Discussão

O futuro do PS Vita continua incerto?

Sim, eu voltei. Sempre que há alguma conferência da Sony, acabo fazendo uma matéria não muito otimista sobre o PlayStation Vita . E adiv... (por Rayner Lacerda em 23/08/2013, via PlayStation Blast)


Sim, eu voltei. Sempre que há alguma conferência da Sony, acabo fazendo uma matéria não muito otimista sobre o PlayStation Vita. E adivinhem só, dessa vez não é muito diferente. É óbvio que temos algumas boas notícias, mas dentro do contexto geral, elas não parecem tão animadoras assim.


Eu amo videogames, não preciso explicar isso. Mas o amor às vezes nos torna cegos. Talvez seja por isso que muitos não gostem das abordagens que faço. Nunca escondi que sou um grande fã da Sony (tive todos os consoles), mas também sempre me mostrei cético - com relação a esse novo portátil da empresa – apesar de nutrir esperanças.


Isso tem dois lados, obviamente, mas acontece que o ruim sempre acaba predominando. Sabem por quê? É simples, antes de ser colunista, eu também sou um fã de games. E acreditem, não é fácil separar alguns sentimentos na hora de escrever certas matérias. Porém, apesar do turbilhão de emoções, sempre procurei analisar friamente os acontecimentos. E é por isso que minha posição em relação ao Vita não mudou, e vou mostrar para vocês o motivo.

Antes de tudo, vale lembrar que eu tive alguns momentos de euforia e esperança. O maior deles foi quando anunciaram a tardia redução de preço tanto para o portátil como para seus abusivos cartões de memória. Foi um belo jeito de começar, dando a entender que tudo seria lindo. Pena  que foram apenas momentos...

Promessas, promessas...

Poucos dias depois de uma decepcionante conferência na E3– decepcionante para os donos do Vita, é claro –, a Sony prometeu mundos e fundos para a Gamescom, o grande evento de games que acontece na Europa. Um de seus representantes diretos chegou inclusive a divulgar que a conferência seria totalmente dedicada ao portátil.



Óbvio, claro e evidente que isso não era verdade. Não acho que alguém foi ingênuo o suficiente para acreditar inteiramente nisso. Tudo não passou de um “sossega leão” para acalmar alguns poucos donos exaltados. Até aí tudo bem, negócios são negócios e é preciso saber jogar o jogo. O problema é que a empresa continua deixando a desejar.

Vejam bem, a Sony realmente dedicou algum tempo para o Vita. Poderia ter sido maior, é claro, mas esses poucos minutos foram reveladores para mostrar que a empresa simplesmente não sabe o que fazer com o portátil. Ao menos para mim, isso ficou evidente, mas vamos por partes.

Pequenos grandes títulos

Quem lê minhas matérias sobre o Vita, sejam análises de jogos ou especiais, sabe que eu sempre bato na mesma tecla: a falta de jogos. Isso é um fato incontestável, ao menos para os jogadores ocidentais. Na primeira e na segunda matéria dedicada ao portátil, falei sobre a importância da indústria indie e de como ela poderia tirar o Vita do sufoco.

Quem assistiu a conferência, sabe que as coisas vão um pouco por esse caminho. Desde o primeiro momento até os minutos finais, vimos uma verdadeira avalanche de jogos indie. E isso é muito bom, pois é prova de que ao menos algumas produtoras mostram interesse no portátil da Sony.

Fiquei absolutamente fascinado com Murasaki Baby. O layout e a jogabilidade parecem fantásticos e creio que o título tem tudo para ser um sucesso. O que dizer então de Big Fest ? Com uma ideia completamente original e que dá oportunidade de muitas bandas serem conhecidas. Esses são dois exemplos de jogos imperdíveis, mostrando que os indie realmente tem um grande espaço.

E... foi só isso. Após mostrar um extenso trailer com diversos jogos, onde produtores falam sobre a experiência de desenvolver os indie para o portátil, o tema da pauta foi alterado e começou a focar no Playstation 4. Não sei se vocês perceberam, mas temos um problema bem grande aqui.


Alguém pode, por favor, me dizer onde estão os grandes títulos? Fora o “novíssimo” Boderlands 2, não tivemos sequer o anúncio de um AAA. Se uma pessoa que nunca ouviu falar do Vita estivesse assistindo a conferência, ela pensaria: “legal, um portátil só dedicado aos indie!”.

Vejam bem, eu não estou, de maneira alguma, desqualificando os indie ao fazer esse tipo de abordagem. Nós sabemos muito bem o quanto esses jogos independentes podem ser incríveis. Mas o foco da conferência e a falta de um grande anúncio são a prova literal de que as produtoras não querem se arriscar com o portátil, e isso inclui a própria Sony.

Mas é óbvio que elas não querem se arriscar. Afinal, o produto não está vendendo. E é nesse pensamento que as produtoras estão se baseando, o que é muito perigoso e corre o risco de se transformar em um círculo vicioso. É simples: “vamos esperar agora que o preço abaixou, para ver como o mercado reage e aí sim poderemos lançar novos e grandes títulos”. O problema é que o portátil não vende muito bem justamente por causa dessa escassez, entendem?

Quem precisa de um novo título? Temos Bundles antigos!
Ao invés de anunciarem o desenvolvimento de novos títulos, o que foi feito? Simplesmente anunciaram trocentos bundles com títulos antigos. Uma clara demonstração de quem subestima o seu próprio público. Querida Sony, se esses mesmos jogos não fizeram o portátil vender antes, porque diabos você acha que vão fazer agora?

Se a empresa tivesse anunciado a redução de preço com um grande título AAA, ela estaria dando mais um motivo para os consumidores darem uma chance ao Vita. Imaginem se tivessem anunciado um novo God of War, Infamous ou qualquer outro exclusivo? Seria um grande impulso e uma saída de mestre para essa crise. O que me preocupa é o porquê dela não ter feito isso.

Na sombra de um gigante

Lembram do que eu disse no início da matéria sobre a Sony não saber o que fazer com o portátil? Pois é, isso ficou bastante óbvio para mim no momento em que ela começou a falar do uso em conjunto do Vita com o PlayStation 4. Tudo muito bonito, com aquele bla bla blá todo de que a interação entre os dois produtos vai ser uma experiência sensacional e inovadora para os fãs.

Não sei vocês, mas tudo o que eu vi ali foi um Off-TV Play, semelhante ao que a Nintendo usa com o Wii U. Antes de me apedrejarem, não estou dizendo que fulano copiou beltrano, mas sim que isso não é novidade. Afinal, já era algo possível de forma limitada no PS3. Talvez, num futuro próximo, se começarem a usar o recurso de forma mais criativa, isso possa sim ser algo divertido.

Mas o problema não é esse, e sim a aflição que me deu ao ver a Sony apresentando o portátil daquele jeito. Ficou tão com cara de: “Olha, nós não estamos muito afim de investir nesse troço, mas você pode comprar ele para poder jogar seus títulos incríveis de PS4 enquanto seus pais usam a TV”.

Isso me fez refletir se a Sony quer realmente um portátil ou apenas um periférico para o mais novo console. Algo me diz que ela não está muito animada para comprar briga no mercado e consertar suas más escolhas. Sabe aquela estratégia meia boca, do tipo “vamos só diminuir o preço e ver no que vai dar?” Tive essa impressão.

Não, ele ainda não imprime dinheiro.
Volto a usar o bom exemplo do 3DS. A Nintendo não só diminuiu o preço do portátil, como lançou uma leva grande de jogos do bigodudo para alavancar as vendas. Isso porque ela entende que o hardware não vende por magia, é preciso jogos atraentes que convençam os consumidores. O resultado desse tipo de escolha pode ser conferido toda semana nas vendas astronômicas que ela obtém.

Querem saber minha opinião? A Sony está esperando para ver como o público vai reagir à queda de preço para só então agir. Se mesmo com a redução de preço o portátil ainda continuar encalhado, a gigante japonesa pode muito bem repensar suas estratégias e fazer uma nova abordagem focando apenas na interação entre os aparelhos. Mas sem grandes títulos, o futuro pode não ser muito animador.

Se tudo der errado, temos aí o PS4 e os seus dois controles.
Assim, o Vita seria um portátil para jogar alguns indie e um ou dois grandes lançamentos, mas tendo como principal função servir de acessório para a mais nova estrelinha da Sony. Não preciso nem dizer que isso será uma das maiores burradas da história, provado apenas a incompetência da empresa, que não soube aproveitar a mina de ouro que teve em mãos.

Mas isso é pura especulação negativa, vamos nos livrar desse pensamento. O fato é que a Sony precisa decidir se vai entrar de cabeça ou não na briga, por enquanto eu só vi o pé esquerdo.

Eu ainda acredito!

Ok. Mas e aí, o Vita foi pro limbo de vez? Sinceramente, eu ainda acho que não. A Sony ao menos mostrou que está com um olho aberto, só falta abrir o outro e talvez tenhamos uma séria chance de recuperação. O primeiro passo já foi dado: abaixar o preço astronômico do portátil. Mas aí entra novamente uma falta de planejamento e senso de mercado. Abaixar o Vita para 199 Obamas e, no mesmo instante, anunciar um PS3 com o mesmo preço é, no mínimo, estranho.

Oras, quem ainda não tem o console da Sony, vai aproveitar essa chance para por as mãos em uma extensa e divertida lineup, deixando o portátil em segundo plano novamente. Se for para entrar na briga, que faça direito! Para mim, o preço deveria ir para 150 doletas. Sim, um amargo prejuízo, mas não tem como recuperar algo que está no buraco sem se atolar. Ao menos é isso o que uma empresa preocupada com o seu produto e principalmente com os fãs deveria pensar.

Também preciso de grandes e exclusivos títulos
De toda forma, a minha parte fã fala mais alto. Eu ainda acredito no Vita! Simplesmente me recuso a aceitar que um portátil tão incrível quanto ele esteja fadado ao fracasso por uma tremenda falta de maturidade da empresa. É como eu disse, as oportunidades estão todas aí. Por favor, Sony, mostre o quanto eu estou errado em te criticar e cale a boca de todos transformando o Vita em uma grande plataforma. Ele não merece menos que isso.

E você, caro leitor, o que acha dessa situação? Assim como eu, continua dando um voto de confiança para o portátil ou já desistiu de vez? Compartilhe sua opinião com a gente.

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Vitor Nascimento
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

Comentários

Google+
Disqus
Facebook