Blast from the Past

Relembre a primeira aparição de Sly e sua turma em Sly Cooper and the Thievius Raccoonus (PS2)

Desde o nascimento da marca PlayStation, em 1995, a Sony se esforça para emplacar um mascote que possa bater de frente com Mario, Sonic... (por Gabriel Vlatkovic em 18/08/2013, via PlayStation Blast)


Desde o nascimento da marca PlayStation, em 1995, a Sony se esforça para emplacar um mascote que possa bater de frente com Mario, Sonic  e outros tantos que são muito populares no mundo dos videogames. Apesar de ter conseguido bons resultados com Crash, na era PlayStation, a franquia logo deixou de ser exclusividade do console, o que acabou com todas as expectativas da empresa em consolidar o personagem como símbolo de sua plataforma. Na geração seguinte, em parceria com suas empresas Second Party, a Sony apresentou ao mundo uma série de novos personagens, na esperança de que algum emplacasse. Dentre os personagens, três se destacam: Jak, Ratchet e Sly Cooper, criados pela Naughty Dog (Uncharted), Insomniac (Resistance) e Sucker Punch (Infamous), respectivamente. Divertidos e carismáticos, os personagens elevaram o nível das franquias desenvolvidas por estúdios parceiros da Sony a um novo patamar, e colaboraram para compor a fantástica biblioteca de jogos que tornou o console o mais popular de sua época.


Dentre as três franquias, facilmente a mais peculiar é Sly. Protagonizado por um guaxinim homônimo, o jogo de aventura fez sua estreia em 2002 com Sly Cooper and the Thievius Raccoonus.  O jogo contava a história de Sly e seus amigos, que partem em uma jornada em busca do Thievius Raccoonus, um livro que pertencia ao pai do guaxinim e ensinava diversas técnicas essenciais para todo bom ladrão. A jogabilidade misturava elementos consagrados de títulos de plataforma com stealth no melhor estilo Splinter Cell.

Em busca do passado

Aprenda como roubar com classe!
O pai de Sly era um dos ladrões mais respeitados da comunidade. Grande profissional, sr. Cooper decidiu registrar todas as suas técnicas avançadas escrevendo um livro detalhando cada uma delas. Com informações preciosas, o material, que deveria pertencer à linhagem dos Cooper foi roubado pelos Fiendish Five, cinco bandidões liderados por Clockwerk, um robô com feições de coruja responsável pela morte do pai de Sly. No comando do guaxinim, você deveria recuperar o livro, que foi dividido em cinco partes, e de quebra derrotar toda a gangue de inimigos dando um fim aos seus planos diabólicos.

Mas é claro que o ladrão não estava sozinho! Durante a aventura, Sly conta com a ajuda de seus amigos Murray, um hipopótamo com muita força física e habilidades de mecânico, e Bentley, uma tartaruga capaz de hackear os mais protegidos sistemas de segurança. Juntos, eles eram capazes de invadir e saquear os esconderijos dos vilões antes que eles sequer notassem que algo estava acontecendo.

Sly e seus amigos Murray e Bentley
Mesmo com tantas habilidades e recursos, a vida de ladrão não é nada fácil, e Sly ainda devia ser preocupar em escapar de Carmelita Fox, uma raposa investigadora da Interpol que desejava capturar o guaxinim a todo custo. Galanteador, Sly consegue criar um hibrido de amor e ódio na garota, que apesar de perseguir os ladrões por todos os cantos do mundo, sente grande atração pelo guaxinim, que se aproveita da situação para se livrar de todo tipo de encrenca em que se mete.

Mario encontra Splinter Cell

Sly Cooper and the Thievius Raccoonus é dividido em cinco grandes áreas que se ramificam em pequenos estágios. Em cada um deles, o trio de heróis deve completar um plano milimetricamente arquitetado para avançar para a próxima área. As missões envolviam quebra-cabeças bem bolados, coleta de itens e exigiam muita discrição por parte do jogador, estimulando-o a adotar um estilo mais stealth em suas partidas. Os cenários eram amplos e possuíam diversas rotas diferentes que levavam até os objetivos. Além disso, existiam guardas por toda a parte e um simples golpe deles era capaz de derrotar o guaxinim.

Snake, é você?
Apesar de soar um pouco complicado, o pessoal da Sucker Punch desenvolveu controles precisos e um leque de movimentos e truques capazes de deixar muito encanador de cabelos em pé. Controlar Sly era um deleite. O personagem era capaz de saltar, se pendurar em beiradas, andar sobre fios e ainda podia executar vários outros movimentos stealth, tudo com comandos simples e acessíveis. Cada área era finalizada com um chefe e cada um deles era derrotado de forma diferente, algo que exigia que o jogador pensasse melhor suas ações antes de sair atacando. As batalhas eram extremamente divertidas e, certamente, o ponto alto do jogo.

Sly se enfiava em qualquer lugar para conseguir o que queria...
Para os que gostam de colecionáveis, as fases ainda contavam com diversas garrafas espalhadas por todos os cantos que, quando coletadas, liberavam tesouros que concediam novas habilidades a Sly. Apesar de muito fáceis de serem encontradas, era muito divertido procurá-las enquanto se avançava pela fase driblando os inteligentes inimigos que faziam a guarda do local.

Jogo com cara de desenho animado

A primeira coisa que chamava a atenção no título era a excelente utilização do filtro cel-shaded, que dá uma cara de desenho animado aos jogos. Naquela época, o estilo começava a se disseminar e era um grande atrativo dos consoles daquela geração pelo ar de novidade e modernidade que ele passava. Mas Sly conseguiu ir além! Com personagens brilhantemente animados e dublados, jogar o título era quase como assistir a um episódio de alguma série de animação de qualidade. O carisma de Sly e seus amigos, o jeito caricato dos inimigos e os diálogos, brilhantemente escritos, davam um tom de descontração que se somava a um enorme grau de imersão, resultando em algo que poucos jogos de plataforma conseguem reproduzir, ainda mais se considerarmos que o gênero está, cada vez mais, caindo no esquecimento. As músicas também contribuíam para a imersão, com composições que transmitiam um clima de comédia e ao mesmo tempo de urgência, e até um pouco de suspense, assim como vemos em filmes ao estilo Onze Homens e um Segredo e Uma Saída de Mestre.

"Grana, grana, grana!!"

Franquia de sucesso

O jogo rendeu duas sequências, ainda no PlayStation 2, que expandiam ainda mais o genial universo criado pela Sucker Punch. A trilogia foi tão bem aceita e avaliada que recebeu uma coletânea remasterizada para o PlayStation 3 e uma sequência inteiramente nova intitulada Thieves in Time. Contudo, Sly nunca chegou a se consolidar como um grande mascote da Sony, mesmo com jogos excelentes em seu currículo. Talvez o erro tenha sido colocá-lo para disputar com outras grandes franquias que estavam nascendo, de maneira que nenhuma delas, por si só, se consolidou como a cara do console, mas sim o conjunto de todas. Mas, para um console que possuía uma gigantesca biblioteca de jogos de excelente qualidade, nada melhor do que não ter apenas um, mas três mascotes com jogos excelentes.

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Stefano Genachi
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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