguns momentos também é possível ver vultos que aparecem e desaparecem na tela, uma forma adequada de causar medo enquanto o jogador vasculha as novas áreas.


Durante a exploração point-and-click, o jogador encontra vários itens que são necessários para avançar. Há também situações de perigo em que o jogador deve escolher a melhor forma de agir entre algumas opções. Essas escolhas possuem uma restrição de tempo e podem ser fatais, levando à perda de Soul Power (energia do protagonista que ao atingir 0 leva à sua morte) ou a mortes instantâneas.

Esses momentos de decisão são bastante interessantes e um ponto forte do jogo. Há usualmente alguma dica para as respostas em itens ou através de uma voz enigmática que auxilia o protagonista. Houve também um cuidado de oferecer no Game Over a opção de retornar ao início dessa interação, evitando que o jogador tenha que restaurar um save anterior e explorar novamente o ambiente por ter escolhido uma opção fatal.

Confronto direto


Ao final da exploração, tendo obtido todos os itens da área e enfrentado todas as situações de perigo, o jogador se vê em uma batalha espiritual. Nesse momento, o jogo se assemelha a um RPG. A cada rodada, o jogador precisa escolher o item que utilizará para tentar sobreviver e atacar o espírito.

A disponibilidade das ações depende da área de efeito dos itens, ou seja, não é possível usar uma arma de curta distância quando o inimigo está afastado. No entanto, a diferença em relação a um RPG de fato é bastante clara: escolher o item errado implica numa morte imediata. A batalha é na verdade um puzzle que exige do jogador escolhas precisas para sobreviver. O que se espera do jogador é tentativa e erro, não estratégia.

No entanto, há ao final desse caminho duas possibilidades: matar ou salvar o espírito. O último item escolhido define a abordagem do jogador. No primeiro caso, o jogador utiliza uma arma que aniquila o espírito, mas não a maldição, levando a eventos nada agradáveis, para dizer o mínimo. Mas também é possível acabar com a maldição sem efeitos colaterais, utilizando um item adequado. Através de pequenos textos, o jogo apresenta pistas de qual item é esse, além de explicar bem as motivações do espírito.

Infelizmente a estrutura narrativa é muito repetitiva. Para evitar spoilers, restrinjo-me a dizer que cada investigação tem o mesmo desenvolvimento geral, o que acaba enfraquecendo o peso dramático dos eventos.

Um experimento interessante


Death Mark é um experimento interessante de terror que combina estilos diferentes de gameplay. Apesar da estrutura repetitiva enfraquecer a narrativa ao longo do tempo, recomendo com certeza o jogo para os fãs do gênero.

Prós

  • Arte bastante detalhada;
  • As histórias dos espíritos são bem interessantes;
  • Em particular, o encerramento verdadeiro amarra muito bem a história;
  • Ambientação sombria bem construída;
  • O gameplay é uma combinação incomum.

Contras

  • Estrutura narrativa formulaica enfraquece o drama;
  • Enfrentar os espíritos envolve apenas tentativa e erro, não sendo possível criar sua própria estratégia;
  • Há um momento do último capítulo que não pode ser resolvido com um parceiro específico, apesar do jogo não deixar isso claro.
Death Mark – PS4/PS Vita/Switch – Nota: 8
Versão utilizada para análise: PS Vita
 Análise produzida com cópia adquirida pelo próprio redator
Ivanir Ignacchitti é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não esteja com um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.

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