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Análise: Megalith (PSVR) é um tímido e divertido MOBA para a realidade virtual

O novo MOBA da Disruptive Games Inc. é simples e divertido. Mas a pouca variedade de elementos acaba sendo aliada da repetição.

Mesmo que a realidade virtual tenha chegado como uma plataforma de nicho no mundo dos games, já podemos considerá-la estabelecida o suficiente para atrair cada vez mais jogos para o seu formato. Agora foi a vez do gênero MOBA dar as caras nesse mundo com o exclusivo Megalith (PSVR). O game da Disruptive Games Inc. é muito divertido e principalmente, confortável de jogar, o que mostra como é possível utilizar de forma primorosa a RV.


Porém, quando olhamos para os aspectos de MOBA do título, alguns elementos ficam um pouco a desejar. Assim como algumas soluções dos algoritmos de servidores, que não são muito interessantes para o formato já conhecido de MOBAs do mercado. Mas vamos falar de tudo com mais calma nessa análise completa do jogo.

Batalha de titãs

Em Megalith nós encarnamos um dos chamados Titãs, os heróis do jogo. Estes são em sua maioria atiradores que usam seu enorme tamanho e poder de fogo para competir com os demais titãs para se tornar um deus completo. Assim, a atmosfera do jogo gira em torno de mundos antigos e referências a várias mitologias, mas tudo de forma indireta. Então nada de ver Odin, Hércules ou Susano no jogo.

Mesmo que ele seja um Multiplayer Online Battle Arena, existem algumas discrepâncias entre Megalith e as convenções já de praxe do gênero. Por exemplo, as batalhas aqui não são de 5 contra 5, mas sim de 2 contra 2 apenas. Isso não chega a ser um ponto negativo do jogo, nas verdade, é bem proveitoso. Como é um MOBA pago exclusivo para PSVR, espera-se que seu público seja bem limitado. Assim, esperar por partidas com 10 jogadores poderia ser bem problemático.


Outro elemento ausente em Megalith são os itens para personalização do seu personagem. Estes sim fazem um pouco de falta durante a jogatina. Principalmente por diminuir drasticamente as possibilidades de estratégia com os personagens, deixando os heróis mais unidimensionais, o que não é tão interessante para um MOBA.

Arena pequena, mas eficiente

Outro ponto chamativo em Megalith é o tamanho da sua arena. Como o jogo é em primeira pessoa e com apenas dois jogadores em cada time, era de se esperar que o campo de batalha fosse bem menor do que outros jogos do gênero apresentam por aí. Porém, mesmo que isso incomode inicialmente, rapidamente nos acostumamos com as dimensões do campo de batalha, possibilitando estratégias interessantes.


Todo o ambiente da arena possui alguns obstáculos que podem ser destruídos com as habilidades dos personagens, como muros, pilares e bordas de paredes. Isso deixa o gameplay diferenciado e bem interessante, aumentando algumas possibilidades de ação e deixando a experiência ainda mais imersiva.

Fora isso, algumas convenções dos MOBAs ainda estão presentes, como os minions que caminham em direção à base inimiga; as torres de defesa, que precisam ser destruídas para avançar; e o cristal principal da base, que é o objetivo final dos times. Como inovação nesses elementos, temos também um inibidor que, ao ser destruído, invoca uma espécie de Mini-boss ou Super Minion que tem bastante vida e derruba torres com extrema facilidade. 


Esse recurso é um diferencial bacana de Megalith, mas ainda está bem desbalanceado. Sendo bem difícil impedir a destruição da base quando um desses super monstros é invocado. Caso um jogador faça um backdoor (movimento de passar direto dos minions para chegar até a base inimiga) e consiga invocar esse monstro, ele pode conseguir destruir toda uma base sozinho antes dos jogadores do outro time conseguirem voltar para defender.

Partidas dinâmicas e comandos fáceis

A ausência de itens e maiores complexidades estratégicas tem seu ponto negativo, mas também garantem alguns aspectos bem positivos para Megalith. Um deles é a praticidade dos comandos. Andar, usar habilidades, desviar do inimigo, mirar e atirar são comandos muito fáceis e rápidos de aprender no jogo. Isso somado com opções interessantes de configuração da realidade virtual deixam a experiência de jogo muito confortável.



As configurações de câmera, inclusive, bem semelhantes às de Skyrim VR (PC/PSVR) e Doom VFR (PC/PSVR), diminuem bastante a possibilidade de cinetose (enjoo por movimento). Junto a isso, as cores e visuais do jogo são bem agradáveis e vivos, deixando a experiência mais divertida. O mais interessante de todos esses elementos em conjunto é o conforto de se jogar por várias horas sem pausa, o que é algo mais difícil de ocorrer na realidade virtual.

Entretanto, mesmo com toda essa facilidade e conforto, ainda é sentida a falta de um tutorial claro e bem explicado sobre as funções de cada botão, movimentação pelo campo e diferenças entre cada personagem. Mesmo com uma opção de treino presente, um tutorial para explicar como o jogo funciona seria bem interessante, principalmente antes de lançar o jogador diretamente em partidas online não balanceadas.

Problemas de variedade e balanceamento

Aqui temos os dois maiores problemas encontrados em Megalith. Para início de conversa, até o momento existem somente seis personagens jogáveis, sendo cinco liberados para todos e um desbloqueável com os créditos obtidos por partidas. Já temos também o esquema de skins nesse mesmo modelo. Entretanto, essa variação é muito pequena mesmo para o início de um MOBA.

Quando observamos as funções de cada personagem, temos apenas um tank, três DPS (personagens focados em dano), dois suportes de combate (com habilidades que param os oponentes) e nenhum curador. Isso deixa os times pouco diversificados e com partidas quase repetitivas.



Como se não bastasse esses problemas, ainda temos um grave defeito de desbalanceamento entre personagens. Algumas figuras como Cipher e Thor são bem complexos de se jogar e fáceis de serem mortos. Já outros, como Aurora possuem habilidades com muito dano e alcance, fazendo com que os times com esse personagem quase sempre saiam vitoriosos.

Conteúdo extra para guiar a jogatina

Megalith inova também com alguns elementos fora das partidas que agregam à experiência e guiam um pouco mais o gameplay, para que as jogatinas não sejam simplesmente despretensiosas e desinteressantes. O aspecto que mais cumpre essa função são as missões próprias para cada personagem. Com cada herói que jogamos temos um grupo de missões a cumprir que gera um bônus de créditos interessante. 


Essas missões vão desde sobreviver a ataques inimigos até destruir um número específico de torres ou minions inimigos. Isso agrega um pouco mais de objetivo para o jogo fora das partidas e motiva a permanência do jogador ali. Entretanto, outros aspectos ausentes vão na contra mão destes, como a ausência de nível na sua conta, ausência de partidas ranqueadas e falta de nivelamento dos times.

Fora isso, dentro do jogo também temos as medalhas por participação na partida. Assim, podemos ganhar medalhas de ouro, prata ou bronze dependendo da quantidade de dano que infligimos durante a partida, quantidade de vezes que conseguimos ressuscitar um aliado, quantidade de torres destruídas e por aí vai. Isso além dos tradicionais escores de mortes, derrotas e assistências. Fazendo com que a noção de aproveitamento de cada partida seja mais detalhado.

Servidor estável, mas algorítmos ruins

Um ponto muito elogiável de Megalith é o seu servidor. Com partidas online de quatro jogadores com uso de habilidades, destruição de cenário e uso de realidade virtual, era de se esperar alguns problemas simples de servidor como lags e delays. Entretanto, mesmo com algumas boas horas de jogatina, raras foram as vezes que passe por qualquer momento problemas de conexão em minhas partidas.

Além disso, como não existe um chat de texto no jogo, a comunicação por voz é muito facilitada, deixando a experiência ainda mais imersiva e divertida. E, de novo, sem nenhum prejuízo de conexão por conta disso. Como estamos falando aqui de um jogo online de partidas rápidas, é essencial que o servidor dê conta de segurar a partida ao ponto de manter a experiência divertida. E isso Megalith consegue com muita proeza.


Entretanto, quando vamos falar dos algoritmos de seleção de times, temos algumas escolhas bem complicadas que podem acabar atrapalhando a diversão. A principal delas é o fato de jogadores aleatórios poderem entrar na partida após um dos integrantes de um dos times terem saído, desconectado ou algo parecido.

O principal problema disso é o fato deste novo jogador poder entrar a qualquer momento da partida e também poder usar qualquer outro personagem. Pense na visão de quem está no outro time: você está jogando contra dois personagens, está lidando bem contra eles, sabe como fugir de cada um e manteve uma estratégia funcional que lhe deu vantagem durante boa parte do jogo. Daí, vendo a derrota iminente, um dos jogadores desiste da partida e um novo jogador entra, com um personagem completamente diferente, o que bagunça toda a sua estratégia e pode, inclusive, fazer o jogo virar.


O complicado desse sistema é que o jogo acaba punindo os jogadores que estão ganhando a partida com folga, colocando novos jogadores sem nivelamento e nem se quer respeitando os personagens que tinham sido escolhidos para aquela partida. Esse, sem dúvidas, é o pior defeito de Megalith.

Pequeno, porém divertido

Mesmo com diversos problemas de execução, o saldo final de Megalith (PSVR) ainda é bem positivo. Isso porque espera-se que boa parte dos problemas citados neste texto sejam simplesmente eliminados com futuras atualizações do jogo. Como estamos falando aqui de um game focado em partidas multiplayer em arena, é de se esperar que a Disruptive Games Inc. mantenha um ritmo interessante de atualizações no jogo. Principalmente no que tange o lançamento de novos personagens e o balanceamento deles.



Além disso, o que temos aqui é uma experiência de MOBA para a realidade virtual bem criativa e imersiva, com muito potencial para crescer. Megalith consegue divertir e ocupar bem o tempo do jogador, com um visual agradável, ótimos controles e servidores estáveis. Só nos resta de fato esperar que seus desenvolvedores mantenham o compromisso de melhorar cada vez mais o game, como ocorre com a maioria dos MOBAs da atualidade.

Prós

  • Partidas rápidas e dinâmicas;
  • Muito confortável de jogar;
  • Comandos fáceis de se adaptar;
  • Missões por personagem dão mais objetivos para seu perfil de jogo;
  • Medalhas por partida melhoram a noção de aproveitamento da partida;
  • Visual colorido e bem agradável aos olhos;
  • Variações de configurações de movimentação diminui chance de cinetose;
  • Possibilidade de atualizações com novidades interessantes;
  • Comunicação por chat de voz facilitada.

Contras

  • Personagens ainda desbalanceados;
  • Pouquíssimos personagens para um MOBA;
  • Possibilidade de novos jogadores entrarem durante a partida pode ser punitivo;
  • Falta de um tutorial bem formulado é um problema;
  • Ausência de modos de personalização como itens diminui a estratégia.

Megalith — PSVR — Nota: 6.5

Matéria produzida com cópia digital cedida pela Disruptive Games Inc.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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